H. P. BLAVATSKY

COMENTÁRIOS SOBRE

A Doutrina Secreta  DIÁLOGOS COM H. P. BLAVATSKY TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE             H. P. BLAVATSKY

COMENTÁRIOS SOBRE

A Doutrina Secreta   DIÁLOGOS COM H. P. BLAVATSKY TRANSACTIONS OF THE BLAVATSKY LODGE

JANEIRO, FEVEREIRO, MARÇO,

EXTRAÍDO DO COLLECTED WRITINGS, VOLUME X,              DE H. P. BLAVATSKY (AS 4 PRIMEIRAS ESTÂNCIAS DO VOL.

I, COSMOGÊNESE)

TRADUÇÃO:         FERNANDO MANSUR E RAUL BRANCO Título do original em inglês: Collected Writings, Volume X, H. P. Blavatsky Theosophical Publishing House, 1888. Chennai, Índia.

B645c 		        Blavatsky, Helena P.  		              Comentários sobre A Doutrina Secreta/ Helena  P. Blavatsky; Tradução (Esp./Ing.) de Fernando Mansur e Raul  Branco – Brasília: Editora Teosófica, 2019.  		              180 p.

Título original: Transactions of Blavatsky Lodge,  (Colletect Writings, Vol X)          ISBN 978-85-7922-204-

1. Teosofia.

I. Mansur, Fernando.

II. Branco,  Raul.

III.

Título.

CDU 141.

Tradução do espanhol: Fernando Mansur.

Tradução do inglês: Raul Branco Revisão do português: Zeneida Cereja da Silva Diagramação: Ana Paula Cichelero Capa: Tiago Portes Impressão: Gráfica Papel e Cores, comercial@papelecores.com.br                               SUMÁRIO

Prefácio

Estância II              Sloka 1

Estância III

Sloka 1

Estância IV

Sloka 1

PREFÁCIO DA EDIÇÃO BRASILEIRA

De uma forma geral, cada ser humano tem a pos- sibilidade de direcionar seu tempo e energia de diferen- tes maneiras para encontrar o seu propósito de vida.

Neste contexto, existem muitas pessoas que colocam os estudos de filosofia e espiritualidade como fundamen- tais, pois são instrumentos para remover a ignorância e aliviar o sofrimento humano.

Helena Petrovna Blavatsky foi uma dessas pes- soas que dedicou a sua vida a conhecer as culturas e re- ligiões, em todo o mundo.

Grande estudiosa e desbrava- dora, resolveu contribuir com a humanidade, revelando ao Ocidente a sabedoria milenar do Oriente.

Ela foi uma das fundadoras da Sociedade Teosófica, trazendo sua contribuição com seus profundos conhecimentos espiri- tuais.

Existe uma frase de Henry David Thoreau que fala: “Para cada mil homens dedicados a cortar as fo- lhas do mal, há apenas um atacando as raízes”. Esse foi o caso da ocultista Blavatsky que, durante anos, além dos diversos livros que escreveu, também estabeleceu diá- logos e refle­xões com pessoas do mundo todo, respon- dendo às suas dúvidas e questionamentos.

Esta obra é o resultado de inquirições de um grupo de estudantes de Teosofia em Londres.

Como ela mesmo dizia: “Não há nada mais valio- so para um indivíduo do que possuir um ideal elevado

ao qual ele aspire continuamente, modelando por ele seus pensamentos e sentimentos, e construindo, assim, da melhor forma que possa, a sua vida.”        Ao ler esta pérola, é como se nós estivéssemos presentes nesse pequeno grupo de estudos, onde a pró- pria H. P. B., de forma colaborativa, fornece acréscimos preciosos para o entendimento da literatura teosófica.

Ótima leitura e reflexão!

Ígor Mendonça Câmara                         Presidente da Editora Teosófica

INTRODUÇÃO

Aproximadamente no mês de março de 1890, e novamente em janeiro de 1891, a Theosophical Pu- blishing Society (Sociedade Editora Teosófica), situada naquele tempo no nº 7 da Rua Duke, Adelphi, Londres, publicou dois pequenos volumes separados sob o título de Transactions1 of the Blavatsky Lodge of the Theoso- phical Society, Partes I e II.         Também foram editados por William Quan Judge, Rua Nassau, nº132, Nova Iorque.

Esses livros continham diálogos acerca de algumas Estâncias do primeiro volu- me de A Doutrina Secreta, realizados em reuniões da Loja Blavatsky em Londres, quando H.P.B. respondia algumas perguntas bem abstrusas relacionadas aos ensi- namentos da Filosofia Esotérica.

A Parte I trata das reuniões realizadas nos dias 10, 17, 24 e 31 de janeiro de 1889, na Rua Lansdowne, nº 17, Londres, nas quais se discutiram as Estâncias I e II.         A Parte II trata das reuniões realizadas no mesmo endereço, nos dias 7, 14, 21 e 28 de fevereiro, e 7 e 14 de março de 1889.         Nestas reuniões, discutiram-se as Estâncias II, III e IV.         Um Apêndice, que aparece com o título de “So- nhos”, oferece um “Resumo dos ensinamentos apresen-    No original em inglês, "Transactions": Relatórios, atas, trabalhos (esp.

de academia ou sociedade ou agremiações científicas). Fonte: Dicionário Inglês-Português Antônio Houaiss.

Ed. Record.

RJ-SP – 2001. – Optamos por usar “Diálogos”, como na versão em espanhol.

(Nota do trad.)

tados sobre este tema em várias reuniões que precede- ram aos Diálogos...”, ou seja, as de 20 a 27 de dezembro de 1888. [Este material pode ser encontrado nos Collected Writings, Vol.

X, em sua correta ordem crono- lógica.

Uma Nota de Introdução declara que “em todos os casos as respostas se baseiam em Informes taquigrá- ficos, e são as respostas acerca da Filosofia Esotérica da- das pela própria H.P.B”.         Uma revisão da Parte I desses Diálogos (Revista Lucifer, Londres, Vol.

VI, abril, 1889, p. 173-74) expres- sa, entre outras coisas, que “resta ainda material sufi- ciente para mais cinco volumes sobre o mesmo tema”. Esta declaração pode ter-se referido ao material contido na Parte II, o qual, no momento em que a “revisão foi escrita, não havia ainda sido publicado.

Mas o que é muito mais difícil de entender é o fato de que, na Nota Preliminar de “ambos os volumes” ou partes dos Diálogos, é dito que estão compilados “com base nas notas taquigráficas tomadas nas reuniões da Loja Blavatsky da Sociedade Teosófica, do dia 10 de ja- neiro ao dia 20 de junho, 1889...”.         Pareceria, portanto, que houve reuniões seme- lhantes realizadas depois de 14 de março de 1889, que é a data da última discussão que foi impressa.

Até meados do verão de 1889, H.P.B. esteve em Londres; em julho, 1889, fez uma viagem à França, escrevendo a maior par- te de A Voz do Silêncio2 em Fontainebleau.

Em seguida, foi a St. Heliers, Jersey, e não retornou a Londres até a metade de agosto.

Assim, é bem provável que as reuniões da Loja Blavatsky tenham continuado até o momento de     Editora Teosófica, 2ª ed., Brasília, 2017. (N.E.)

sua saída para a França, e que tais reuniões foram seme- lhantes às incorporadas nos Diálogos já impressos.

No mês de novembro de 1889, e, portanto, ante- rior à publicação da Parte I dos Diálogos, George R. S. Mead, como secretário da Loja Blavatsky, publicou (Lu- cifer, Vol.

V, p. 178) uma notícia para aqueles que estão interessados nos Diálogos da Loja Blavatsky.

E diz o se- guinte:         “As discussões sobre o Primeiro Volume de A Dou- trina Secreta, e que foram reportadas por um taquígrafo, eram de uma natureza tão difícil que muito da substân- cia, assim como está, é totalmente inútil.

O trabalho de revisar e colocar em outras palavras estes relatos, tarefa que teve que ser assumida por um dos mais atarefados da família sediada na Rua Lansdowne, nº17, está progredin- do, mas deve ser revisado novamente e preparado antes de ser publicado, e isso não pode ser feito por ninguém, a não ser H.P.B.; portanto, devido a suas múltiplas tarefas, o trabalho só pode progredir muito lentamente.

É de se esperar que a ânsia de nossos amigos seja atenuada com a explicação anterior.”         É naturalmente evidente que grande parte dos manuscritos dos quais fala Mead estava formado por material anotado durante as discussões nas reuniões de janeiro, fevereiro e começo de março, 1889, publicado mais tarde como “Diálogos” [“Transactions”...], Partes I e II. Mas como esta notícia apareceu algum tempo depois das reuniões de fim de março, abril, maio e junho, 1889, o mais provável é que ele também tivesse tido diante de si um material pertencente a essas últimas reuniões, es- pecialmente se tivermos presente o que é dito nas Notas Preliminares dos dois volumes.

Isso está apoiado de maneira substancial pelo fato de que em Lucifer, Vol.

VII, de 15, 1890, p. 165, depois do aparecimento da Parte I, e antes da publicação da Parte II, dos Diálogos, declara-se que os informes dos Diálogos consistem de vinte e quatro (24) fólios escritos à mão, dos quais quatro já tinham sido publicados.

Se quatro destes fólios foram constituir a Parte I dos Diálogos (pu- blicados em março, 1890), com ou sem o ensaio sobre “Sonhos”, e se a Parte II (publicada em janeiro, 1891) era menor que a Parte I, é óbvio, naturalmente, que uma porção considerável dos vinte e quatro fólios nunca foi impressa.

Como prova adicional deste fato, devemos ter em mente a declaração direta da Sra.

Alice Leighton Cleather, que, escrevendo sua periódica Letter from London, em fevereiro de 1891, diz: “A segunda parte dos “Diálogos da Loja Blavatsky” está agora publicada e logo seguirá a terceira” (The Theosophist, Vol.

XII, abril, 1891 – p. 438).         Quase dois anos depois da morte de H.P.B., os editores de Lucifer publicaram em suas páginas algum material da pena de H.P.B., sob o título de Notas sobre o Evangelho segundo João (Vol.

XI, Nº 66, fevereiro, 1893, p. 449-56, e Vol.

XII, Nº 67, março, 1893, p. 20- 30). Em uma breve Nota de Introdução a esta série em duas partes, George R. S. Mead declara que “as seguintes notas formaram a base de discussão nas reuniões da Loja Blavatsky, em outubro de 1889...”.Como estas Notas so- bre o Evangelho de São João citam em algum lugar a própria tradução do gnóstico Pistis-Sophia, de G.R.S. Mead, ou seja, a partir do primeiro fascículo em diante, publicado em Lucifer, Vol.

VI, abril, 1890, e agora esta revista faz referência em uma nota de rodapé, parece que

estas Notas foram revisadas e publicadas depois de abril de 1890, ou, possivelmente, mesmo depois da morte de H.P.B. em maio de 1891.        A partir da data mencionada por G.R.S. Mead, ou seja, outubro de 1889, parece que estas Notas forma- ram a base das discussões na Loja Blavatsky, depois do retorno de H.P.B. de sua viagem à França.

Mesmo se o manuscrito deste material fosse considerado como for- mando parte dos “vinte e quatro grandes fólios escritos à mão”, dos quais se falou anteriormente, o que é muito improvável, considerando as várias datas às quais nos referimos, devemos ainda levar em conta o fato de que, por uma ou outra razão, está faltando algo do material dos Diálogos que muito seguramente nunca foi publica- do.        Quanto à autenticidade de todo este conjunto, ci- tamos abaixo um importante fragmento de uma carta es- crita por William Kingsland, um dos companheiros mais próximos de H.P.B., em Londres, ao Dr. Henry T. Edge, um de seus discípulos pessoais, posteriormente em Point Loma, Califórnia.

A carta está datada de 7 de outubro de 1931, Claremont, The Strand, Ryde, I.W., e o fragmento diz o seguinte:

“... De acordo com minha lembrança, H.P.B. estava      presente em cada uma destas reuniões.

Os Diálogos fo-      ram em parte compilados das notas tomadas das res-      postas; mas cada uma delas foi revisada por H.P.B. an-      tes de ser publicada.

Não são palavra por palavra, como      ela as apresentou naquela ocasião.

De todo modo, são      suas autênticas respostas...”

O compilador.

ÍNDICE DAS ESTÃNCIAS COMENTADAS:            A EVOLUÇÃO CÓSMICA NAS          ESTÂNCIAS DO LIVRO DE DZYAN

(Nestes Diálogos, H. P. B. comenta as 4 primeiras Estâncias)

ESTÂNCIA I

1.     O Eterno Pai-Mãe 4, envolto em suas Sempre Invisíveis Vestes, havia adormecido uma vez mais du- rante Sete Eternidades.

2.     O tempo não existia, porque dormia no Seio Infi- nito da Duração.

3.     A Mente Universal não existia, porque não havia Ah-hi para contê-la.

4.     Os Sete Caminhos da Felicidade não existiam.

As Grandes Causas da Desgraça não existiam, porque não havia ninguém que as produzisse e fosse por elas aprisio- nado.

No original, as perguntas e respostas não estão numeradas nem as Estâncias reproduzidas.

Optamos, assim, em reproduzi-las nesta edição.

As referências à A Doutrina Secreta são da edição brasileira, da Ed. Pensamento.

Acrescentamos algumas pequenas modifica- ções às citações, baseados na versão original.

(Nota do trad.)    No original em inglês: “parent” muitas vezes aparecerá “Pai-Mãe”, expressão para a qual vale esta nota em todo o livro.

(Nota do trad.)

5.     Só as trevas enchiam o Todo Sem Limites, porque Pai, Mãe e Filho eram novamente Um, e o Filho ainda não havia despertado para a Nova Roda e a Peregrinação por ela.

6.     Os Sete Senhores Sublimes e as Sete Verdades ha- viam cessado de ser; e o Universo, filho da Necessidade, estava mergulhado em Paranishpanna, para ser expira- do por Aquele que é e, todavia, não é. Nada existia.

7.     As Causas da Existência haviam sido eliminadas; o Visível, que foi, e o Invisível, que é, repousavam no Eterno Não Ser – o Único Ser.

8.     A Forma Una da Existência, sem limites, infinita, sem causa, permanecia sozinha, em um Sono sem So- nhos; e a Vida pulsava inconsciente no Espaço Univer- sal, em toda a extensão daquela Onipresença que o Olho Aberto de Dangma percebe.

9.    Onde, porém, estava Dangma quando o Alaya do Universo se encontrava em Paramārtha, e a Grande Roda era Anupādaka?

ESTÂNCIA II

1.    ... Onde estavam os Construtores, os Filhos Res- plandecentes da Aurora do Manvantara? ... Nas Trevas Desconhecidas, em seu Ah-hi Paranishpanna.

Os Pro-

dutores da Forma, tirada da Não Forma, que é a Raiz do Mundo, Devamātri e Svabhāvat, repousavam na felici- dade do Não Ser.

2.     ... Onde estava o Silêncio? Onde os ouvidos para percebê-lo? Não; não havia Silêncio nem Som; nada, a não ser o Incessante Alento Eterno, para si mesmo ignoto.

3.     A Hora ainda não havia soado; o Raio ainda não havia brilhado dentro do Germe; a Matripādma ainda não intumescera.

4.     Seu Coração ainda não se abrira para deixar pe- netrar o Raio Único e fazê-lo cair em seguida, como Três em Quatro, no Regaço de Māyā [H.P.B. comenta aqui].

5.     Os Sete não haviam ainda nascido do Tecido de Luz.

O Pai-Mãe, Svabhāvat, era só Trevas; e Svabhāvat jazia nas Trevas.

6.     Estes Dois são o Germe, e o Germe é Uno.

O Uni- verso ainda estava oculto no Pensamento Divino e no Di- vino Seio.

ESTÂNCIA III

1.     ... A última Vibração da Sétima Eternidade palpi- ta através do Infinito.

A Mãe intumesce e se expande de dentro para fora, como o Botão de Lótus.

2.    A Vibração se propaga, suas velozes Asas tocam o Universo inteiro e o Germe que mora nas Trevas; as Trevas que sopram sobre as adormecidas Águas da Vida.

3.      As Trevas irradiam a Luz, e a Luz emite um Raio solitário sobre as Águas e dentro das Entranhas da Mãe.

O Raio atravessa o Ovo Virgem; faz o Ovo Eterno estre- mecer, e desprende o Germe não Eterno, que se conden- sa no Ovo do Mundo.

4.    Os Três caem nos Quatro.

A Essência Radiante passa a ser Sete interiormente e Sete exteriormente.

O Ovo Luminoso, que é Três em si mesmo, coagula-se e es- palha os seus Coágulos brancos como o leite por toda a extensão das Profundezas da Mãe: a Raiz que cresce nos Abismos do Oceano da Vida.

5.   A Raiz permanece, a Luz permanece, os Coágulos permanecem; e, não obstante, Oeaohoo é Uno.

6.      A Raiz da Vida estava em cada Gota do Oceano da Imortalidade, e o Oceano era Luz Radiante, que era Fogo, Calor e Movimento.

As Trevas se desvaneceram, e não existiram mais: sumiram-se em sua própria Essên- cia, o Corpo de Fogo e Água, do Pai e da Mãe.

7.     Vê, ó Lanu! O Radiante Filho dos Dois, a Glória refulgente e sem par: o Espaço Luminoso, Filho do Negro Espaço, que surge das Profundezas das Grandes Águas Sombrias.

É Oeaohoo, o mais jovem, o *** [“Que tu co- nheces agora como Kwan-Shai-Yin”]. Ele brilha como o Sol.

É o Resplandecente Dragão Divino da Sabedoria.

O

Eka [Um] é Chatur [Quatro], e Chatur toma para si Tri, e a união produz Sapta, no qual estão os Sete, que se tor- nam o Tridasha, as Hostes e as Multidões.

Contempla-o levantando o Véu e desdobrando-o de Oriente a Ociden- te. Ele oculta o Acima, e deixa ver o Abaixo como a Gran- de Ilusão.

Assinala os lugares para os Resplandecentes, e converte o Acima num Oceano de Fogo sem praias, e o Uno Manifestado nas Grandes Águas.

8.     Onde estava o Germe, onde então se encontravam as Trevas? Onde está o Espírito da Chama que arde em tua Lâmpada, ó Lanu? O Germe é Aquilo, e Aquilo é a Luz, o Alvo e Refulgente Filho do Pai Obscuro e Oculto.

9.    A Luz é a Chama Fria, e a Chama é o Fogo, e o Fogo produz o Calor, que dá Água – a Água da Vida na Grande Mãe.

10.    O Pai-Mãe urde uma Tela, cujo extremo superior está unido ao Espírito, Luz da Obscuridade Única, e o inferior à Matéria, sua Sombra.

A Tela é o Universo, teci- do com as Duas Substâncias combinadas em Uma, que é Svabhāvat.

11.     A Tela se distende quando o Sopro do Fogo a en- volve; e se contrai quando tocada pelo Sopro da Mãe.

En- tão, os Filhos se separam, dispersando-se, para voltar ao Seio de sua Mãe no fim do Grande Dia, tornando-se de novo uno com ela.

Quando esfria, a Tela fica radiante.

Seus Filhos se dilatam e se retraem dentro de Si mesmos e em seus Corações; elas abrangem o Infinito.[H.P.B. co- menta até aqui]

12.   Então, Svabhāvat envia Fohat para endurecer os Átomos.

Cada qual é uma parte da Tela.

Refletindo o “Se- nhor Existente por Si Mesmo” como um Espelho, cada um vem a ser, por sua vez, um Mundo.

ESTÂNCIA IV

1.     ... Escutai, ó Filhos da Terra.

Escutai os vossos Ins- trutores, os Filhos do Fogo.

Sabei: não há nem primeiro nem último; porque tudo é Um Número que procede do Não Número.

Aprendei o que nós, que descendemos dos Sete Primeiros, nós, que nascemos da Chama Primitiva, temos aprendido de nossos Pais ...

2.     Do Resplendor da Luz – o Raio das Trevas Eternas – surgem no Espaço as Energias despertadas de novo; o Um do Ovo, o Seis e o Cinco.

Depois o Três, o Um, o Qua- tro, o Um, o Cinco, o duplo Sete, a Soma Total.

E estas são as Essências, as Chamas, os Construtores, os Núme- ros os Arūpa, os Rūpa e a Força ou o Homem Divino, a Soma Total.

E do Homem Divino emanaram as Formas, as Centelhas, os Animais Sagrados e os Mensageiros dos Sagrados Pais dentro do Santo Quatro.

3.     Este foi o Exército da Voz, a Divina Mãe dos Sete.

As Centelhas dos Sete são os súditos e os servidores do Primeiro, do Segundo, do Terceiro, do Quarto, do Quin- to, do Sexto e do Sétimo dos Sete.

Estas Centelhas são

chamadas Esferas, Triângulos, Cubos, Linhas e Modela- dores; porque deste modo se conserva o Eterno Nidāna – o Oi-Ha-Hou.

4.   O Oi-Ha-Hou – as Trevas, o Sem Limites, ou o Não Número, Ādi-Nidāna, Svabhāvat, o O (o Círculo).

I.      O Ādi-Sanat, o Número; porque ele é Um.

II.     A Voz da Palavra, Svabhāvat, os Números;      porque ele é Um e Nove.

III.

O “Quadrado sem Forma”.

E estes Três, encerrados no O (no Círculo) são os Quatro Sagrados e os Dez são o Universo Arūpa. Depois vêm os Filhos, os Sete Combatentes, o Um, o Oitavo excluído, e seu Sopro, que é o Artífice da Luz.

5.      ... Em seguida, os Segundos Sete, que são os Li- pikas, produzidos pelos Três.

O Filho excluído é Um. Os “Filhos-Sóis” são inumeráveis.

(Reunião realizada na Rua Lansdowne, n°17, Londres, W., em 10 de janeiro de 1889, às 8 e meia da noite, sob a presidência do Sr. Harbottle.)

Tema:            As Estâncias de A Doutrina Secreta, Volume I

ESTÂNCIA I

Sloka (1) O ETERNO PAI-MÃE (O ESPAÇO), ENVOLTO EM SUAS5 SEMPRE INVISÍVEIS VESTES, HAVIA ADORMECIDO UMA VEZ MAIS DURANTE SETE ETERNIDADES.

Pergunta 1) O Espaço, no abstrato, é explicado no Proêmio da seguinte maneira:

“... a Unidade Absoluta não pode converter-se no Infini-           to, porque o Infinito pressupõe a extensão ilimitada de           algo e a duração deste ‘algo’; e o Todo Uno é – como o           Espaço, sua única representação mental e física em nos-           so plano de existência, a Terra – nem sujeito nem ob-           jeto de percepção.

Caso se pudesse admitir que o Todo           eterno e infinito, a Unidade onipresente, em vez de ser           na eternidade, se transformasse, por manifestações pe-           riódicas, em um Universo múltiplo ou em uma Persona-           lidade múltipla, tal Unidade deixaria de ser una.

A ideia           de Locke, de que ‘o espaço puro não é capaz nem de re-        No original em inglês: her.

(Nota do trad.)

sistência nem de movimento’, é incorreta.

O Espaço não          é nem um ‘vazio sem limites’ nem uma ‘plenitude con-          dicionada’; mas uma e outra coisa.

E sendo, no plano da          abstração, a Divindade sempre ignota, que é um vazio só          para a mente finita, e, no plano da percepção mayávica,          o Plenum, o continente absoluto de tudo o que é, seja          manifestado ou não manifestado – é, por conseguinte,          aquele TODO ABSOLUTO.

Não há diferença alguma en-          tre as palavras do Apóstolo cristão: ‘Nele vivemos, nos          movemos e temos o nosso ser’, e o que diz o Rishi hin-          du: ‘O Universo vive em Brahmā, dele procede e a ele          voltará’; porque Brahman (neutro), o não manifestado,          é aquele Universo in abscondito; e Brahmā, o manifes-          tado, é o Logos macho-fêmea dos dogmas ortodoxos.

O          Deus do Apóstolo Iniciado, assim como o do Rishi, é ao          mesmo tempo o Espaço Invisível e o Visível.

No simbo-          lismo esotérico, o Espaço é chamado ‘Mãe-Pai Eterno de          Sete Peles’; e é constituído de sua superfície indiferen-          ciada até a de sete capas...            ‘Que é o que foi, é e será ... haja ou não um Universo,          existam ou não deuses?’ – pergunta o catecismo Esoté-          rico Senzar.

E a resposta é: ‘O Espaço’ .”

Mas por que se fala do Eterno Pai, o Espaço, como feminino?

Resposta 1) Não em todos os casos, porque na passagem anterior o Espaço é chamado o “Eterno Mãe- -Pai”; mas quando é chamado assim, é porque é impos- sível definir Parabrahman; entretanto, cada vez que falamos desse algo que primeiro pode se conceber, de- vemos tratá-lo como um princípio feminino.

Em todas     A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 76-77. (Nota do trad.)

as cosmogonias, a primeira diferenciação foi sempre considerada feminina.

É Mūlaprakriti que oculta ou vela Parabrahman; Sephira é a luz que emana primeiro de Ain-Soph; e em Hesíodo é Gaia que surge do Caos, precedendo a Eros.

Isso se repete em todas as criações menos abstratas e materiais subsequentes, como a de- claração de que Eva foi criada de uma costela de Adão etc.

São a deusa e as deusas que aparecem primeiro.

A primeira emanação converte-se na Mãe imaculada da qual procedem todos os deuses, ou as antropomorfizadas forças criadoras.

Temos que adotar o gênero feminino ou masculino, porque não podemos usar o neutro “isso”. De AQUILO estritamente falando, nada pode proceder, nem uma radiação nem uma emanação.

P. 2) Esta primeira emanação é idêntica à Neith egípcia?        R. 2) Em realidade está além de Neith, porém em um sentido ou em um aspecto inferior é Neith.

P. 3) Então, esse AQUILO não é o “Eterno Pai-Mãe de Sete Peles?        R. 3) Certamente que não.

AQUILO é o Para- brahman da Filosofia Hindu, aquilo que está além de Brahmā, ou, como se lhe chama agora na Europa, “o incognoscível”. O espaço do qual falamos é o aspecto feminino de Brahmā, o masculino.

Quando acontece o primeiro movimento de diferenciação o Subjetivo ema- na ou cai, como uma sombra, no Objetivo, e se converte na Deusa Mãe de quem procede o Logos, o Deus Filho e Deus Pai ao mesmo tempo, os dois imanifestados, um a Potencialidade, e o outro a Potência.

Mas o primeiro não

deve ser confundido com o Logos manifestado, também chamado “o Filho” em todas as cosmogonias.

P. 4) A primeira diferenciação do absoluto AQUI- LO é sempre feminina?         R. 4) Somente como figura de linguagem; em fi- losofia estrita, não tem sexo; porém o aspecto feminino é o primeiro que assume nas concepções humanas, cuja subsequente materialização, em qualquer filosofia, de- pende do grau de espiritualidade da raça ou nação que concebeu o sistema.

Por exemplo: na Cabala dos talmu- distas, AQUILO é chamado AIN-SOPH, o ilimitado, o in- finito, o que não tem princípio nem fim (sendo o atributo sempre negativo); e se referem a este Princípio absoluto como Ele!! Desse negativo Ilimitado Círculo de Luz In- finita emana a primeira Sephira, a Coroa, que os talmu- distas chamam Torah, a lei, explicando que é a esposa de Ain-Soph.

Isto é antropomorfizar o espiritual no grau máximo.

P. 5) Ocorre o mesmo na Filosofia Hindu?        R. 5) Exatamente o oposto.

Porque se vamos às cosmogonias hindus, vemos que ali Parabrahman não é sequer mencionado, mas somente Mūlaprakriti.

Esta última é, por assim dizer, a veste ou aspecto de Para- brahman no Universo invisível.

Mūlaprakriti significa Raiz da Natureza ou da Matéria.

Mas não se pode cha- mar “Raiz” a Parabrahman, porque é a absoluta Raiz sem Raiz de tudo.

Portanto, devemos começar com Mūlaprakriti, ou o Véu deste incognoscível.

Aqui vemos uma vez mais que o primeiro é a Deusa-Mãe, o reflexo da raiz subjetiva, no primeiro plano da Substância.

Logo segue, emanando de, ou antes, residindo em, esta Deusa-

Mãe, o Logos imanifestado, o que é seu Filho e Esposo ao mesmo tempo, chamado o “Pai oculto”. Desses pro- cede o primeiro Logos manifestado, ou Espírito, o Filho de cuja substância emanam os sete Logoi, cuja síntese, considerada como uma só força coletiva, se converte no Arquiteto do Universo visível.

São os Elohim dos judeus.

P. 6) Que aspecto do Espaço, ou a deidade des- conhecida, chamada nos Vedas “Aquilo”, que se mencio- nada mais adiante, é chamado aqui o “Eterno Pai”?       R. 6) É o vedantino Mūlaprakriti, o Svabāvat dos budistas, ou aquele algo andrógino do qual estamos falando, e que é diferenciado e indiferenciado.

Em seu primeiro princípio é uma pura abstração, e se torna dife- renciado somente quando se transforma com o decorrer do tempo em Prakriti.

Comparando-se com os princí- pios humanos, corresponde a Buddhi, enquanto Ātmā corresponderia a Parabrahman, Manas a Mahat e as- sim sucessivamente.

P. 7) Então, que são as sete camadas do Espaço, já que no ‘Proêmio’ lemos acerca do “Pai-Mãe de sete Peles”?         R. 7) Platão e Hermes Trismegisto consideram isto como o Pensamento Divino, e Aristóteles compreen- deu este “Pai-Mãe” como “privação” de matéria.

É aquilo que se converterá nos sete planos de existência, come- çando com o espiritual e passando através do psíquico até o plano material.

Os sete planos do pensamento ou os sete estados de consciência correspondem a estes planos.

Todos estes setenários estão simbolizados por meio das sete “Peles”.

P. 8) As ideias divinas na Mente Divina? Entre- tanto a Mente divina ainda não havia aparecido...        R. 8) A Mente Divina é e deve ser antes que ocor- ra a diferenciação.

É chamada a Ideação divina, que é eterna em sua Potencialidade e periódica em sua Potên- cia, quando ser converte em Mahat, Anima Mundi ou Alma Universal.

Mas recordem que, de qualquer modo que se lhe chame, cada ideia que se forme tem seus as- pectos mais metafísicos, mais materiais e também outros aspectos intermediários.

P. 9) Qual é o significado da expressão “Sempre invisíveis vestes?”        P. 9) Naturalmente que é uma expressão figu- rada, como toda alegoria das filosofias orientais.

Talvez seja o hipotético Protilo que o professor Crookes anda buscando, mas que certamente nunca poderá ser encon- trado nesta nossa Terra ou plano.

É a substância indife- renciada ou matéria espiritual.

P. 10) E o que se chama “Laya”?       R. 10) As “Vestes” e tudo o mais estão em condi- ção Laya, o ponto do qual ou no qual a substância pri- mordial começa a diferenciar-se, dando assim vida ao Universo e a tudo o que nele está contido.

P. 11) As “invisíveis vestes” são assim chamadas porque não são objetivas para nenhuma diferenciação de consciência?        R. 11) Diria, mais propriamente, invisíveis para a consciência finita, se tal consciência fosse possível nessa etapa de evolução.

Inclusive para o Logos, Mūlaprakriti

é um véu, as Vestes nas quais está envolto o Absoluto.

Os vedantinos dizem que nem mesmo o Logos pode perce- ber o Absoluto7.

P. 12) Mūlaprakriti é o termo correto que deve ser usado?         R. 12) O Mūlaprakriti dos vedantinos é o Aditi dos Vedas.

A Filosofia Vedanta significa literalmente “o fim ou síntese de todo conhecimento”. Agora, existem seis escolas de Filosofia Hindu, as quais, analisadas estri- tamente, se verá que coincidem perfeitamente em subs- tância.

Fundamentalmente são idênticas, porém há tal abundância, tal quantidade de conclusões secundárias, detalhes e ornamentações, sendo algumas emanações seus próprios pais e os pais nascidos de suas próprias fi- lhas, que a pessoa se sente perdida em uma selva.

Diga o que você quiser a um hindu, do ponto de vista esotérico, e, se ele desejar, poderá lhe contradizer ou lhe refutar sob o ponto de vista de seu próprio sistema particular.

Cada uma destas seis escolas tem seus próprios termos e pontos de vista.

De modo que a menos que durante toda a discussão se adote e se use a terminologia de uma esco- la, existe um grande perigo de mal-entendidos.

P. 13) Então, o mesmo termo é usado em mui- tos diferentes sentidos pelas diferentes filosofias? Por exemplo, Buddhi tem um sentido na Filosofia Esotérica e um sentido muito distinto na Filosofia Sankhya.

Não é assim?    A Filosofia da Bhagavad-Gitā, T. Subba Row.

Ed. Teosófica, Brasí- lia, 2019. (N. E.)

R. 13) Exatamente, e outro sentido diferente no Vishnu-Purāna, o qual fala de sete Prakritis emanantes de Mahat, e chama a esta última Maha-Buddhi.

Entre- tanto, basicamente, as ideias são as mesmas, embora os termos difiram em cada escola, e neste labirinto de personificações perdeu-se o sentido correto.

Talvez fosse melhor, se fosse possível, inventar uma nova nomencla- tura para nós.

Contudo, devido à pobreza dos idiomas europeus, em particular o inglês, em vocábulos filosófi- cos, a empresa seria algo dificultosa.

P. 14) Não se poderia empregar o termo “Proti- lo” para representar a condição Laya?        R. 14) Dificilmente; o Protilo do professor Crookes provavelmente é usado para indicar a matéria homogênea no plano mais material de todos, enquanto que a substância simbolizada pelas “Vestes” do “Eterno Pai-Mãe” se encontra no sétimo plano de matéria con- tando a partir de baixo, ou melhor, de fora para dentro (desde o mais denso ao mais sutil). Esta não pode ser en- contrada no plano inferior, ou melhor, no mais externo ou material.

P. 15) Existe, pois, em cada um dos sete planos, uma matéria relativamente homogênea para cada pla- no?       R. 15) Assim é; porém tal matéria é homogênea apenas para aqueles que se encontram nos mesmos pla- nos de percepção; de modo que se algum dia a ciência moderna descobrir o Protilo, será homogêneo somente para nós.

A ilusão pode durar algum tempo, talvez até a Sexta Raça, porque a humanidade está sempre mudan-

do, física e mentalmente, e esperamos que também es- piritualmente, aperfeiçoando-se cada vez mais em cada raça e sub-raça.

P. 16) Não será um grande erro utilizar termos que tenham sido usados pelos cientistas com outro sig- nificado? Protoplasma teve uma vez quase o mesmo significado que Protilo, porém seu significado agora se restringiu.

R. 16) Decididamente assim seria; o Hyle dos gre- gos, porém, certamente, não era aplicado à matéria deste plano, pois o adotaram da cosmogonia caldeia, onde era usado num sentido altamente metafísico.

P. 17) Todavia a palavra Hyle é usada agora pelos materialistas para expressar uma ideia muito próxima daquilo para o qual empregamos o termo Mūlaprakriti.

R. 17) Pode ser; porém o Dr. Lewins e sua meia dúzia de intrépidos Hilo-idealistas dificilmente susten- tam essa opinião, porque em seu sistema o sentido me- tafísico foi completamente deixado de lado e perdido de vista.

P. 18) Então, depois de tudo isso, talvez Laya seja o melhor termo para se usar?        R. 18) Não tanto, porque Laya não significa algo em particular ou um ou outro plano, mas denota um es- tado ou condição.

É um termo sânscrito que transmite a ideia de algo em um estado indiferenciado e sem mudan- ças, um ponto zero no qual cessa toda diferenciação.

P. 19) A primeira diferenciação representaria a matéria em seu sétimo plano: não devemos supor, por- tanto, que o Protilo do professor Crookes é também ma- téria deste seu sétimo plano?        R. 19) O Protilo Ideal do prof.

Crookes é matéria no estado que ele chama “ponto-zero”.

P. 20) Ou seja, o ponto Laya deste plano?         R. 20) Não está de todo claro se o prof.

Crookes se ocupa de outros planos ou se admite a existência dos mesmos.

O objeto de suas investigações é o átomo pro- tílico, que, como ninguém jamais o viu, é simplesmente uma nova hipótese de trabalho para a ciência.

Porque, o que é em realidade um átomo?

P. 21) É uma definição conveniente do que seja ou se pensa que seja uma molécula, ou melhor, um ter- mo apropriado para dividi-la?         R. 21) Mas seguramente devem ter chegado à conclusão, por ora, de que átomo não é um termo mais adequado que os setenta e poucos diferentes elementos.

Tem sido costume rir-se dos quatro ou cinco elementos dos antigos; mas agora o prof.

Crookes chegou à con- clusão de que, estritamente falando, não existe absolu- tamente uma coisa tal como um elemento químico.

De fato, longe de se descobrir o átomo, não se chegou ainda a uma simples molécula.

P. 22) Deveria ser lembrado que Dalton foi o primeiro a falar deste tema, e o chamou “Teoria Atômi- ca”.       R. 22) Assim é; porém, como demonstrou Sir William Hamilton, o termo é usado num sentido errôneo

pelas escolas científicas modernas, as quais, ao mesmo tempo que riem dos metafísicos, aplicam um vocábulo puramente metafisico à física de modo que atualmente a palavra “teoria” começou a usurpar as prerrogativas do “axioma”.

P. 23) O que são as “Sete Eternidades” e como pode haver tal divisão em Pralaya, onde não existe nin- guém que seja consciente do tempo?        R. 23) O astrônomo moderno de nenhum modo conhece melhor que seu antigo irmão os “mandatos do Céu”. Se perguntado se ele poderia “trazer Mazzaroth à existência em sua estação [do ano]” ou se esteve com “aquele” que “desdobrou o firmamento”, teria que res- ponder tristemente, como o fez Jó, com uma negativa.

Entretanto, isso de nenhuma maneira o impede de es- pecular sobre a idade do Sol, da Lua e da Terra, e de “calcular” os períodos geológicos desde o tempo em que sobre a Terra não vivia nenhum homem com ou sem consciência.

Por que, então, não se concede o mesmo privilégio aos antigos?

P. 24) Mas por que se deve empregar o termo “Sete Eternidades”?        R. 24) O termo “Sete Eternidades” é empregado devido à invariável lei de analogia.

Assim como o Man- vantara está dividido em sete períodos, o mesmo ocorre com o Pralaya; assim como o dia se compõe de doze ho- ras, acontece o mesmo com a noite.

Podemos dizer que,    Mazzaroth é uma palavra bíblica hebraica encontrada no Livro de Jó 38:32, significando literalmente uma “guirlanda de coroas”. Mas seu contexto é o de constelações astronômicas, e é geralmente inter- pretada como um termo para o zodíaco ou suas constelações.

(Nota do trad.)

devido ao fato de estarmos adormecidos durante a noite e perdermos a consciência do tempo, as horas não pas- sam? Pralaya é a “Noite” que segue ao “Dia” Manvan- tárico.

Não existe ninguém, e a consciência dorme com todo o resto; contudo, essa consciência existe e se encon- tra em plena atividade como durante o Manvantara.

E assim como somos completamente sensíveis ao fato de que a lei de analogia e periodicidade é imutável, e sendo assim, que deve atuar por igual em ambos os extremos, por que não empregar essa frase?

P. 25) Mas como se pode calcular uma eternida- de?         R. 25) Talvez a questão surja devido à má inter- pretação geral do termo “Eternidade”. Nós, ocidentais, somos tolos o bastante para especular acerca daquilo que não tem princípio nem fim, e supomos que os anti- gos devam ter feito o mesmo.

Entretanto, não o fizeram: nenhum filósofo antigo usou a palavra “Eternidade” para indicar uma duração sem começo nem fim.

Nem os Eóns dos gregos nem os Neros transmitem este significado.

De fato, eles não tinham nenhuma palavra para expressar o sentido exato.

Parabrahman, Ain-Soph e o Zeruana- -Akerne do Avesta representam somente tal Eternidade; todos os outros períodos são finitos e astronômicos, ba- seando-se nos anos tropicais e em outros ciclos enormes.

A palavra Eón, que na Bíblia se traduz por Eternidade, significa apenas um período finito, como também um anjo e um ser.

P. 26) Mas não é correto dizer que em Pralaya também se encontra o “Grande Alento”?

R. 26) Certamente: porque o “Grande Alento” nunca deixa de ser, e é, por assim dizer, o universal e eterno perpetuum mobile.

P. 27) Sendo assim, é impossível dividi-lo em pe- ríodos, pois isso afasta a ideia de absoluto e do nada completo.

Parece incompatível que se possa falar de um “número” de períodos, embora se possa falar de tantas exalações e inalações do “Grande Alento”.        R. 27) Isso colocaria de lado a ideia de Repouso absoluto, se esta absolutividade do Repouso não fosse interrompida pela absolutividade do Movimento.

Exis- te um magnífico poema sobre o Pralaya, escrito por um Rishi muito antigo, que compara o movimento do Gran- de Alento durante o Pralaya com os movimentos rítmi- cos do Oceano Inconsciente.

P. 28) A dificuldade reside em usar a palavra “eternidade” em lugar de “éon”?        R. 28) Por que se deve usar uma palavra grega quando existe uma expressão mais familiar, especial- mente se esta se encontra completamente explicada em A Doutrina Secreta? Pode-se chamá-la eternidade rela- tiva ou eternidade manvantárica ou praláyca, se prefe- rirem.

P. 29) A relação entre Pralaya e Manvantara é estritamente análoga à relação entre o sono e a vigília?        R. 29) Em um certo sentido apenas; durante a noite todos nós existimos como personalidades, e ao mesmo tempo somos individualidades, embora sonhe- mos e talvez sejamos inconscientes de viver assim.

Po-

rém, durante o Pralaya, o todo diferenciado, assim como cada unidade, desaparece do Universo fenomenal, e se funde no, ou melhor, passa a ser o Um numênico.

Por conseguinte, de fato, há uma grande diferença.

P. 30) O sonho tem sido chamado “o lado escuro da vida”; pode-se dizer que o Pralaya é o lado escuro da vida Cósmica?        R.30) Em um certo sentido pode ser chamado as- sim.

Pralaya é a dissolução do visível dentro do invisível, do heterogêneo no homogêneo, e, portanto, um tempo de repouso.

Mesmo a matéria cósmica, embora indes- trutível em sua essência, deve ter um tempo de repouso e voltar ao seu estado Laya.

A absolutividade da essên- cia Una abarcante deve manifestar-se tanto em repouso como em atividade.

Sloka (2) O TEMPO NÃO EXISTIA, POIS JAZIA ADORMECIDO NO SEIO INFINITO DA DURAÇÃO.

P. 1) Que diferença existe entre Tempo e Dura- ção?        R. 1) A Duração é; não tem princípio nem fim.

Como você pode chamar Tempo àquilo que não tem princípio nem fim? A Duração é sem começo e sem fim; o Tempo é finito.

P. 2) É, então, a Duração é a concepção infinita e o Tempo a finita?       R. 2) O Tempo pode ser dividido; a Duração, pelo menos em nossa filosofia, não.

O Tempo é divisível em

Duração, ou como vocês dizem, um é algo dentro do Tempo e do Espaço, enquanto que o outro está fora de ambos.

P. 3) A única maneira de definir o Tempo é pelo movimento da Terra?       R. 3) Mas também podemos definir o Tempo em nossos conceitos.

P. 4) Ou, dizendo melhor, a Duração?         R. 4) Não, o Tempo; porque, com relação à Du- ração, é impossível dividi-la ou estabelecer demarcações ali.

A Duração, para nós, é a eternidade una, não relativa, mas absoluta.

P. 5) Pode-se dizer que a existência é a ideia es- sencial da Duração?        R. 5) Não; a existência tem períodos limitados e definidos, enquanto que a Duração, não tendo princípio nem fim, é uma perfeita abstração que contém o Tempo.

A Duração é como o Espaço, o qual é também uma abs- tração e é igualmente sem princípio nem fim.

É apenas em seu aspecto concreto e em limitação, que se converte em uma representação e em um algo.

Naturalmente, a distância entre dois pontos é chamada espaço; pode ser enorme ou pode ser infinitesimal, entretanto será sem- pre um espaço.

Porém, todas essas especificações são divisões feitas pela concepção humana.

Em realidade, o Espaço é o que os antigos chamavam o Uno invisível ou a desconhecida (agora incognoscível) Deidade.

P. 6) Então, Tempo é o mesmo que Espaço, sen- do um no abstrato?         R.6) Como duas abstrações, podem ser uma; mas isso se aplicaria à Duração e ao Espaço Abstrato, em vez de ao Tempo e ao Espaço.

P. 7) O Espaço é o lado objetivo e o Tempo é o lado subjetivo de toda manifestação.

Em realidade, são os únicos atributos do infinito, mas atributo é talvez um termo inapropriado para se usar, visto serem eles, di- gamos assim, coextensivos com o infinito.

Entretanto, pode-se objetar que não são nada mais que criações de nosso próprio intelecto; são simplesmente as formas nas quais não podemos deixar de conceber coisas.

R. 7) Isto soa como um argumento de nossos amigos Hilo-idealistas, mas aqui falamos do Universo numênico e não do fenomênico.

No catecismo oculto9, pergunta-se: Que é aquilo que sempre É, que não se pode imaginar como NÃO SENDO, mesmo se quiséssemos? A resposta é: O ESPAÇO.

Porque não pode haver um só ho- mem no Universo que possa pensá-lo, nem um só olho capaz de percebê-lo, nem um só cérebro capaz de sen- ti-lo, entretanto, o espaço é, sempre foi, e sempre será, e não podemos deixá-lo de lado.

P. 8) Talvez porque não podemos deixar de pen- sar nele?        R. 8) Nosso pensamento nele não tem nada a ver com a questão.

Tente, antes, pensar em algo excluindo o

A Doutrina Secreta, Vol.

I, Proêmio.

(Nota do trad.) Espaço e logo descobrirá o impossível de tal concepção.

O Espaço existe onde nada mais existe, e deve também existir, quer seja o Universo um absoluto vacum (vazio), ou um completo pleroma (plenitude).

P. 9) Os filósofos modernos o reduziram a isto: que o espaço e o tempo não são nada mais que atribu- tos, nada mais que acidentes.

R. 9) E estariam certos se sua conclusão fosse o fruto da verdadeira ciência, em vez de ser o resultado de Avidyā e Māyā, ou seja, de uma ilusão.

Encontramos também Buda dizendo que mesmo o Nirvāna era, afinal de contas, somente Māyā ou uma ilusão; mas o Senhor Buda baseava o que dizia no conhecimento, não na espe- culação.

P. 10) Mas são o Espaço e a Duração eternos os únicos atributos do Infinito?         R. 10) O Espaço e a Duração, sendo eternos, não podem ser chamados de atributos, posto que são somen- te os aspectos daquele Infinito.

Não pode aquele Infinito, se com ele você quer dizer o Princípio Absoluto, ter ne- nhum atributo, já que apenas aquilo que por si mesmo é finito e condicionado pode ter alguma relação com algo.

Tudo isso é filosoficamente errôneo.

P. 11) Não podemos conceber nenhuma matéria que não esteja estendida, nem uma extensão que não seja a extensão de algo.

Ocorre o mesmo nos planos su- periores? E, em sendo assim, qual é a substância que ocupa o espaço absoluto e é idêntica com esse espaço?

R. 11) Se seu “intelecto treinado” não pode conce- ber outra coisa que não seja matéria, talvez possa fazê-lo alguém menos treinado, porém mais aberto à percepção espiritual.

Não se infere, porque você o diz, que tal con- ceito de Espaço seja o único possível, mesmo em nossa Terra.

Porque também neste nosso plano existem outros e diferentes intelectos, além dos humanos, em criaturas visíveis e invisíveis, desde as mentes de Seres subjetivos, elevados e inferiores, até os animais objetivos e os orga- nismos inferiores; em resumo, “do Deva ao elefante, do elemental à formiga”. Agora, de acordo com seu próprio plano de concepção e de percepção, a formiga tem um intelecto tão bom como o nosso, e até melhor; porque embora não o possa expressar com palavras, contudo, acima e além do instinto, a formiga demonstra grandes poderes de raciocínio, como todos nós sabemos.

Assim, achando-se em nosso próprio plano – se cremos nos vários ensinamentos do Ocultismo – tantos e tão varia- dos estados de consciência e de inteligência, não temos direito de levar em consideração apenas nossa própria consciência humana, como se nenhuma outra existisse fora dela.

E se não podemos presumir decidir até onde chega a consciência de um inseto, como podemos limitar a consciência, da qual a ciência nada sabe, somente a este plano?

P. 12) Mas por que não? Seguramente a ciência natural pode descobrir tudo o que deve ser descoberto, mesmo na formiga.

R. 12) Essa é sua opinião; mas para o ocultista, essa confiança está mal colocada, apesar dos trabalhos de Sir John Lubbock.

A ciência pode especular, mas, com

seus métodos atuais, não será nunca capaz de provar a veracidade de tais especulações.

Se um cientista pudesse transformar-se por um momento em uma formiga e pen- sar como tal e recordasse sua experiência ao voltar à sua própria esfera de consciência, somente então poderia sa- ber indubitavelmente algo sobre este interessante inseto.

Atualmente, só pode especular fazendo deduções a partir do comportamento da formiga.

P. 13) Então o conceito que a formiga tem acer- ca do tempo e do espaço não é como o nosso.

É isso que você quer dizer?        R. 13) Exatamente; a formiga tem conceitos do tempo e do espaço que lhe são próprios, não são os nos- sos; são conceitos que estão inteiramente em outro pla- no; portanto, não temos direito de rechaçar a priori a existência de outros planos somente porque não pode- mos formar uma ideia deles, mas que, no entanto, exis- tem – planos superiores e inferiores ao nosso em vários graus, como atesta a formiga.

P. 14) Deste ponto de vista, a diferença entre o homem e o animal parece ser que o primeiro nasce com mais ou menos todas as suas faculdades, e geralmen- te falando, não tem nenhuma vantagem apreciável por isso, enquanto que o último está aprendendo e melho- rando gradualmente.

Não é esta realmente a questão?        R. 14) Justamente; mas você tem que recordar o porquê: não se trata de que o homem tenha um “prin- cípio” a mais que o inseto mais diminuto, mas porque o homem é um animal aperfeiçoado, o veículo de uma

mônada plenamente desenvolvida, autoconsciente e que segue sua própria linha de progresso, enquanto que no inseto, e mesmo no animal mais desenvolvido, a tríade dos princípios superiores está totalmente adormecida.

P. 15) Existe alguma consciência ou ser conscien- te que conheça e faça a divisão do tempo quando ocor- re o primeiro estremecimento da manifestação? Em “A Filosofia da Bhagavad-Gitā”10, o Sr. Subba Row, falando do Primeiro Logos, parece implicar tanto a consciência quanto a inteligência.

R. 15) Mas não explicou a qual Logos se referia, e creio que falava em geral.

Na Filosofia Esotérica, o Pri- meiro Logos é o imanifestado, e o Segundo é o manifes- tado.

Ishvāra corresponde ao Segundo, e Nārāyana ao Logos imanifestado.

Subba Row é um advaita e um ve- dantino erudito, e explicava de seu ponto de vista.

Nós o fazemos do nosso.

Em A Doutrina Secreta, aquilo do qual nasce o Logos manifestado se traduz como o “Eter- no Pai-Mãe”; enquanto que no Vishnu-Purāna é descrito como “o Ovo do Mundo”, rodeado por sete peles, capas ou zonas.

É neste Ovo Dourado que nasce Brahmā, o masculino, e esse Brahmā em realidade é o Segundo Lo- gos ou também o Terceiro, de acordo com a enumeração adotada; porque certamente não é o Primeiro ou mais elevado, o ponto que está em todas as partes e em nenhu- ma. Mahat, na interpretação esotérica, é em realidade o Terceiro Logos ou a Síntese dos Sete Raios criadores, os Sete Logoi.

Das assim chamadas Sete Criações, Mahat é a Terceira, porque é a Alma Universal e inteligente, a Ide-    Editora Teosófica, Brasília, 2019. (Nota do trad.) ação Divina, combinando os planos ideais e os protótipos de todas as coisas, tanto no mundo objetivo manifestado como no subjetivo.

Nas Doutrinas Sankhya e Purânica, Mahat é o primeiro produto de Pradhāna, animado por Kshetrajnā, “o Espírito Substância”. Na Filosofia Esoté- rica, “Kshetrajnā” é o nome que se dá a nossos EGOS reencarnantes.

P. 16) É esta então a primeira manifestação em nosso Universo objetivo?        R. 16) É o primeiro Princípio nele, sensível ou perceptível para o pensamento divino e não para os sen- tidos humanos.

Mas se partirmos do Incognoscível, fala- remos que é o terceiro, e que corresponde a Manas, ou melhor, a Buddhi-Manas.

P. 17) Então o Primeiro Logos está representado pelo primeiro ponto dentro do círculo?        R. 17) O ponto dentro do círculo que não tem li- mites e é eterno, e que não tem nem nome nem atribu- to. Este primeiro Logos imanifestado é simultâneo com a linha traçada sobre o diâmetro do Círculo.

A Primeira Linha ou Diâmetro representa o Pai-Mãe; dele procede o Segundo Logos, que contém em si mesmo a Terceira Palavra Manifestada.

Nos Purānas, por exemplo, se diz outra vez que a primeira criação do Akāsha é o Som, e neste caso Som significa “Palavra”, a expressão do inefá- vel pensamento, o Logos manifestado, o dos gregos e pla- tônicos e de São João.

O Dr. Wilson e outros orientalistas falam desta concepção dos hindus como de um absurdo, porque segundo eles Akāsha e Caos são idênticos.

Mas

se soubessem que Akāsha e Pradhāna não são senão os dois aspectos de uma mesma coisa, e recordassem que Mahat, a ideação divina, em nosso plano, é esse Som ou Logos manifestado, ririam de si mesmos e de sua própria ignorância.

P. 18) Com referência à passagem seguinte, qual é a consciência que toma conhecimento do tempo? É a consciência de tempo limitada ao plano da consciência física desperta, ou ela existe em planos superiores? Em A Doutrina Secreta, se diz que: “O tempo é só uma ilusão produzida pela sucessão de nossos estados de consciên- cia em nossa viagem através da duração eterna, e não existe onde não existe consciência em que possa produ- zir-se a ilusão...”         R.18) Aqui só se quer indicar a consciência em nosso plano e não a eterna Consciência divina à qual cha- mamos o Absoluto.

A consciência do tempo, no sentido atual da palavra, não existe nem mesmo durante o sono; muito menos, portanto, pode existir na essência absolu- ta. Pode-se dizer que o mar tem um conceito do tempo em seu rítmico golpear sobre a praia, ou no movimento de suas ondas? Não se pode dizer que o Absoluto tenha consciência, ou pelo menos uma consciência tal qual a que temos aqui.

Não tem consciência, nem desejo, nem vontade, nem pensamento, porque é pensamento abso- luto, desejo absoluto, consciência absoluta, é um “todo” absoluto.

P. 19) É aquilo a que nos referimos como SEIDA- DE ou SAT?    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 101. (Nota do trad.)        R. 19) Nossos amáveis críticos acharam muito di- vertida a palavra “Seidade12 porém não existe outro modo de traduzir a palavra sânscrita Sat.

Não é existência, por- que existência pode aplicar-se somente aos fenômenos, nunca aos númenos, a mesma etimologia do termo em latim que contradiz tal afirmação, pois ex significa “de ou desde”, ou “fora de”, e sistere, “estar”; portanto, tra- ta-se de algo que parece estar então (ali?) onde não esta- va antes.

Ademais, a palavra existência implica algo que tem um começo e um fim.

Como então se pode aplicar o termo àquilo que sempre foi, e do qual não se pode dizer que tivesse surgido de alguma outra coisa?

P. 20) O hebreu Jeová era “Eu sou”.       R. 20) E também o era Ormuzd, o Ahura-Mazda dos antigos masdeístas.

Neste sentido, todo homem as- sim como todo Deus pode jactar-se de sua existência di- zendo “Eu sou o que sou”.

P. 21) Mas seguramente Seidade tem alguma re- lação com a palavra “ser”?        R. 21) Sim; mas Seidade não é “ser “, porque é igualmente “não ser”. Nós não podemos concebê-lo, por- que nosso intelecto é muito limitado e nossa linguagem é ainda mais limitada e condicionada que nossa mente.

Portanto, como podemos expressar aquilo que somente pode ser concebido por meio de uma série de negativas?

P. 22) Um alemão poderia expressá-lo mais fa- cilmente com a palavra “sein” (ser); “das sein” [o ser (sendo “sein” um infinitivo)] poderia ser um equivalen-    No original em inglês: Be-ness.

(Nota do trad.) te muito bom para “Be-ness”; este último termo talvez soe absurdo aos ouvidos ingleses desacostumados, mas “das sein” (o ser) é um termo e uma ideia perfeitamen- te familiares a um alemão.

Mas estávamos falando de consciência em Espaço e Tempo.

R. 22) Esta consciência é finita, tendo princípio e fim.

Mas qual é a palavra para essa Consciência finita que ainda, devido a Māyā, acreditava-se infinita? Nem mesmo quem está no Devachan é consciente do tempo; tudo está presente no Devachan; não há passado, de ou- tro modo o Ego o recordaria e o lamentaria; nem futu- ro, senão desejaria tê-lo. Portanto, vendo que o Deva- chan é um estado de bem-aventurança no qual tudo está presente, se diz que aquele que está no Devachan não tem nenhum conceito ou ideia do tempo; para ele tudo é como em um sonho vívido, uma realidade.

P. 23) Mas podemos sonhar o tempo de uma vida em meio segundo, sendo conscientes de uma suces- são de estados de consciência, de eventos que se suce- dem um atrás do outro?       R. 23) Só depois do sonho: enquanto se sonha não existe tal consciência.

P. 24) Não poderíamos comparar a recorda- ção de um sonho a uma pessoa dando a descrição de um quadro, e tendo que mencionar todas as partes e os detalhes porque não pode apresentar o todo diante do olho da mente de quem escuta?       R. 24) Essa é uma analogia muito boa.

(Reunião realizada em Lansdowne Road, Nº 17, Londres, W., em 17 de janeiro de 1889, sob a presidência do Sr. T. B. Harbottle.)

ESTÂNCIA I [continuação]

Sloka (3) A MENTE UNIVERSAL NÃO EXISTIA, POIS NÃO HAVIA AH-HI (SERES CELESTIAIS) PARA CONTÊ-LA (E, PORTANTO, PARA MANIFESTÁ-LA).

P. 1) Este Sloka parece implicar que a Mente Universal não tem existência separada dos Ah-hi; mas no Comentário se diz que:

“...um númeno pode chegar a ser fenômeno em qual-      quer plano de existência somente se manifestando na-      quele plano através de uma base ou veículo apropriado;      e durante a longa noite de repouso, chamada Pralaya,      quando todas as existências estão dissolvidas, a ‘MEN-      TE UNIVERSAL’ permanece como uma permanente      possibilidade de ação mental, ou como aquele pensa-      mento abstrato absoluto, do qual a mente é a relativa      manifestação concreta.

Os AH-Hi (Dhyān-Chohans)      são as hostes coletivas de seres espirituais... os quais      são os veículos, para a manifestação do pensamento e      da vontade divinos ou universais.

São as Forças Inteli-      gentes que dão e estabelecem na Natureza as ‘Leis’, ao      passo que eles mesmos trabalham conforme as leis que      lhes foram impostas de uma maneira análoga por Po-      deres ainda mais elevados; ... Esta hierarquia de Seres

espirituais, por cujo meio a Mente Universal se põe em       ação, assemelha-se a um exército – verdadeiramente       uma ‘Hoste’...’’

O comentário sugere que os Ah-hi não são eles próprios a Mente Universal, mas somente o veículo para sua manifestação.

R. 1) O significado deste Sloka, creio, é muito cla- ro; quer dizer que, como não há mentes finitas diferen- ciadas durante o Pralaya, é como se não houvesse mente de forma alguma, porque não existe nada para contê-la ou percebê-la. Não existe nada que receba e reflita a ide- ação da Mente Absoluta; portanto, ela não está.

Fora do Absoluto e imutável Sat (Seidade), tudo é necessaria- mente finito e condicionado, já que tem começo e fim.

Em consequência, posto que “não estavam os Ah-hi”, não havia Mente Universal como manifestação.

Há que se fa- zer uma distinção entre a Mente Absoluta, que está sem- pre presente, e sua manifestação e reflexo nos Ah-hi, os quais, encontrando-se no plano mais elevado, refletem coletivamente a mente universal ao primeiro estreme- cimento do Manvantara.

Logo, eles começam o traba- lho de evolução de todas as forças inferiores através dos sete planos, até o mais denso, o nosso.

Os Ah-hi são os primordiais Sete Raios ou Logoi, emanados do primeiro Logos, triplo, e, no entanto, um em sua essência.

P. 2) Então os Ah-hi e a Mente Universal são ne- cessariamente complementos um do outro?        R. 2) De modo algum: a Mente Universal ou    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 102. (Nota do trad.) Absoluta sempre é durante o Pralaya, assim como no Manvatara; é imutável.

Os Ah-hi são os Dhyanis mais elevados, os Logoi, como acabamos de dizer, aqueles que começam a evolução descendente, ou emanação.

Durante o Pralaya não existe Ah-hi, porque eles vêm à existência somente com a primeira radiação da Mente Universal, a qual, per se, não pode diferenciar-se e cuja radiação é o primeiro descenso do Manvantara.

O Abso- luto é mente adormecida, latente, e não pode ser de outra maneira na verdadeira percepção metafísica; é somente Sua sombra que começa a diferenciar-se na coletividade destes Dhyanis.

P. 3) Isto significa que era consciência absoluta, mas já não é?        R. 3) É consciência absoluta eternamente, a qual periodicamente se converte em consciência relativa, em cada “amanhecer manvatárico”. Representamos esta consciência latente ou potencial como uma espécie de vazio dentro de um recipiente; rompe-se o recipiente, e o que acontece com o vazio? Onde devemos buscá-lo? De- sapareceu; está em todas as partes e em nenhuma.

Ele é algo e, no entanto, nada: um vazio e ao mesmo tempo uma plenitude.

Mas o que é em realidade um vazio, se- gundo a Ciência Moderna, um algo homogêneo ou o quê? O Vazio Absoluto não é uma ficção de nossa fantasia? Uma pura negação, um suposto Espaço onde nada exis- te? Sendo assim, destrua-se o recipiente, e – pelo menos para nossa percepção – nada existe.

Portanto, a Estância expressa isso muito corretamente; “A Mente Universal não existia”, porque não havia veículo para contê-la.

P. 4) Quais são os poderes mais elevados que condicionam os Ah-hi?        R. 4) Não podem ser chamados de poderes; seria talvez melhor falar de poder ou Potencialidade.

Os Ah-hi são condicionados pelo despertar na manifesta- ção da LEI universal periódica, que se converte suces- sivamente em ativa e em passiva.

É por esta Lei que são condicionados ou formados, não criados.

“Criados” é um termo impossível de se usar em Filosofia.

P. 5) Então, o poder ou Potencialidade que pre- cede os Ah-hi e é superior a eles, é a lei que necessita manifestar-se?       R. 5) Exatamente isso; a manifestação periódica.

Quando soa a hora, a Lei entra em ação, e os Ah-hi apa- recem no primeiro degrau da escada de manifestação.

P. 6) Mas seguramente esta é A LEI, e não UMA lei?       R. 6) Exatamente, já que é absoluta e “Sem Se- gundo”, e, portanto, não é um atributo, mas a própria Absolutividade.

P. 7) A grande dificuldade consiste em dar conta dessa Lei?        R. 7) Isto seria tentar ir além da primeira mani- festação e da suprema causalidade.

Seria necessário todo nosso limitado intelecto para compreender mesmo vaga- mente esta última; por mais que tentemos, nunca pode- remos, limitados como somos, compreender o Absoluto, que para nós, em nossa atual etapa de desenvolvimento mental, é somente uma especulação lógica, ainda que

possamos pôr uma data, retrocedendo milhares e milha- res de anos.

P. 8) Com referência ao sloka em questão, não seria “mente cósmica” um termo melhor que “mente universal”?         R. 8) Não.

A Mente Cósmica aparece na terceira etapa, ou grau, e está confinada ou limitada ao Universo manifestado.

Nos Purānas, Mahat (o “grande” Princípio mental ou Intelecto) aparece somente na terceira das Sete “Criações” ou etapas de evolução.

A Mente Cósmica é Mahat, ou ideação divina em atividade (operação cria- tiva) e, portanto, é somente a manifestação periódica em tempo e in actu da Eterna Mente Universal in potencia.

A rigor, sendo Mente Universal apenas outro nome para o Absoluto, fora do tempo e do espaço, esta Ideação Cós- mica, ou Mente, não é de nenhum modo uma evolução, (e menos ainda uma “criação”), mas simplesmente um dos aspectos daquela que não conhece mudanças, que sempre foi, que é e será.

Assim, repito, o sloka implica que não havia ideação universal, vale dizer, não era per- ceptível, porque não existiam mentes para percebê-la, já que a Mente Cósmica estava ainda latente, como mera potencialidade.

Como as estâncias falam da manifesta- ção, estamos consequentemente obrigados a traduzi-las assim, e não de outro ponto de vista.

P. 9) Usamos a palavra “cósmica” como aplica- da ao Universo manifestado em todas as suas formas.

O sloka aparentemente não se refere a isso, mas à pri- meira Consciência absoluta ou Não consciência, e pa- rece implicar que a consciência absoluta não podia ser a mente universal, porque essa não estava expressada

(manifestada), ou não podia estar: em consequência não havia nenhuma expressão para ela.

Mas poder- se-ia objetar que não havia modo de expressá-la (ma- nifestá-la), entretanto, estava ali? Podemos dizer que, igual a Sat, era e não era?        R. 9) Isso não ajudaria a interpretação.

P. 10) Quando se diz que não estava, a ideia que se sugere então é que não estava no Absoluto?        R. 10) De modo algum; simplesmente “não exis- tia”.

P. 11) Certamente, parece haver uma distinção; porque se pudéssemos dizer “era” estaríamos tendo uma visão muito parcial da ideia de Sat, que equivaleria dizer que Sat estava SENDO.

Mais ainda, alguém pode- ria dizer que a frase “A Mente Universal não era”, como está, sugere que é uma manifestação, mas a mente não é uma manifestação.

R. 11) A Mente no ato da ideação é uma manifes- tação; mas a Mente Universal não é a mesma coisa, já que não se pode falar de nenhum ato relativo ou condi- cionado daquilo que é Absoluto.

Houve ideação univer- sal tão logo apareceram os Ah-hi, e continua havendo ao longo do Manvantara.

P. 12) A que plano cósmico pertencem os Ah-hi dos quais se fala aqui?        R. 12) Eles pertencem ao primeiro, segundo e ter- ceiro plano (sendo, em realidade, o último plano, o ponto de partida da manifestação primordial), o reflexo obje- tivo do Imanifestado.

Assim como a Monas pitagórica,

o Primeiro Logos, havendo emanado a primeira Tríade, desaparece no silêncio e nas trevas.

P. 13) Isto significa que os três Logoi emanados da Radiação primordial no Macrocosmos, correspon- dem a Ātmā, Buddhi e Manas, no Microcosmos?       R. 13) Exatamente; correspondem, mas não de- vem ser confundidos com estes.

Agora estávamos fa- lando do Macrocosmos no momento do primeiro estre- mecimento da aurora manvantárica, quando começa a evolução, e não do Microcosmos ou Homem.

P. 14) Os três planos aos quais pertencem os três Logoi são emanações simultâneas ou emanam um do outro?        R. 14) É muito enganoso aplicar leis mecânicas à metafísica superior da cosmogonia, ou ao espaço e tem- po, como os conhecemos agora, porque então não existia nenhum dos dois.

O reflexo da Tríade no tempo e no es- paço, ou no Universo objetivo, vem depois.

P. 15) Os Ah-hi foram homens em Manvantaras anteriores ou virão a ser?       R. 15) Toda criatura vivente, qualquer que seja sua descrição, foi, é ou será um ser humano em um ou em outro Manvantara.

P. 16) Mas eles permanecem neste Manvantara no mesmo altíssimo plano, durante o período total do ciclo de vida?        R. 16) Se com “ciclo de vida” você se refere a uma duração de tempo que se estende por um número de mais de quinze cifras, então, minha resposta é, decididamen-

te, não.

Os “Ah-hi” passam por todos os planos, come- çando a manifestar-se no terceiro.

Como todas as outras Hierarquias, no plano mais elevado são Arūpa, ou seja, sem forma, sem corpo, sem nenhuma substância, meros alentos.

No segundo plano, eles começam a se aproximar de Rūpa, ou forma; no terceiro, convertem-se em Mana- saputras, aqueles que se encarnaram nos homens.

Em cada plano que eles alcançam, são chamados por nomes diferentes, (há uma contínua diferenciação de sua subs- tância homogênea original; nós a chamamos substância, embora, em realidade, não seja nenhuma substância que possamos conceber). Mais tarde, se transformam em Rūpas, formas etéreas.

P. 17) Então os Ah-hi deste Manvantara...?        R. 17) Já não existem; há muito tempo se conver- teram em Egos Planetários Solares, Lunares e, por últi- mo, em Egos reencarnantes, porque, como se disse, “Eles são as hostes coletivas de seres espirituais”.

P. 18) Mas antes foi dito que os Ah-hi não se con- vertem em homens neste Manvantara.

R. 18) Não o fazem como “Ah-hi” sem forma.

Mas o fazem como transformações de si mesmos.

Os Man- vantaras não devem ser confundidos.

O ciclo manvatá- rico de quinze cifras aplica-se ao Sistema Solar; mas há um Manvantara que corresponde à totalidade do Uni- verso objetivo, o Pai-Mãe, e também muitos Manvanta- ras menores.

Em geral, os slokas que foram selecionados relacionam-se com o Manvantara menor (de quinze ci- fras) e foram dados apenas dois ou três (slokas) relacio- nados ao Manvantara maior.

Portanto, muitos slokas foram omitidos por causa de sua difícil natureza.

P. 19) Então, os homens de um Manvantara, ao redespertarem no Manvantara seguinte, terão que pas- sar por um estado correspondente à etapa de Ah-hi?        R. 19) Em alguns dos Manvantaras, “a cauda está na boca da serpente”. Meditem sobre este simbolis- mo.        P. 20) Um homem pode escolher aquilo em que vai pensar.

Pode esta analogia ser aplicada aos Ah-hi?        R. 20) Não; porque o homem tem livre-arbítrio e os Ah-hi não.

Eles estão obrigados a atuar simultane- amente, porque a Lei sob a qual devem atuar lhes dá o impulso.

O livre-arbítrio só pode existir em um Homem que tenha mente e consciência, as quais atuam e o fazem perceber as coisas no interior e no exterior de si mesmos.

Os “Ah-hi” são Forças, não seres humanos.

P. 21) Mas eles não são agentes conscientes no trabalho?        R. 21) São conscientes enquanto atuam dentro da consciência universal.

Mas a consciência de um Māna- sa-Putra no terceiro plano é muito diferente.

É somente então que se tornam Pensadores.

Ademais, o Ocultismo, diferentemente da ciência moderna, sustenta que todo átomo de matéria, uma vez diferenciado, torna-se dota- do de sua própria classe de Consciência.

Cada célula do corpo humano (como em todo animal) está dotada de sua própria faculdade de discriminação, instinto, e, rela- tivamente falando, de inteligência.

P. 22) Pode-se dizer que os Ah-hi desfrutam de bem-aventurança?      R.22) Como podem estar sujeitos à bem-aventu-

rança e à não bem-aventurança? A bem-aventurança só pode ser apreciada, e se converter em tal, quando o sofri- mento é conhecido.

P. 23) Mas há uma diferença entre felicidade e bem-aventurança.

R. 23) Embora possa haver diferença, no entanto, não há nem felicidade nem bem-aventurança sem uma prévia experiência contrastante de sofrimento e dor.

P. 24) Mas entendemos que se pretendeu fazer referência àquela bem-aventurança, como o estado do Absoluto.

R. 24) Isso é ainda mais ilógico.

Como se pode dizer que o ABSOLUTO sente? O Absoluto não pode ter nem condicionamento nem atributo.

Somente aquilo que é finito e diferenciado pode ter algum tipo de sentimento ou de atitude que se lhe possa atribuir.

P. 25) Então não se pode dizer que os Ah-hi são consciências inteligentes, já que a consciência deles é tão complexa?        R. 25) Talvez o termo seja errôneo, mas devido à pobreza das línguas europeias, parece não haver outra escolha.

P. 26) Mas talvez uma frase representasse a ideia mais corretamente? O termo parece significar uma força que é uma unidade, não uma ação e reação complexa de várias forças que estariam implicadas na palavra “inteligência”. O aspecto numenal da força fe- nomenal talvez expressasse melhor a ideia.

R. 26) Ou talvez pudéssemos representar a ideia como uma chama, uma unidade; os raios desta chama seriam complexos, atuando cada um em sua própria li- nha reta.

P. 27) Mas somente se tornam complexos quan- do encontram receptáculos nas formas inferiores.

R. 27) Exatamente; entretanto os Ah-hi são a chama da qual saem os raios, diferenciando-se cada vez mais à medida que vão caindo mais profundamente na matéria, até que finalmente chegam a este nosso mundo, com seus milhões de habitantes e seres sencientes14, e aí sim, tornam-se verdadeiramente complexos.

P. 28) Considerados então como uma essência primária, os Ah-hi seriam uma unidade? Podemos con- siderá-los assim?        R. 28) Vocês podem; mas a estrita verdade é que eles somente procedem da Unidade, e são os primeiros de seus sete raios.

P. 29) Podemos então chamá-los de o reflexo da unidade?         R. 29) Os raios do espectro solar não são funda- mentalmente um só raio branco? De um se converte em três; dos três, sete; e destes sete primários surge uma in- finidade.

Voltando à assim chamada “consciência” dos Ah-hi, essa consciência não pode ser julgada pelo padrão das percepções humanas.

Está num plano completamen- te diferente.

No original em inglês: sensual beings.

(Nota do trad.)        P. 30) “Durante o sono profundo, a mente não está no plano físico”; pode-se inferir, portanto, que du- rante esse período a mente está ativa em outro plano? Existe alguma definição das características que distin- guem a mente em estado de vigília da mente durante o sono do corpo?        R. 30) Existe, naturalmente, mas não creio que uma discussão acerca disso seja pertinente ou útil agora; basta dizer que, com frequência, a faculdade de raciocí- nio da mente superior pode estar adormecida, e a mente instintiva plenamente desperta.

É a distinção fisiológica entre o cérebro e o cerebelo; um dorme e o outro está desperto.

P. 31) O que se entende por mente instintiva?         R. 31) A mente instintiva se expressa através do cerebelo e é também a mente dos animais.

No homem, durante o sono, cessam as funções do cérebro e o cere- belo o leva ao Plano Astral, um estado ainda mais irreal que o plano de ilusão de vigília; porque assim chamamos a este estado que a maioria de vocês considera tão real.

E o Plano Astral é ainda mais ilusório, porque reflete sem discriminação o mal e o bem e é muito caótico.

P. 32) As condições fundamentais da mente no estado de vigília são tempo e espaço: estes existem para a mente (Manas) durante o sono do corpo físico?        R. 32) Não como nós os conhecemos.

Ademais, a resposta depende do Manas a que você se refira, o su- perior ou o inferior.

Somente o último é que é suscetível a alucinações do espaço e do tempo; por exemplo: um homem em estado de sonho pode viver em uns poucos segundos os acontecimentos de toda uma vida, porque

para as percepções e as compreensões do Ego Superior não existe nem espaço nem tempo.

P. 33) Foi-nos dito que Manas é o veículo de Buddhi, mas se fala da mente universal como de Maha- -Buddhi.

Qual é então a diferença entre os termos Manas e Buddhi, empregados em um sentido universal, e Manas e Buddhi manifestados no homem?        R. 33) Buddhi Cósmico, a emanação da Alma Espiritual, Alaya, é o veículo de Mahat apenas quando esse Buddhi corresponde a Prakriti.

Então é chamado Maha-Buddhi.

Este Buddhi se diferencia através de sete planos, enquanto que Buddhi no homem é o veículo de Ātman, veículo que é da essência do plano mais elevado do Akāsha e, portanto, não se diferencia.

A diferença en- tre Manas e Buddhi no homem é a mesma que a diferen- ça entre os Mānasa-Putra e os Ah-hi no Cosmos.

P. 34) Manas é mente e foi dito que os Ah-hi não podem ter Mente individual ou aquilo que nós chama- mos mente, neste plano, mais do que Buddhi pode ter.

Pode haver Consciência sem Mente?        R. 34) Não neste plano de matéria.

Mas por que não em algum outro plano superior? Uma vez que suge- rimos uma Mente Universal, tanto o cérebro, veículo da mente, como a Consciência, sua faculdade, em um pla- no mais elevado, devem ser muito diferentes do que são aqui.

Estão mais próximos do TODO Absoluto, e, portan- to, devem estar representados por uma substância infini- tamente mais homogênea; algo sui generis e totalmente fora do alcance de nossas percepções intelectuais.

Pode- mos chamá-lo ou imaginá-lo como um estado incipiente e incognoscível de diferenciação primordial.

Nesse plano

mais elevado, ao que me parece, Mahat, o grande Prin- cípio Manvantárico de Inteligência, atua como um Cé- rebro, por meio do qual a Mente Universal e Eterna irra- dia os Ah-hi, representando a resultante consciência ou ideação.

À medida que a sombra deste triângulo primor- dial cai mais e mais através dos planos descendentes, em cada etapa torna-se mais material.

P. 35) E se converte no plano no qual a Consci- ência percebe as manifestações objetivas.

Não é assim?         R. 35) Sim.

Mas aqui nos defrontamos com o grande problema da Consciência, e temos que combater o Materialismo.

Pois o que é a Consciência? De acordo com a ciência moderna é uma faculdade da Mente, como a vontade.

Também nós dizemos o mesmo; mas acres- centamos que enquanto a Consciência não é uma coisa per se, a Mente, pelo contrário, em suas funções Manvan- táricas, pelo menos, é uma Entidade.

Tal é a opinião de todos os idealistas do Oriente.

P. 36) Entretanto, está na moda hoje em dia fa- lar depreciativamente da ideia de que a mente é uma entidade.

R. 36) Não obstante, mente é um perfeito termo sinônimo de Alma.

Aqueles que negam a existência desta última, naturalmente discutirão que não existe uma coi- sa tal como a consciência separada do cérebro e que com a morte a consciência cessa.

Os ocultistas, pelo contrário, afirmam que existe consciência depois da morte e que somente então começa a verdadeira consciência e a liber- dade do Ego, quando ele então não está mais impedido pela matéria terrestre.

P. 37) Talvez o enfoque anterior surja ao se limi- tar o termo “consciência” à faculdade de percepção?         R. 37) Se for assim, o Ocultismo se opõe inteira- mente à semelhante visão.

Sloka (4) AS SETE SENDAS PARA A FELI- CIDADE (MOKSHA OU NIRVĀNA) NÃO EXISTIAM (VER: A VOZ DO SILÊNCIO15, FRAGMENTO III, OS SETE PORTAIS). AS GRANDES CAUSAS DA MISÉRIA (NIDĀNA E MĀYĀ), NÃO EXISTIAM, PORQUE NÃO HAVIA NINGUÉM QUE AS PRODUZISSE E FOSSE ENGANADO POR ELAS.

P. 1) Quais são as sete sendas para a bem-aven- turança?        R. 1) São certas faculdades sobre as quais o estu- dante conhecerá mais, quando se aprofundar no Ocultis- mo.

P. 2) São as Quatro Verdades da Escola Hīnayāna, as mesmas que Sir Edwin Arnold menciona em “A Luz da Ásia16”; sendo a primeira delas, a senda do Sofrimen- to; a segunda, a causa do Sofrimento; a terceira, a ces- sação do Sofrimento, e a quarta, a SENDA?        R. 2) Tudo isso é teológico e exotérico; e se en- contra em todas as escrituras budistas; e o menciona- do acima parece ter sido tomado do Budismo do Ceilão [atual Sri Lanka] ou do Sul.

Entretanto, o tema está tra- tado de uma maneira mais completa na Escola Āryasan- gha (a Filosofia em que está baseada A Voz do Silêncio). Mesmo ali as quatro verdades têm um significado para o        Editora Teosófica, Brasília, 2018. (N.E.)        Editora Teosófica, Brasília, 2011. (N. E.)

sacerdote regular de manto amarelo, e outro totalmente diferente para os verdadeiros místicos.

P. 3) Nidāna e Māyā (as grandes causas da misé- ria) são aspectos do Absoluto?         R. 3) Nidāna significa a concatenação de causa e efeito; os doze Nidānas são a enumeração ou os efeitos mais severos sob a lei kármica.

Apesar de não haver co- nexão entre os termos Nidāna e Māyā por si mesmos, no entanto, se considerarmos o Universo como Māyā ou Ilu- são, então certamente os Nidānas, como agentes morais no Universo, estão incluídos em Māyā. É Māyā, ilusão ou ignorância, que desperta os Nidānas; e havendo-se produzido a causa ou as causas, seguem-se os efeitos, de acordo com a lei kármica.

Para citar um exemplo: todos nós nos consideramos como Unidades, embora em es- sência sejamos uma Unidade indivisível, gotas no oceano do Ser, que não se distinguem uma da outra.

Havendo-se então produzido esta causa, a totalidade das discórdias da vida segue-se como um efeito; em realidade, este é o esforço da Natureza para restabelecer a harmonia e man- ter o equilíbrio.

Neste sentido de separatividade está a raiz de todo mal.

P. 4) Talvez fosse melhor separar os termos, e estabelecer se Māyā é um aspecto do Absoluto?        R. 4) Dificilmente poderia sê-lo, posto que Māyā é a Causa, e ao mesmo tempo um aspecto de diferen- ciação; além disso, o Absoluto não pode jamais diferen- ciar-se. Māyā é uma manifestação; o Absoluto não pode nunca ter manifestação, mas somente um reflexo, uma sombra que se irradia periodicamente dele, não por meio dele.

P. 5) Entretanto, se diz que Māyā é a causa da manifestação ou diferenciação?        R. 5) E o que tem isso de particular? Certamente se não houvesse Māyā não haveria diferenciação, ou me- lhor, não se perceberia nenhum Universo objetivo.

Mas isso não faz dela um aspecto do Absoluto, mas simples- mente algo contemporâneo e coexistente com o Univer- so manifestado, ou a heterogênea diferenciação na pura homogeneidade.

P. 6) Pela mesma razão, então, se não há dife- renciação, não há Māyā? Mas aqui estamos falando de Māyā como A CAUSA do Universo, de modo que quan- do deixamos para trás a diferenciação, poderíamos nos perguntar: “Onde está Māyā ”?        R. 6) Māyā está em todas as partes, e em tudo o que tem começo e fim; por conseguinte, cada coisa é um aspecto daquilo que é eterno, e nesse sentido, natural- mente, Māyā mesmo é um aspecto de SAT, ou daquilo que é eternamente presente no Universo, seja durante o Manvantara ou no Maha-Pralaya.

Mas lembrem-se de que foi dito que mesmo o Nirvāna é apenas Māyā, com- parado com o Absoluto.

P. 7) Então Māyā é um termo coletivo para to- das as manifestações?         R. 7) Não creio que isso explicaria o termo Māyā, que é a faculdade perceptiva de todo Ego que conside- ra a si mesmo uma Unidade separada, e independente, do eterno SAT ou “Seidade”. Na filosofia exotérica e nos Purānas, Māyā se explica como a ativa vontade perso-

nificada do Deus Criador – este último sendo ele pró- prio uma Māyā personificada – uma passageira ilusão dos sentidos do homem, que desde o começo mesmo de suas especulações empreendeu a antropomorfização das puras abstrações.

Māyā, segundo a concepção do hindu ortodoxo, é muito distinta de Māyā para um idealista ve- dantino ou um ocultista.

A Vedanta declara que Māyā, ou a enganadora influência da ilusão, só constitui a cren- ça na real existência da matéria ou de qualquer coisa di- ferenciada.

O Bhāgavata-Purāna identifica Māyā com Prakriti (natureza e matéria manifestadas). O mesmo não é dito por alguns metafísicos europeus avançados, tais como Kant, Schopenhauer e outros? Naturalmen- te, eles tomaram suas ideias do Oriente, (especialmente do Budismo; entretanto, a doutrina da irrealidade deste Universo foi desenvolvida de forma bastante correta por nossos filósofos), em linhas gerais.

Agora, apesar de não existirem duas pessoas que possam ver as coisas e os ob- jetos exatamente da mesma maneira, e de cada um de nós vê-las do seu modo, no entanto, todos estamos sujei- tos mais ou menos a ilusões, e em especial à Grande Ilu- são (Māyā) de que, como personalidades, somos seres distintos dos outros seres, e que mesmo nossos Eus ou Egos seguirão como tais na eternidade (ou, de qualquer maneira, na sempiternidade; enquanto que não somente nós, mas também todo o Universo visível e invisível, so- mos apenas partes transitórias do TODO UNO sem prin- cípio nem fim, ou d’Aquilo que sempre foi, é e será.

P. 8) O termo parece aplicar-se aos complexos pontos de diferenciação: aplicando-se diferenciação à

unidade e Māyā ao conjunto de unidades.

Mas aqui po- demos colocar uma questão lateral.

Com relação à parte anterior da discussão, foi feita referência ao cérebro e ao cerebelo, e este último foi descrito como o órgão instintivo.

Supõe-se que um animal tem uma mente instintiva; porém se diz que o cerebelo é simplesmente o órgão da vida vegetativa, e que apenas controla as funções corporais; enquanto que a mente sensória é a mente na qual se abrem os sen- tidos, e não pode haver pensamento nem ideação, nada que indique intelecto ou instinto, a não ser por parte da atuação da mente designada para tais funções, ou seja, o cérebro.

R. 8) Seja como for, este cerebelo é o órgão das funções instintivas animais, as que refletem ou produ- zem sonhos caóticos ou incoerentes em sua maior parte.

Contudo, os sonhos que são recordados e que apresen- tam uma sequência de eventos se devem à visão do Ego superior.

P. 9) Não é o cerebelo aquilo que poderíamos chamar o órgão do hábito?       R. 9) Sendo instintivo, creio que poderia muito bem chamar-se assim.

P. 10) Exceto que podemos nos referir ao hábito como aquilo que poderíamos chamar o estado atual de existência, e falar do instinto como de uma etapa passa- da.        R. 10) Qualquer que seja o nome que se lhe dê, somente o cerebelo funciona quando se dorme, não o cé-

rebro, e os sonhos, emanações ou sentimentos instinti- vos que experimentamos em vigília são o resultado de sua atividade.

P. 11) A sequência – encadeamento lógico – sur- ge inteiramente da faculdade coordenadora.

Mas segu- ramente também o cérebro atua; uma prova disso é que quanto mais nos aproximamos do momento do desper- tar, mais vívidos se tornam nossos sonhos.

R. 11) Assim é; quando você está despertando, mas não antes.

Podemos comparar esse estado do cere- belo a uma barra de metal, ou algo da mesma natureza, que foi aquecido durante o dia e emana ou irradia calor durante a noite; da mesma maneira, a energia do cérebro se irradia inconscientemente durante a noite.

P. 12) Entretanto, não podemos dizer que o cére- bro seja incapaz de registrar impressões durante o so- nho.

Um homem dormindo pode ser despertado por um ruído e, quando desperta, com frequência será capaz de reconstruir seu sonho até a impressão causada pelo ru- ído.

Este fato parece provar, de forma concludente, a existência da atividade cerebral durante o sono.

R. 12) Uma atividade mecânica, certamente; se sob tais circunstâncias existe a mais leve percepção, ou o mínimo lampejo do estado de sonho, a memória entra em jogo e o sonho pode ser reconstruído.

Falando de so- nhos, o estado de sonho que está passando para a vigília foi comparado com as brasas de um fogo em extinção; podemos muito bem continuar com a analogia e compa- rar a entrada em ação da memória com uma corrente de

ar que as reativa.

Ou seja, que a consciência ao despertar faz retornar a atividade ao cerebelo, que estava declinan- do sob o limiar da consciência.

P. 13) Mas o cerebelo deixa de funcionar alguma vez?        R. 13) Não; mas se perde nas funções do cérebro.

P. 14) Isso quer dizer que os estímulos que proce- dem do cerebelo durante a vida em vigília caem abaixo do limiar da consciência de vigília, o campo da consci- ência sendo inteiramente ocupado pelo cérebro, e isso continua até que sobrevém o sono, quando os estímulos do cerebelo começam a formar o campo de consciência.

Portanto, não é correto dizer que o cérebro seja a única sede da consciência.

R. 14) Assim é; a função do cérebro é a de polir, aperfeiçoar, ou coordenar as ideias, enquanto que a do cerebelo é de produzir desejos conscientes, e assim por diante.

P. 15) Evidentemente, temos que ampliar nossa ideia de consciência.

Por exemplo, não há nenhum moti- vo pelo qual uma planta sensitiva não possa ter consci- ência.

Du Prel, em seu livro Philosophie der Mystik cita algumas experiências muito curiosas que mostram um tipo de consciência local, talvez uma classe de conexão reflexa.

Ele vai ainda mais longe, demonstrando, a par- tir de um grande número de casos bem documentados – tais como os de clarividentes que podem perceber com a boca do estômago – que o limiar da consciência é capaz

de se estender de maneira ampla muito mais do que es- tamos acostumados a pensar, tanto para cima quanto para baixo.

R. 15) Podemos nos congratular com as experi- ências de Du Prel, como um antídoto contra as teorias do prof.

Huxley, que são absolutamente irreconciliáveis com os ensinamentos do Ocultismo.

(Reunião realizada na Rua Lansdowne, Nº 17, Londres, W., em 24 de janeiro de 1889, sob a presidência do Sr. T. B. Harbottle.)

ESTÂNCIA I [continuação]

Sloka (5) SOMENTE TREVAS PREENCHIAM O TODO SEM LIMITES, POIS PAI, MÃE E FILHO ERAM MAIS UMA VEZ UM, E O FILHO NÃO HAVIA DESPERTADO AINDA PARA A NOVA RODA E SUA PEREGRINAÇÃO NELA.

P. 1) São as “Trevas” o mesmo que o “Eterno Pai Espaço” do qual se fala no Sloka 1 ?         R. 1) De modo algum.

Aqui o “todo sem limites” é o “Pai-Espaço” ; e o Espaço Cósmico é algo já com atribu- tos, pelo menos potencialmente.

As “Trevas”, pelo con- trário, e nesse caso, é aquilo sobre o qual não se pode postular nenhum atributo: é o Princípio Desconhecido preenchendo o Espaço Cósmico.

P. 2) Então, Trevas está usado no sentido de polo oposto à Luz?        R. 2) Sim, no sentido do Imanifestado e o Des- conhecido como polo oposto da manifestação, e daquilo sobre o qual não se pode especular.

P. 3) Então, as Trevas não são opostas à Luz, mas à diferenciação, ou melhor, não podem ser consi- deradas como um símbolo da Negatividade?

R. 3) As “Trevas” que queremos dizer aqui não podem se opor nem à Luz nem à Manifestação, já que ambas são os legítimos efeitos da evolução Manvantári- ca, o ciclo de Atividade.

São as “Trevas sobre a Face do Abismo” do Gênesis: o Abismo sendo aqui “o filho bri- lhante do Pai Obscuro” (o Espaço).

P. 4) Significa que não existe Luz, ou simples- mente não há nada para manifestá-la e ninguém para percebê-la?        R. 4) Ambas as coisas.

Em sentido objetivo, tanto a luz como as trevas são ilusões, (Māyā); neste caso não se trata de Trevas como ausência de Luz, mas como um Princípio primordial incompreensível que, sendo o pró- prio Absoluto, não tem forma para nossas percepções in- telectuais, nem cor, nem substancialidade, nem nenhu- ma outra coisa que possa expressar-se com palavras.

P. 5) Quando surge a Luz dessas Trevas?       R. 5) Posteriormente, quando chega a primeira hora de manifestação.

P. 6) Então, a Luz é a primeira manifestação?        R. 6) É, depois de começar a diferenciação e so- mente na terceira etapa da evolução.

Tenham em mente que em filosofia usamos o termo “luz” num sentido dual: um, para significar a luz eterna, absoluta, in potentia, sempre presente no seio das Trevas desconhecidas, ou, em outras palavras, idêntica com estas; e o outro, como uma Manifestação da heterogeneidade e como contraste para esta.

Quem ler o Vishnu-Purāna, por exemplo, en-

tendendo-o, encontrará a diferença entre os termos bem expressados em Vishnu: um com Brahmā e, no entanto, distinto dele.

Ali, Vishnu é o eterno X, e ao mesmo tempo é cada termo da equação.

Ele é Brahmā, essencialmente matéria e espírito, que são os dois aspectos primordiais de Brahmā, o Espírito sendo Luz abstrata17. Nos Vedas, entretanto, encontramos Vishnu considerado em pouca estima, e nenhuma referência é feita a Brahmā (o mas- culino).

P. 7) Qual é o significado da frase “Pai, Mãe e Filho eram uma vez mais um”?   No segundo capítulo dos Vishnu-Purāna (tradução de Horace Hayman Wilson, lemos:         “Parāsarā disse: “Glória ao inalterável, santo, eterno, supre- mo Vishnu, de natureza universal, o onipotente: a ele, que é Hiranyagarbha, Hari, e Sankara, o criador, preservador e destrui- dor do mundo; a Vāsudeva, o libertador de seus adoradores; a ele, cuja essência é ao mesmo tempo simples e múltipla; que é sutil e corpóreo, indiferente e discreto; a Vishnu, causa final de toda eman- cipação.

Glória ao supremo Vishnu, causa da criação, existência, e fim deste mundo; que é a raiz do mundo, e que consiste do mundo.”         E novamente: “Quem pode descrever aquele que não pode ser apreendido pelos sentidos: que é o melhor de todas as coisas; a Alma Suprema, que existe por si mesma; que não tem nenhuma das características que distinguem a forma, casta ou semelhante; que não tem nascimento, vicissitudes, nem morte nem decadência: que é sempre, e sozinho: que está em todas as partes e no qual todas as coisas aqui existem; e que, portanto, é chamado Vāsudeva? Ele é Brahman (neutro), supremo, senhor, não nascido, imperecível, que não decai; de uma só essência; sempre puro, assim como livre de defeitos.

Ele, esse Brahman, foi (é), todas as coisas; compreendendo em sua própria natureza o indiscreto e o discreto.”         (Este tema é tratado no Livro I, cap.

II, dos Vishnu-Purāna, e pode-se encontrar nas páginas 13-15, e 17-18 da tradução de Horace Hayman Wilson).

R. 7) Significa que os Logoi, o “Pai” não mani- festado, a “Mãe” semi manifestada, e o Universo, que é o terceiro Logos de nossa filosofia, Brahmā, durante o (periódico) Pralaya, eram mais uma vez; pois a essência diferenciada voltara a ser indiferenciada.

A frase, “Pai, Mãe e Filho” é o antítipo [protótipo] da forma cristã – Pai, Filho e Espírito Santo – o último dos quais sendo, entre os primeiros cristãos e gnósticos, a feminina “So- phia”. Significa que todas as forças criadoras e sensitivas, e seus efeitos, os quais constituem o Universo, haviam retornado a seu estado primordial; tudo havia se fundi- do em um. Durante os Mahapralayas não existe nada, a não ser o Absoluto.

P. 8) Quais são os diferentes significados de Pai, Mãe e Filho? No Comentário, eles são explicados como (a) Espírito, Substância e Universo; (b) Espírito, Alma e Corpo; (c) Universo, Cadeia Planetária e Homem.

R. 8) Acabei de completar isto com minha defini- ção extra, que creio ser clara.

Não há nada que acrescen- tar a esta explicação, a menos que comecemos a antropo- morfizar os conceitos abstratos.

P. 9) Tomando os últimos termos das três séries, as ideias de Filho, Universo, Homem e Corpo, eles cor- respondem um ao outro?        R. 9) Naturalmente que sim.

P. 10) E cada um destes termos é produzido pelo par restante de termos de cada trindade; por exemplo, o Filho do Pai e da Mãe; os homens da Cadeia e do Uni- verso, etc., e finalmente no Pralaya o filho se funde nova- mente com seus pais?

R. 10) Antes de a pergunta ser respondida, você deve recordar que não se está falando do período que pre- cede a assim chamada Criação; mas apenas de quando a matéria havia começado a diferenciar-se, e não havia assumido ainda nenhuma forma.

Pai-Mãe é um termo composto que representa a Substância Primordial ou Es- pírito-Matéria.

Quando, através da diferenciação começa a transitar da Homogeneidade para a Heterogeneidade, transforma-se em positiva e negativa; desse modo, do “estado-Zero” (ou Laya) converte-se em ativa e passiva, em vez de somente nesta última; e como consequência desta diferenciação (cuja resultante é a evolução e o sub- sequente Universo ) o “Filho” é produzido, sendo este “Filho” o mesmo Universo, ou Cosmos manifestado, até um novo Mahāpralaya.

P. 11) Ou – o estado derradeiro em Laya ou no ponto zero, como no princípio, antes do estado de Pai, Mãe e Filho?        R. 11) Em A Doutrina Secreta se faz somente uma leve referência àquilo que havia antes do período de Pai-Mãe.

Se existe Pai-Mãe, naturalmente não pode haver uma condição como Laya.

P. 12) Portanto, Pai, Mãe são uma condição pos- terior à de Laya?        R. 12) Exatamente; os objetos individuais podem estar em Laya, mas não o Universo quando aparece o Pai-Mãe.

P. 13) É Fohat um dos três: Pai, Mãe e Filho?       R. 13) Fohat é um termo genérico e é usado em muitos sentidos.

É a luz (Daiviprakriti) dos três Logoi,

os símbolos personificados das três etapas espirituais, de Evolução.

Fohat é o agregado de todas as ideações cria- tivas espirituais acima, e de todas as forças criativas e eletrodinâmicas abaixo, no Céu e na Terra.

Parece ha- ver uma grande confusão e mal-entendido com relação ao Primeiro e Segundo Logos.

O primeiro é a já presen- te e todavia ainda não manifestada potencialidade, no seio do Pai-Mãe; o Segundo é a abstrata coletividade de criadores chamada pelos gregos de “Demiurgos”, ou os “Construtores” do Universo.

O terceiro Logos é a dife- renciação final do Segundo e a individualização das For- ças Cósmicas, das quais Fohat é o chefe; porque Fohat é a síntese dos Sete Raios Criadores ou Dhyan-Chohans que procedem do terceiro Logos.

P. 14) Durante o Manvantara, quando o Filho está em manifestação ou está desperto, o Pai-Mãe exis- te independentemente ou apenas como manifestado no Filho?        R. 14) Ao usarmos os termos Pai, Mãe e Filho, de- veríamos nos precaver para evitarmos antropomorfizar o conceito; os dois primeiros são simplesmente as forças centrífuga e centrípeta e seu produto é o “Filho”; além do mais, é impossível excluir um ou outro destes fatores da concepção da Filosofia Esotérica.

P. 15) Se é assim, então surge esta outra ques- tão: é possível conceber as forças centrífuga e centrípe- ta como forças que existem independentemente dos efei- tos que produzem.

Os efeitos são considerados sempre como secundários à causa ou causas.

R. 15) Porém é muito duvidoso se essa concepção pode se sustentar ou aplicar-se à nossa simbologia; se es- tas forças existem, devem produzir efeitos, e se os efeitos cessam, as forças cessam com eles, mas quem pode co- nhecê-las?

P. 16) Mas elas existem como entidades separa- das para fins matemáticos, não existem?        R. 16) Isso é algo diferente; existe uma grande di- ferença entre a natureza e a ciência, a realidade e o sim- bolismo filosófico.

Pela mesma razão dividimos o homem em sete princípios, mas isso não significa que ele tenha, digamos assim, sete peles ou entidades ou almas.

Estes princípios são todos aspectos de um único princípio, e mesmo este princípio não é senão um raio temporal e periódico da Chama ou Fogo Uno, eterno e infinito.

Sloka (6) OS SETE SENHORES SUBLIMES E AS SETE VERDADES HAVIAM DEIXADO DE SER, E O UNIVERSO, O FILHO DA NECESSIDADE ESTAVA IMERSO EM PARANISHPANNA (a perfeição absolu- ta, Paranirvāna, que é Yong-Grüb) PARA SER EXAL- TADO POR AQUILO QUE É E NO ENTANTO NÃO É. NADA EXISTIA.

Sloka (7) AS CAUSAS DA EXISTÊNCIA HA- VIAM SIDO SUPRIMIDAS; O VISÍVEL QUE FOI E O INVISÍVEL QUE É REPOUSAVAM NO ETERNO NÃO SER, O ÚNICO SER.

P. 1) Se as “Causas da Existência” haviam sido suprimidas, como voltaram outra vez à existência? Nos

Comentários, é dito que a causa principal da existência é “o desejo de existir”, mas neste sloka, o Universo é cha- mado “filho da necessidade”.        R. 1) A frase “as causas da existência haviam sido suprimidas” refere-se ao último Manvantara ou idade de Brahmā; mas a causa que faz girar a Roda do Tempo e do Espaço na Eternidade, a qual está fora do Tempo e do Espaço, nada tem a ver com as causas finitas ou o que chamamos Nidānas.

A mim me parece que não há con- tradição nas afirmações.

P. 2) Há certamente um contraste.

Se as causas da existência haviam sido suprimidas, como retorna- ram à existência? A resposta resolve a dificuldade, por- que se declara que um Manvantara desapareceu em Pra- laya, e que a causa que levou à existência o Manvantara anterior agora está além dos limites de Tempo e Espa- ço, e, portanto, faz com que outro Manvantara venha à existência.

R. 2) Assim é. Esta causa una e eterna e, portanto, “causa sem causa”, é imutável e não tem nada a ver com as causas de nenhum dos planos que concernem aos se- res finitos e condicionados.

Portanto, de nenhum modo pode implicar uma consciência finita ou um desejo.

É um absurdo postular desejo ou necessidade do Absoluto; o som de um relógio não sugere que o relógio tenha desejo de soar.

P. 3) Mas o relógio tem cordas e necessita de al- guém que lhe dê corda.

R. 3) O mesmo pode ser dito do Universo e de sua causa, o Absoluto, pois, por ser Absoluto contém tanto o

relógio como aquele que lhe dá corda; a única diferença é que ao primeiro se dá corda no Espaço e no Tempo, e ao último fora do Tempo e do Espaço, ou seja, na Eternidade.

P. 4) A questão, em realidade, requer uma expli- cação da causa da diferenciação dentro do Absoluto.

R. 4) Isso está fora das fronteiras da especulação legítima.

Parabrahman não é uma causa, nem existe uma causa que possa obrigá-lo a emanar ou a criar-se. Estritamente falando, Parabrahman não é nem mesmo o Absoluto, mas a Absolutividade.

Parabrahman não é a causa, mas a causalidade, ou o poder propulsor, não o volitivo, em toda Causa que se manifesta.

Podemos ter uma ideia confusa de que existe algo assim como esta eterna Causa sem Causa ou Causalidade.

Mas é impossí- vel defini-la. Em “Conferências sobre a Bhagavad-Gitā”, do Sr. Subba Row, é dito que logicamente, nem mesmo o Primeiro Logos pode conhecer a Parabrahman, mas apenas a Mūlaprakriti, seu véu.

Portanto, se não temos nem mesmo uma clara ideia de Mūlaprakriti, o primeiro aspecto básico de Parabrahman, o que podemos saber do Todo Supremo, que está velado por Mūlaprakriti (a raiz da Natureza ou Prakriti), mesmo para o Logos?

P. 5) Qual é o significado da expressão no sloka 7, “o visível que foi, e o invisível que é”?         R. 5) “O visível que foi” refere-se ao Universo do Manvantara passado, que passara para a Eternidade e não mais existia.

“O invisível que é” significa a deidade eterna, sempre presente e invisível, à qual damos muitos nomes, tais como Espaço abstrato, Sat Absoluto, etc., e da qual em realidade nada conhecemos.

Sloka (8) A FORMA UNA DE EXISTÊNCIA, SEM LIMITES, IINFINITA, SEM CAUSA, PERMANE- CIA SOZINHA, EM UM SONO SEM SONHOS; E A VIDA PULSAVA INCONSCIÊNTE NO ESPAÇO UNIVERSAL, EM TODA A EXTENSÃO DAQUELA ONIPRESENÇA QUE O OLHO ABERTO DE DANGMA PERCEBE.

P. 1) O “Olho” se abre para o Absoluto, ou “a for- ma una de existência” e a “Onipresença” são distintas do Absoluto ou são nomes diferentes do mesmo Princípio?        R. 1) Tudo é um, naturalmente; são simplesmen- te expressões metafóricas.

Por favor, observe que não se diz que o “Olho” vê”; mas que apenas “percebe” a “Oni- presença”.

P. 2) Então, é através deste “Olho” que recebe- mos tal percepção, ou sensação, ou consciência?        R. 2) É através desse “Olho”, com certeza; mas então é necessário ter esse “Olho” antes de poder ver, ou converter-se em um Dangma ou Vidente.

P. 3) A mais elevada faculdade espiritual, presu- mivelmente?        R. 3) Muito bem; mas onde estava, naquela eta- pa, seu feliz possuidor? Não havia Dangma para perce- ber a “Onipresença”, porque ainda não havia homens.

P. 4) Com referência ao sloka 6, é dito que a cau- sa da Luz foram as Trevas.

R. 4) Aqui novamente a palavra Trevas deve ser lida num sentido metafórico.

São Trevas, sem nenhuma dúvida para nosso intelecto, porque não podemos saber

nada delas.

Já lhe disse que nem Trevas nem Luz devem ser usadas no sentido de opostos, como no mundo di- ferenciado.

Trevas é o termo que dará lugar a mínimas confusões.

Por exemplo, se fosse usado o termo “Caos”, facilmente seria confundido com a matéria caótica.

P. 5) O termo luz, naturalmente, nunca foi usado para indicar a luz física?       R. 5) Naturalmente que não.

Aqui luz é a primeira potencialidade despertando de sua condição Laya para converter-se em potência; é o primeiro estremecimento na matéria indiferenciada que a lança na objetividade e num plano a partir do qual começará a manifestação.

P. 6) Mais adiante, em “A Doutrina Secreta” se diz que a luz se faz visível por meio das trevas, ou me- lhor ainda, que as trevas existiam originalmente e que a luz é o resultado da presença de objetos que a refletem, ou seja, dos objetos do mundo objetivo.

Agora, vejamos um globo de água atravessando uma descarga elétrica; acharemos que esta descarga é invisível, a menos que na água haja partículas opacas, em cujo caso se verão pontinhos de luz.

Esta é uma boa analogia?         R. 6) É uma ilustração muito clara, creio.

P. 7) Não é a luz uma forma diferenciada de vi- bração?        R. 7) Assim nos diz a Ciência; e o Som o é tam- bém.

E deste modo vemos que os sentidos são, de certo modo, intercambiáveis.

Como você explicaria, por exem- plo, que um clarividente, em estado de transe, possa ler

uma carta colocada às vezes em sua fronte, na planta dos pés ou na boca do estômago?

P. 8) É um sentido adicional?        R. 8) De maneira nenhuma; é simplesmente que o sentido da visão pode ser intercambiado com o sentido do tato.

P. 9) Mas o sentido da percepção não é o começo do sexto sentido?        R.9) Isso é ir além do caso que estamos tratando, o qual é simplesmente um intercâmbio dos sentidos do tato e da visão.

Tais clarividentes, no entanto, não pode- rão dizer o conteúdo de uma carta que não tenham visto ou com a qual não tenham estado em contato; isto requer a prática do sexto sentido: o primeiro é um exercício dos sentidos no plano físico, e o último é o exercício de um sentido no plano superior.

P. 10) Segundo a fisiologia, parece muito prová- vel que todos os sentidos possam resolver-se no sentido do tato, que poderia ser chamado o sentido coordena- dor.

Chega-se a esta dedução a partir de investigações embriológicas, as quais mostram que o sentido do tato é o primeiro e fundamental sentido, e que todos os demais evolucionam dele.

Todos os sentidos, portanto, são for- mas de tato mais altamente especializadas ou diferen- ciadas.

R. 10) Este não é o ponto de vista da Filoso- fia Oriental; no Anugita, lemos uma conversação entre “Brahman” e sua esposa com relação aos sentidos, dos quais se diz que são sete, sendo os outros dois, segundo

o Sr. Tribak Telang, e segundo a tradução do prof.

Max Muller, “mente e compreensão”; entretanto, estes termos não transmitem o correto significado dos termos sânscri- tos.

Agora, o primeiro sentido, de acordo com os hindus, está relacionado com o som.

Este dificilmente pode ser o sentido do tato.

P. 11) Ao dizer tato muito provavelmente se quei- ra dizer sensibilidade, ou algum meio sensível?        R. 11) Na Filosofia Oriental, entretanto, manifes- ta-se primeiro o sentido do som, e em seguida o sentido da visão, os sons convertendo-se em cores.

Os clarividen- tes podem ver os sons e detectar cada nota e modulação muito mais distintamente do que através do ordinário sentido da vibração do som, ou audição.

P. 12) Então, o som é percebido como um tipo de movimento rítmico?       R. 12) Sim; e estas vibrações podem ser vistas à maior distância das que podem ser escutadas.

P. 13) Mas supondo que o ouvido físico deixasse de ouvir e que uma pessoa percebesse os sons de manei- ra clarividente; esta sensação não poderia ser traduzi- da em clariaudiência também?        R. 13) Certamente num certo ponto é possível que um sentido se funda no outro.

Deste modo também os sons podem ser traduzidos em gosto.

Existem sons que soam muito “ácidos” na boca de alguns sensitivos, enquanto que outros geram um gosto de doçura; de fato, toda a escala de sentidos é suscetível de correlação.

P. 14) Então, deve existir a mesma extensão para o sentido do olfato?        R. 14) É muito natural, como já demonstramos anteriormente.

Os sentidos são intercambiáveis, uma vez que admitamos sua correlação.

Ademais, todos podem ser modificados ou intensificados de modo muito consi- derável.

Agora você entenderá a referência nos Vedas e nos Upanishads, onde se diz que os sons são percebidos.

P. 15) No último número da “Harper’s Magazine” apareceu uma curiosa história de uma tribo que vive numa ilha dos Mares do Sul, que virtualmente perdeu o costume de falar.

Entretanto, pareciam compreender- se mutuamente e simplesmente ver o que cada um dos demais pensava.

R. 15) Tal “Palácio da Verdade” dificilmente se adaptaria à nossa sociedade moderna.

Entretanto, se diz que foi justamente por tais meios que as primeiras raças se comunicavam umas com as outras, o pensamento to- mando forma objetiva, antes que a fala se desenvolves- se em diferentes linguagens faladas.

Sendo assim, então deve ter havido um período durante a evolução das raças humanas no qual toda a humanidade estava composta de sensitivos e clarividentes.

Reunião realizada na Rua Lansdowne, nº 17, Londres, W., no dia 31 de janeiro de 1889, sob a presidência do Sr. T. B. Harbottle.

ESTÂNCIA I [continuação]

P. 1) Com referência ao sloka (6), onde se fala dos “Sete Senhores”, já que é possível surgir uma con- fusão com relação à correta aplicação dos termos, qual é a diferença entre Dhyan-Chohans, Espíritos Planetá- rios, Construtores e Dhyani-Buddhas?         R. 1) Como seriam necessários dois volumes adi- cionais de A Doutrina Secreta para explicar todas as Hierarquias, omitiu-se, portanto, das Estâncias e dos Comentários muito do que está relacionado com elas.

No entanto, podemos tentar uma breve definição.

Dhyan- -Chohan é um nome genérico para todos os Devas, ou Seres Celestiais.

Um Espírito Planetário é o governante de um planeta, uma espécie de deus finito ou pessoal.

Contudo, existe uma diferença marcante entre os Gover- nantes dos Planetas Sagrados e os Governantes de uma “pequena” cadeia de mundos como a nossa.

Não há uma objeção séria em se dizer que a Terra tem, entretanto, seis companheiros invisíveis e quatro planos diferentes, como todo outro planeta, porque a diferença entre eles é vital em muitos pontos.

Digam o que quiserem, nossa Terra nunca foi contada entre os sete planetas sagrados da antiguidade, embora, na astrologia exotérica popular, fosse o substituto de um planeta sagrado, agora perdi- do de vista pelos astrônomos, e, todavia, bem conhecido

para os especialistas Iniciados.

Tampouco o Sol e a Luz figuravam nesse número, embora aceitos na atualidade pela astrologia moderna; porque o Sol é uma Estrela Central, e a Lua, um planeta morto.

P. 2) Nenhum dos seis globos da cadeia “terres- tre” foi contado entre os planetas sagrados?         R. 2) Nenhum.

Estes últimos foram todos pla- netas em nosso plano, e alguns deles foram descobertos mais tarde.

P. 3) A senhora não poderia nos dizer algo dos planetas para os quais o Sol e a Lua foram os substitu- tos?        R. 3) Não há nenhum segredo nisso, embora nossa moderna astrologia ignore estes planetas.

Há um planeta intramercurial, que se supõe ter sido descoberto, e ao qual foi dado por antecipação o nome de Vulcano; e o outro, um planeta com um movimento retrógrado, às vezes visível em certas horas da noite e aparentemen- te próximo da Lua.

A influência oculta deste planeta é transmitida pela Lua.

P. 4) O que é que fez esses planetas serem consi- derados sagrados ou secretos?       R. 4) Sua influência oculta, até onde sei.

P. 5) Então, os Espíritos Planetários dos Sete Planetas Sagrados pertencem a uma Hierarquia dife- rente daquela da Terra?        R. 5) Evidentemente; já que o espírito terrestre     No original em inglês: the terrestrial spirit of the Earth.

(Nota do trad.)

é de um grau muito elevado.

Deve-se recordar que o es- pírito planetário nada tem a ver com o homem espiritual, mas com as coisas materiais e os seres cósmicos.

Os deu- ses e governantes de nossa Terra são Governantes cósmi- cos; ou seja, eles dão a forma e a estrutura à matéria cós- mica, motivo pelo qual foram chamados Cosmocratores.

Nunca tiveram algo a ver com o espírito; os Dhyani-Bu- ddhas, que pertencem a uma hierarquia totalmente dife- rente, estão especialmente relacionados com o espírito.

P. 6) Estes sete Espíritos Planetários, portanto, nada têm a ver em realidade com a Terra, exceto oca- sionalmente?         R. 6) Pelo contrário, os “Planetários” – que não são os Dhyani-Buddhas – têm tudo a ver com a Terra, física e moralmente.

São eles que governam seu destino e a sorte dos homens.

Eles são os agentes kármicos.

P. 7) Eles têm algo a ver com o quinto princípio, o Manas superior?         R. 7) Não; eles nada tem a ver com os três princí- pios superiores; no entanto, têm algo a ver com o quarto.

Então, recapitulando: o termo “Dhyan-Chohan” é um nome genérico para todos os seres celestiais.

Os “Dhya- ni-Buddhas” têm a ver com a tríade superior humana em uma forma misteriosa, que não há por que explicá-la aqui.

Os “Construtores” são uma classe chamada, como já expliquei, os Cosmocratores, ou os invisíveis mas inte- ligentes Maçons, que modelam a matéria de acordo com o plano ideal, preparado para eles no que chamamos Ideação Divina e Cósmica.

Os primeiros maçons deram

o nome de “O Grande Arquiteto do Universo” coletiva- mente, mas agora os modernos maçons fazem de seu G.A.D.U. uma Deidade pessoal e singular.

P. 8) Não são eles Espíritos Planetários tam- bém?      R. 8) Num sentido são, posto que a Terra é tam- bém um Planeta, mas de ordem inferior.

P. 9) Eles atuam sob a orientação do Espírito Planetário Terrestre?         R. 9) Acabei de dizer que coletivamente eles mes- mos eram esse Espírito.

Gostaria que compreendessem que eles não são uma Entidade, uma espécie de deus pes- soal, mas Forças da Natureza atuando sob uma Lei imu- tável, sobre cuja natureza é certamente inútil para nós especular.

P. 10) Mas não existem Construtores do Univer- so, e Construtores de Sistemas, como existem Constru- tores de nossa Terra?        R. 10) Certamente existem.

P. 11) Então, os Construtores terrestres são um “Espírito Planetário” como o restante deles, e somente de uma classe inferior?        R. 11) Eu diria que certamente é assim.

P. 12) São inferiores de acordo com o tamanho do Planeta ou são inferiores em qualidade?       R. 12) Inferiores em qualidade, como fomos en-

sinados.

Veja, os antigos não tinham nosso conceito mo- derno, especialmente o teológico, que faz desta nossa partícula de barro algo inefavelmente maior que qual- quer outro dos planetas e estrelas que conhecemos.

Se, por exemplo, a Filosofia Esotérica ensina que o “Espíri- to” (de novo coletivamente) de Júpiter é muito superior ao Espírito Terrestre, não é porque Júpiter é muitíssimas vezes maior que nossa Terra, mas porque sua substância e textura são muito mais sutis e superiores às da Terra.

E é em proporção a esta qualidade que as Hierarquias dos respectivos “Construtores Planetários” se refletem e atuam sobre as ideações que encontram planejadas para eles na Consciência Universal, o verdadeiro Grande Ar- quiteto do Universo.

P. 13) A Alma do Mundo, ou “Anima Mundi”?        R. 13) Chame-a assim, se quiser.

É o Antítipo destas Hierarquias, que são suas classes diferencia- das.

O único Grande Arquiteto do Universo impessoal é MAHAT, a Mente Universal.

E Mahat é um símbolo, uma abstração, que assume um aspecto nebuloso, uma forma de entidade em todas as concepções materializan- tes do homem.

P. 14) Qual é a verdadeira diferença entre os Dhyani-Buddhas nos conceitos ortodoxo e esotérico?        R. 14) Filosoficamente, uma diferença muito grande.

Eles, como Devas superiores, são chamados Bodhisattvas pelos budistas.

Exotericamente são cinco em número, enquanto que segundo as escolas esotéricas são sete, e não simples Entidades, mas Hierarquias.

Em

A Doutrina Secreta é mencionado que já vieram cinco Buddhas e que mais dois hão de vir nas raças sexta e sé- tima.

Exotericamente, seu chefe é Vajrasattva, a “Inte- ligência Suprema” ou “Buddha Supremo”; porém, mais transcendental ainda é Vajradhara, do mesmo modo que Parabrahman transcende a Brahmā ou Mahat.

As- sim, os significados exotérico e oculto dos Dhyani-Bu- ddhas são totalmente diferentes.

Exotericamente, cada um é uma trindade, três em um, manifestando-se os três simultaneamente nos três mundos – como um Buddha humano na Terra, como Dhyani-Buddha no mundo das formas astrais, e um Arūpa, ou sem forma, Buddha no reino Nirvānico mais elevado.

Portanto, para um Buddha humano, uma encarnação de um destes Dhyanis, a permanência sobre esta Terra está limitada de sete a sete mil anos em vários corpos, posto que, como homens, estão sujeitos às condições normais, acidentes e morte.

Na Filosofia Esotérica, por outro lado, isto significa que somente cinco dos “Sete Dhyani-Buddhas”, ou melhor, das Sete Hierarquias destes Dhyanis, que no misticismo budista são idênticos às superiores Inteligências encar- nantes, ou os Kumāras dos hindus, cinco apareceram até agora na Terra, em uma sucessão regular de encarna- ções, os últimos dois devendo vir durante as sexta e séti- ma Raças-Raízes.

Isto é, mais uma vez, semialegórico, se não inteiramente.

Pois a sexta e a sétima Hierarquias já encarnaram nesta Terra junto com o restante.

Mas como alcançaram o assim chamado “Buddhado”, quase desde o começo da quarta Raça Raiz, se diz que descansam des- de então em uma consciente bem-aventurança e liber- dade, até o princípio da Sétima Ronda, quando guiarão

a Humanidade como uma nova raça de Buddhas.

Estes Dhyanis estão relacionados somente com a Humanida- de, e, estritamente falando, somente com os “princípios” superiores do homem.

P. 15) Os Dhyani-Buddhas e os Espíritos Plane- tários a cargo dos globos entram em pralaya quando seus planetas entram nesse estado?        R. 15) Somente ao final da sétima Ronda e não entre as rondas, porque devem vigiar o funcionamento das leis durante estes pralayas menores.

Detalhes mais completos sobre esse assunto já foram escritos no tercei- ro volume de A Doutrina Secreta.

Mas todas essas dife- renças são, de fato, meramente funcionais, porque são todos aspectos da única e mesma Essência.

P. 16) A hierarquia de Dhyanis, cuja função é velar por uma Ronda, vigiam durante seu período de atividade toda a série de globos, ou somente um globo em particular?        R. 16) Há Dhyanis encarnados e Dhyanis que vi- giam.

Você acabou de ouvir sobre as funções dos Dhyanis da primeira categoria; os últimos parecem levar a cabo sua tarefa da maneira seguinte.

Cada classe ou hierar- quia corresponde a uma das Rondas: a primeira e inferior hierarquia corresponde à primeira e menos desenvolvida     Na atualidade, não se sabe que exista algum material sobre este tema.

O volume publicado em 1897 e intitulado A Doutrina Secreta, Volume III, não contém nada que trate mesmo remotamente deste tema geral.

A declaração de H.P.B. parece confirmar a crença de que certos outros manuscritos existiram num determinado momento, embora seu destino último permaneça inteiramente indeterminado.

(Nota do comp.

Boris de Zirkoff)

Ronda; a segunda, à segunda Ronda; e assim sucessiva- mente até chegar à sétima Ronda, a qual está sob super- visão da mais elevada Hierarquia dos sete Dhyanis.

Por último, eles aparecerão sobre a Terra, como também o farão alguns dos Planetários, porque toda a humanidade se terá convertido em Bodhisattvas, seus próprios “fi- lhos”, ou seja, os “Filhos” do próprio Espírito e Essência deles, ou eles mesmos.

Desse modo, há apenas uma di- ferença funcional entre os Dhyanis e os Planetários.

Uns são inteiramente divinos, os outros são siderais.

Os pri- meiros são chamados somente Anupādakas20 sem pais, porque saíram diretamente d’Aquele que não é nem Pai nem Mãe, mas o Logos imanifestado.

Eles são, de fato, o aspecto espiritual dos sete Logoi; e os Espíritos Pla- netários são, em sua totalidade, como os sete Sephiroth (sendo os três superiores abstrações supercósmicas, e ocultos na Cabala), e constituem o homem Celestial, ou Adam Kadmon.

Dhyani, no Budismo, é um nome gené- rico, uma abreviação para todos os deuses.

Contudo, de- ve-se recordar sempre que embora sejam “deuses”, não devem, no entanto, ser adorados.

P. 17) Por que não, se são deuses?        R. 17) Porque a Filosofia Oriental rechaça a ideia de uma divindade pessoal e extracósmica.

E para os que chamam isso de ateísmo, eu gostaria de dizer o seguinte.

É ilógico adorar um desses deuses, porque, como se diz     Este termo sânscrito aparece em uma forma mal escrita em mui- tos lugares de todos os escritos de H.P.B.. Sua forma correta é Anupapādaka, de An: não; upa: de acordo com; e da forma causati- va da raiz verbal pad: proceder.

Portanto, este termo significa “o que não procede de acordo com uma sucessão regular”, ou seja, o que é nascido por si mesmo, ou sem pais.

(Nota do Comp.)

na Bíblia, “Há muitos Senhores e muitos Deuses”. Por- tanto, se desejamos adorar, devemos escolher ou a ado- ração de muitos deuses, sendo cada um não melhor nem menos limitado que o outro, ou seja, politeísmo e ido- latria; ou escolher, como fizeram os israelitas, um deus tribal e racial entre eles, e embora creiam na existência de muitos deuses, ignoram e mostram desprezo pelos de- mais, considerando o nosso como o mais elevado e como o “Deus dos Deuses”. Porém, logicamente isso é insus- tentável, porque tal deus não pode ser infinito nem abso- luto, mas deve ser finito, ou seja, limitado e condicionado pelo tempo e o espaço.

Com o Pralaya o deus tribal desa- parece, e Brahmā e todos os outros Devas e os deuses se fundem no Absoluto.

Por esta razão os ocultistas não os adoram nem lhes oferecem orações, porque, se o fizésse- mos, deveríamos adorar a muitos deuses ou fazer preces ao Absoluto, o qual, não tendo atributos, não pode ter ouvidos para nos ouvir.

Aquele que adora a muitos deu- ses, necessariamente deve ser injusto para com todos os outros deuses; e por mais que ele estenda sua adoração, é simplesmente impossível para ele adorar a cada um se- paradamente; e em sua ignorância, se escolhe algum em particular, de modo algum sabe escolher o mais perfeito.

Portanto, ele faria muito melhor se recordasse que todo homem tem um deus dentro de si, um raio direto do Ab- soluto, o raio celestial do Único; que tem seu “deus” den- tro de, e não fora, de si.

P. 18) Existe algum nome que se possa aplicar à Hierarquia ou espírito planetário que cuida de toda a evolução de nosso próprio globo, tal como Brahmā, por exemplo?

R. 18) Nenhum, exceto o nome genérico, já que é um setenário e uma Hierarquia; em verdade, a menos que o chamemos, como fazem alguns cabalistas: “o espí- rito da Terra”.

P. 19) É muito difícil recordar todas estas infini- tas Hierarquias de deuses.

R. 19) Não mais difícil do que resulta para um químico recordar os intermináveis símbolos da quími- ca, se for um especialista.

Entretanto, somente na Índia existem mais de 300 milhões de deuses e deusas.

Os Ma- nus e os Rishis são também deuses planetários, porque se diz que apareceram no início das raças humanas para cuidarem da evolução, e que encarnaram e desceram à Terra subsequentemente a fim de ensinarem à humani- dade.

São, então, os Sapta Rishis, os “Sete Rishis”, que exotericamente se diz que residem na constelação da Ursa Maior.

Também existem deuses planetários.

P. 20) São superiores a Brahmā?         R. 20) Depende em que aspecto Brahmā é enfo- cado.

Na Filosofia Esotérica, ele é a síntese dos sete Logoi.

Na teologia exotérica, é um aspecto de Vishnu, para os vaishnavas, junto com outros mais, como na Trimurti, a Trindade hindu, em que Brahmā é o principal Criador, enquanto Vishnu é o Preservador, e Shiva o Destruidor.

Na Cabala, ele é certamente Adam Kadmon, o homem “masculino-feminino” do primeiro capítulo de Gênesis.

Porque os Manus procedem de Brahmā, assim como os Sephiroth provêm de Adam Kadmon, e eles também são sete e dez, segundo exijam as circunstâncias.

Mas agora podemos passar para outro Sloka da Estância, que você gostaria que fosse explicado.

Sloka (9) MAS ONDE ESTAVA O DANGMA QUANDO O ALAYA DO UNIVERSO (Alma como base de tudo, Anima Mundi) ESTAVA EM PARAMĀRTHA (Absoluto Ser e Consciência, os quais são Absoluto Não Ser e Inconsciência) E A GRANDE RODA ERA ANU- PĀDAKA?

P. 1) Significa “Alaya” aquilo que nunca se mani- festa nem se dissolve, e que é derivada de “a”, a partícula negativa, e de “Laya”?         R. 1) Se etimologicamente for assim (e não estou preparada para lhe responder de uma maneira ou de ou- tra), significaria o contrário, já que Laya mesmo é jus- tamente aquilo que não é manifestado; portanto, Alaya significaria, se isso quer dizer algo: aquilo que não é ima- nifestado.

Qualquer que seja a vivissecção etimológica da palavra, é simplesmente a “Alma do Mundo”, Anima Mundi.

Isto é demonstrado pelas próprias palavras do Sloka, que fala de Alaya estando em Paramārtha, ou seja, no Absoluto Não Ser e Inconsciência, sendo ao mes- mo tempo perfeição absoluta ou a própria Absolutivida- de. Esta palavra, no entanto, é o centro de discussão en- tre as escolas Yogāchārya e a Madhyamika do Budismo do Norte.

O escolasticismo da última faz de Paramārtha (Satya) algo dependente de, e, portanto, relativo a, ou- tras coisas, desse modo viciando toda a filosofia metafí- sica da palavra “Absolutividade”. A outra escola rechaça muito justamente esta interpretação.

P. 2) A Filosofia Esotérica não ensina as mesmas doutrinas que a Escola Yogāchārya?       R. 2) Não exatamente.

Mas sigamos em frente.

ESTÂNCIA II

Sloka (1) ... ONDE ESTAVAM OS CONSTRU- TORES, OS BRILHANTES FILHOS DA AURORA DO MANVANTARA? ... NAS TREVAS DESCONHECI- DAS EM SEU AH-HI (Chohânico, Dhyani-Buddhico) PARANISHPANNA, OS PRODUTORES DA FORMA (rūpa), DERIVADA DA NÃO FORMA (arūpa) – QUE É A RAIZ DO MUNDO –, A DEVAMATRI (“Mãe dos Deu- ses”, Aditi ou Espaço Cósmico.

No “Zohar” é chamada Sephira, a Mãe dos Sephiroth e Shekinah em sua forma primordial “in abscondito”). E SVABHAVAT, REPOU- SAVA NA FELICIDADE DO NÃO SER.

P. 1) “Os luminosos Filhos da Aurora Manvan- tárica” são espíritos humanos perfeitos do último Man- vantara, ou estão a caminho de se tornarem humanos neste ou num Manvatara subsequente?         R. 1) Neste caso, tratando-se de um Maha-man- vantara depois de um Maha-pralaya, eles são estes últi- mos.

São os sete raios primordiais dos quais, por sua vez, emanarão todas as outras vidas luminosas e não lumino- sas, sejam elas Arcanjos, Demônios, homens ou macacos.

Alguns foram e outros somente agora se converterão em seres humanos.

Apenas depois da diferenciação dos sete raios e depois que as sete forças da Natureza os tiverem tomado em suas mãos e trabalhado sobre eles, é que eles se converterão em pedras angulares ou em descartadas peças de barro.

Portanto, tudo está nestes sete raios, mas neste estágio é impossível dizer em qual, porque estes ainda não estão diferenciados e individualizados.

P. 2) Na passagem seguinte, comentário (a) des- te Sloka, é dito:

“Os ‘Construtores’, os ‘Filhos da Aurora Manvantárica’,       são os verdadeiros criadores do Universo; e nesta dou-       trina, que se ocupa apenas de nosso Sistema Planetário,       eles, como arquitetos do mesmo, são também chamados       os ‘Vigilantes’ das Sete Esferas, que exotericamente são       os Sete planetas, e, esotericamente, as sete terras ou es-       feras (planetas) de nossa cadeia também.”

Então, por sistema planetário se quer dizer o Sis- tema Solar ou a cadeia à qual pertence a Terra?        R. 2) Os Construtores são aqueles que constroem e moldam as coisas numa forma.

O termo se aplica igual- mente aos Construtores do Universo e dos pequenos glo- bos, como os de nossa cadeia.

Por sistema planetário se entende apenas nosso Sistema Solar.

Sloka (2) “...ONDE ESTAVA O SILÊNCIO? ONDE OS OUVIDOS PARA PERCEBÊ-LO? NÃO, NÃO HAVIA NEM SILÊNCIO NEM SOM...”

P. 1) Com relação à passagem seguinte: comen- tário (a) do sloka (2), seria correto dizer que o que per- cebemos é um “elemento” diferente da mesma substân- cia? Por exemplo, quando uma substância se encontra em estado gasoso, poderia se dizer que é o elemento Ar o que se percebe, e que quando se combinam para formar água, o oxigênio e o hidrogênio aparecem sob a forma do elemento Água; e quando está em estado sólido, gelo, então percebemos o elemento Terra?    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 114, 115. (Nota do trad.)       “A ideia de que as coisas podem deixar de existir e ainda       SER é fundamental na psicologia oriental.

Sob esta apa-       rente contradição de termos, existe um fato na Nature-       za; e é mais importante compreendê-lo do que discutir       acerca das palavras.

Um exemplo familiar de um para-       doxo semelhante é oferecido pela combinação química.

A questão sobre se o hidrogênio e o oxigênio deixam de       existir quando se combinam para formar a água é ainda       discutida.”

R. 1) Os ignorantes julgam tudo por sua aparên- cia e não pelo que as coisas são em realidade.

Nesta Ter- ra, naturalmente, a água é um elemento completamente distinto de qualquer outro, usando este último termo no sentido de diferentes manifestações de um elemento.

Os elementos fundamentais, Terra, Ar, Água e Fogo são es- tados muito mais abrangentes de diferenciação.

Sendo esse o caso, em Ocultismo, a Transubstanciação se con- verte em uma possibilidade, observando que nada do que existe é, em realidade, o que se supõe ser.

P. 2) Mas o oxigênio, que usualmente se encon- tra em estado gasoso, pode ser liquidificado e mesmo solidificado.

Então, quando o oxigênio se encontra na condição de gás, é o elemento oculto Ar que é percebi- do, e quando se encontra em estado líquido é o elemento Água, e quando em estado sólido, é o elemento Terra?         R. 2) Muito seguramente: em primeiro lugar, te- mos o elemento Fogo, não o fogo comum, mas o Fogo dos Rosacruzes Medievais, a chama una, o Fogo da Vida.

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 115. (Nota do trad.) Na diferenciação, este se converte em diferentes aspectos do fogo.

O Ocultismo facilmente soluciona o dilema de se o oxigênio e o hidrogênio deixam de existir quando se combinam para formar água.

Nada do que está no Uni- verso pode desaparecer dele.

Temporariamente, então, quando estes dois gases se combinam para formar água, estão in abscondito, mas não deixaram de ser.

Porque, se eles tivessem se aniquilado, a Ciência, decompondo a água em oxigênio e hidrogênio, poderia ter criado algo a partir do nada, e, portanto, não teria discussões com a Teologia.

Assim, a água é um elemento, se preferirmos chamá-lo deste modo, somente neste plano.

Igualmente o oxigênio e o hidrogênio, por sua vez, podem ser dividi- dos em elementos mais sutis, sendo todos diferenciações do elemento único ou essência universal.

P. 3) Então, todas as substâncias deste plano fí- sico são, em realidade, as muitas correlações e combi- nações destes elementos raízes, e em última instância, do elemento único?        R. 3) Muito seguramente.

Em Ocultismo é sem- pre melhor proceder dos universais para os particulares.

P. 4) Aparentemente, então, toda a base do Ocultismo reside nisto, que em todo homem está latente um poder que pode lhe outorgar o verdadeiro conheci- mento, um poder para perceber a verdade, que o capa- cita para lidar diretamente com os universais, se ele for estritamente lógico e encarar os fatos.

Assim, podemos avançar dos universais para os particulares por meio desta força inata espiritual que reside em todo homem.

R. 4) Justamente: este poder é inerente a todos, mas está paralisado por nossos métodos educacionais, e especialmente pelos métodos aristotélico e baconiano.

As hipóteses reinam agora triunfantes.

P. 5) É curioso ler Schopenhauer e Hartmann e notar como, passo a passo, por meio de uma estrita ló- gica e puro raciocínio, eles chegaram às mesmas bases do pensamento que havia sido adotado há séculos na Índia, especialmente pelo Sistema Vedantino.

Entretan- to, pode-se muito bem objetar que eles chegaram a isso pelo método indutivo.

Mas ao menos no caso de Scho- penhauer não foi assim.

Ele próprio reconhecia que a ideia lhe veio como um flash; tendo assim obtido sua ideia fundamental, começava a trabalhar para ordenar seus fatos, de maneira que o leitor imaginasse que aqui- lo que era em realidade uma ideia intuitiva, era uma lógica dedução extraída dos fatos.

R. 5) Isso não é apenas verdade para a Filosofia de Schopenhauer, mas também para todos os grandes descobrimentos dos tempos modernos.

Por exemplo, como Newton descobriu a lei da gravidade? Não foi pela simples queda de uma maçã, nem por uma elaborada sé- rie de experimentos.

Tempo virá em que o método platô- nico não será tão completamente ignorado e os homens olharão com agrado para os métodos educacionais que lhes permitirão desenvolver esta que é a faculdade mais espiritual.

Reunião realizada na Rua Lansdowne, nº 17, Londres, W., no dia 7 de fevereiro de 1889, sob a presidência do Sr. W. Kingsland.

ESTÂNCIA II [continuação]

Sloka (3) A HORA AINDA NÃO HAVIA SO- ADO; O RAIO NÃO HAVIA BRILHADO DENTRO DO GERME; A MĀTRIPADMA (Mãe Lótus) AINDA NÃO INTUMESCERA.

“O raio das ‘Trevas Eternas’ converte-se, ao ser emitido,       em um raio de luz resplandecente ou vida, e penetra no       ‘Germe’ – o ponto no Ovo do Mundo, representado pela       matéria em seu sentido abstrato.”

P. 1) O Ponto no Ovo do Mundo é o mesmo que o Ponto dentro do Círculo, o Logos Imanifestado?        R. 1) Certamente não: o Ponto dentro do Círculo é o Logos Imanifestado; o Logos Manifestado é o Triân- gulo.

Pitágoras fala da nunca manifestada Mônada, que vive em solidão e trevas; quando soa a hora, irradia de si mesma o UM, o primeiro número.

Este número ao des- cer produz o DOIS, o segundo número, e o DOIS, por sua vez, produz o TRÊS, formando um triângulo, a pri- meira figura geométrica completa no mundo da forma.

É o triângulo ideal ou abstrato, o qual é o Ponto dentro do Ovo do Mundo, que, depois da gestação, e no tercei-    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 117. (Nota do trad.) ro movimento, vai partir do Ovo para formar o Triângulo.

Isto é Brahmā-Vāch-Virāj da Filosofia Hindu e Kether- -Chochmah-Binah no Zohar.

O Primeiro Logos Mani- festado é a Potência, a Causa não revelada; o Segundo é o Pensamento ainda latente; o Terceiro, o Demiurgo, a Vontade ativa, que evoluciona a partir de seu Eu univer- sal, o efeito ativo, o qual, por sua vez, torna-se a causa em um plano inferior.

P. 2) O que são as Trevas Eternas no sentido usado aqui?        R. 2) Trevas Eternas, suponho, significam o mis- tério sempre incognoscível, além do véu, de fato, Pa- rabrahman.

Mesmo o Logos só pode ver Mūlaprakriti, não pode ver além do véu.

Isso é o que são “as Sempre desconhecidas Trevas”.

P. 3) Com relação a isso, o que é o Raio?        R. 3) Recapitularei.

Temos o plano do círculo, sua superfície sendo negra; o ponto dentro do círculo é po- tencialmente branco, e esta é para nossas mentes a pri- meira concepção possível do Logos invisível.

“As Trevas” são eternas, o Raio é periódico.

Havendo cintilado deste ponto central e tendo feito estremecer o Germe, o Raio é absorvido novamente dentro do ponto, e o Germe se converte em Segundo Logos, o triângulo dentro do Ovo do Mundo.

P. 4) Quais são então as etapas de manifesta- ção?       R. 4) O primeiro estágio é o aparecimento do ponto potencial dentro do círculo, o Logos Imanifestado.

O segundo estágio é o disparar do Raio, a partir do ponto branco potencial, produzindo o primeiro ponto, chama- do no Zohar, Kether ou Sephira.

O terceiro estágio é a produção, a partir de Kether, de Chochmah e Binah, des- te modo constituindo o primeiro triângulo, que é o Ter- ceiro Logos ou Logos manifestado; em outras palavras, o Universo subjetivo e objetivo.

Ademais, deste Logos manifestado, emanarão os Sete Raios, que no Zohar são chamados os Sephiroth inferiores, e no Ocultismo orien- tal os sete raios primordiais.

Daí procedem as inumerá- veis séries de Hierarquias.

P. 5) O Triângulo mencionado aqui é aquilo ao qual a senhora se refere como o Germe no Ovo do Mun- do?        R. 5) Certamente.

Mas você deve recordar que há um Ovo Universal e um Ovo Solar (e outros), e que é ne- cessário limitar qualquer declaração com relação a eles.

O Ovo do Mundo é uma expressão da Forma Abstrata.

P. 6) Pode-se dizer que a Forma Abstrata é a pri- meira manifestação do eterno princípio feminino?        R. 6) É a primeira manifestação não do princípio feminino, mas do Raio que emana do ponto central, o qual é perfeitamente assexual.

Não existe um princípio feminino eterno, porque este Raio produz aquilo que é a potencialidade dos dois sexos unidos, mas de nenhum modo masculino ou feminino.

Esta última diferencia- ção aparecerá somente quando cair na matéria, quando o Triângulo se converte num Quadrado, a primeira Tetraktys.

P. 7) Então, o Ovo do Mundo é tão assexual quanto o Raio?         R. 7) O Ovo do Mundo é simplesmente a primei- ra etapa da manifestação, matéria primordial indiferen- ciada na qual o germe criador vital recebe seu primeiro impulso espiritual; a Potencialidade converte-se em Po- tência.

A matéria, apenas metaforicamente, é considera- da feminina, porque é receptiva aos raios do Sol que a fecundam e produz assim tudo o que cresce em sua su- perfície, isto é, neste, o plano mais inferior.

Por outro lado, a matéria primordial deveria ser considerada como substância e de nenhum modo pode-se dizer que tenha sexo.

Assim o Ovo, em qualquer plano que se fale, signi- fica a matéria sempre existente e indiferenciada, a qual, estritamente falando, não é nem matéria de maneira ne- nhuma, mas, como nós a chamamos, os Átomos.

A maté- ria é destrutível na forma, enquanto que os Átomos são absolutamente indestrutíveis, sendo a quintessência das Substâncias.

E aqui, por átomos, quero dizer as Unida- des divinas primordiais, e não os “átomos” da Ciência moderna.

Similarmente, o “Germe” é uma expressão figura- tiva; o germe reside em todas as partes, assim como o cír- culo, cuja circunferência não está em parte alguma e cujo centro se encontra em todas as partes.

Este, portanto, representa todos os germes, ou seja, a natureza imani- festada, ou todo o poder criador que emanará, chamado Brahmā pelos hindus, embora em cada plano tenha um nome diferente.

P. 8) A Matri-Padma é o Ovo eterno ou o perió- dico?        R. 8) É o Ovo eterno; tornar-se-á periódico ape- nas quando o raio do primeiro Logos tiver reluzido do Germe latente na Matri-Padma, que é o Ovo, a Matriz do Universo que há de ser.

Por analogia, o germe físico na célula feminina não se poderia dizer que é eterno, em- bora seja possível dizer isso do espírito latente do germe, oculto dentro da célula masculina na Natureza.

Sloka (4) SEU CORAÇÃO AINDA NÃO ESTA- VA ABERTO PARA RECEBER O RAIO ÚNICO, E CAIR DEPOIS, COMO TRÊS EM QUATRO, NO REGAÇO DE MĀYĀ.

“Mas quando ‘soa a hora’ e se torna receptora da im-         pressão Fohática do Pensamento Divino (o Logos, ou         aspecto masculino da Anima Mundi, Alaya), seu ‘cora-         ção’ se abre.”

P. 1) A “impressão Fohática do Pensamento Di- vino” não corresponde a uma etapa ulterior de diferen- ciação?        R. 1) Fohat, como força ou entidade distinta, é um desenvolvimento posterior.

“Fohático” é um adjetivo e pode ser usado em um sentido mais amplo; Fohat, como substantivo ou Entidade, surge de um atributo Fohático do Logos.

A eletricidade não pode ser gerada por aqui- lo que não contém um princípio ou elemento elétrico.

O princípio divino é eterno; os deuses são periódicos.

Fohat é a Shakti ou força da mente divina; Brahmā e Fohat são, ambos, aspectos da mente divina.

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 119. (Nota do trad.)         P. 2) A intenção nos Comentários a esta Estân- cia não é transmitir algumas ideias do tema, falando das correspondências em uma etapa de evolução poste- rior?         R. 2) Exatamente isso; foi declarado várias vezes que os Comentários do Primeiro Volume se referem qua- se inteiramente à evolução do Sistema Solar, unicamen- te. A beleza e sabedoria das Estâncias consistem em que podem ser interpretadas em sete planos diferentes, o úl- timo refletindo – pela lei universal de correspondências e analogia, em seu aspecto mais diferenciado, grosseiro e físico – os processos que têm lugar no plano primá- rio ou puramente espiritual.

Devo estabelecer aqui, de uma vez por todas, que as primeiras Estâncias tratam do despertar do Pralaya e não estão relacionadas apenas ao Sistema Solar, enquanto que o Vol.

II se refere somente à nossa Terra.

P. 3) A senhora poderia dizer qual é o verdadei- ro significado da palavra Fohat?         R. 3) A palavra é um composto turaniano e são vá- rios seus significados.

Na China, Pho ou Fo, indica “alma animal”, a Nephesh vital ou alento de vida.

Alguns dizem que deriva do sânscrito Bhu, que quer dizer existência, ou melhor, a essência da existência.

Agora, Swāyambhū quer dizer Brahmā e Homem ao mesmo tempo.

Significa autoexistência e autoexistente, aquilo que é perpétuo, o eterno alento.

Se Sat é a potencialidade do Ser, Pho é a potência do Ser.

O significado, entretanto, depende to- talmente de onde se ponha o acento.

De novo, Fohat está relacionado com Mahat.

É o reflexo da Mente Universal, a síntese dos “Sete” e as inteligências dos sete Construto- res criadores, ou, como os chamamos, os Cosmocratores.

Portanto, como você verá em nossa filosofia, a vida e a eletricidade são um. É dito que a vida é eletricidade, e se é assim, então a Vida Una é a essência e raiz de todos os fenômenos elétricos e magnéticos neste plano manifes- tado.

P. 4) Como é que se diz que Hórus e os outros “Deuses-Sol” nasceram “através de uma Mãe Imacula- da”?        R. 4) No primeiro plano de diferenciação não existe sexo, usando o termo por conveniência, mas am- bos os sexos existem potencialmente na matéria primor- dial.

Matéria é a raiz da palavra “Mãe” e, portanto, é fe- minina.

A matéria indiferenciada, a matéria primordial não é fecundada por algum ato no espaço e no tempo, pois a fertilidade e a produtividade são inerentes a ela.

Logo, aquilo que emana ou nasce por essa virtude ine- rente não nasce “dela”, mas “por meio dela”. Em outras palavras, tal virtude ou qualidade é a causa única de que este algo se manifeste através de seu veículo; enquanto que no plano físico, a Mãe-matéria não é a causa ativa, mas o meio passivo e o instrumento de uma causa inde- pendente.

Na Doutrina Cristã da Imaculada Conceição, uma materialização da concepção metafísica e espiritual, a mãe é primeiro fecundada pelo Espírito Santo e o Filho nasce dela e não através dela.

“Dela” implica a existên- cia de uma fonte limitada e condicionada da qual surgir, devendo o ato ter lugar no Tempo e no Espaço.

“Através de” é aplicável à Eternidade e à Infinitude, assim como ao Finito.

O Grande Alento palpita através do Espaço, o qual é ilimitado, e existe na, e não a partir da eternidade.

P. 5) Como é que o Triângulo se converte no Quadrado e o Quadrado em um Cubo de seis faces?         R. 5) Na Geometria oculta e pitagórica, é dito que a Tétrade combina dentro de si mesma todos os mate- riais com os quais se produz o Cosmos.

O Ponto ou Um se estende para uma Linha, o Dois; uma Linha até uma Su- perfície, Três; e a Superfície, a Tríade ou Triângulo, con- verte-se em um Sólido, a Tétrade ou Quatro, por meio do ponto colocado sobre ele.

Segundo a Cabala, Kether ou Sephira, o Ponto, emana Chochmah e Binah, os quais são sinônimo de Mahat, nos Purānas hindus; e esta Trí- ade, descendo na matéria, produz o Tetragrammaton, ou Tetraktys, como também a Tétrade inferior.

Este nú- mero contém os números produtores e os produzidos.

A Dúade duplicada faz uma Tétrade, e a Tétrade duplicada forma uma Hebdômada.

De outro ponto de vista, é o Espírito, a Vontade e o Intelecto animando os quatro princípios inferiores.

P. 6) Então, como o Quadrado se transforma no Cubo de seis faces?         R. 6) O Quadrado converte-se em Cubo quando cada ponto do Triângulo se torna dual, masculino ou fe- minino.

Os pitagóricos diziam “Uma vez um, duas vezes dois e aparece uma Tétrade, tendo em sua cúspide a Uni- dade superior; esta converte-se em uma Pirâmide cuja base é uma Tétrade plana; a luz divina que permanece nela forma o Cubo abstrato.”     Uma Tétrade duplicada seria oito ou uma Ogdoada, enquanto que uma Hebdômada implicaria sete.

Este pode ser um erro tipográfico, a menos que esteja implicado algum outro significado.

Nós o deixa- mos inalterado.

(Nota do comp.)

A superfície do Cubo está composta de seis qua- drados, e o desdobramento do Cubo dá a Cruz, ou o Qua- tro vertical cruzado pelo Três horizontal; o seis fazendo assim o Sete, os sete princípios ou as sete propriedades pitagóricas do homem.

Vejam a excelente explicação dis- to oferecida no livro The Source of Measures, do Sr. J. R. Skinner:

“ Assim temos a repetição, na Terra, daquele mistério       que, segundo os videntes, se realizou no plano divino.

O       Filho da Virgem Celeste Imaculada (ou o Prótilo Cósmi-       co não diferenciado, a Matéria em sua infinitude) nasce       de novo na Terra como Filho da Eva terrestre (nossa mãe       Terra) e se torna a Humanidade como um todo – passa-       do, presente e futuro; porque Jehovah, ou Jod-He-Vau-       -He, é andrógino, ou masculino e feminino ao mesmo       tempo.

Em cima, o Filho é todo o COSMOS; embaixo, a       HUMANIDADE.

A Tríade ou Triângulo se converte na       Tetraktys, o sagrado número pitagórico, o Quadrado       perfeito, e, sobre a Terra, num Cubo de seis faces.

O Ma-       croposopo (a Grande Face) passa a ser o Microposopo       (a Face Menor); ou, como dizem os cabalistas, o “Ancião       dos Dias”, descendo sobre Adam-Kadmon, a quem uti-       liza como veículo de manifestação, fica transformado no       Tetragrammaton.

Acha-se então no “Regaço de Māyā”,       a Grande Ilusão, e entre Ele e a Realidade se interpõe a       Luz Astral, a Grande Enganadora dos Sentidos limita-       dos do homem, a menos que o Conhecimento venha em       seu auxílio por intermédio de Paramārthasatya.”

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 120. (Nota do trad.)        Ou seja, o Logos converte-se no Tetragramma- ton; e o Triângulo, ou o Três, converte-se no Quatro.

P. 7) A Luz Astral é usada aqui no sentido de Māyā?        R. 7) Certamente.

Mais adiante, em A Doutrina Secreta, é explicado que praticamente existem apenas quatro planos pertencentes às cadeias planetárias.

Os três planos superiores são completamente Arūpa [sem forma] e absolutamente fora de nossa compreensão.

P. 8) Então, a Tetraktys é totalmente diferente do Tetragrammaton?         R. 8) A Tetraktys pela qual juravam os pitagó- ricos não era o Tetragrammaton, mas, ao contrário, a Tetraktys mais elevada ou superior.

Nos primeiros ca- pítulos do Gênesis, temos uma chave para o descobri- mento deste Tetragrammaton inferior.

Encontramos ali Adão, Eva e Jehovah que se convertem em Caim.

O ulte- rior desenvolvimento da Humanidade está simbolizado em Abel, como concepção humana do superior.

Abel é “a filha” e não o “filho” de Eva, e simboliza a separação dos sexos; enquanto que o assassinato de Abel simboliza o matrimônio.

A concepção mais humana encontra-se no final do 4º Capítulo, quando se fala de Seth, para quem nasceu um filho, Enos, depois do qual os homens come- çaram – não como está traduzido no Gênesis, a “invocar o Senhor” – mas a ser chamados Jod-He-Vau, significan- do homens e mulheres.

O Tetragrammaton, portanto, é simplesmente Malkuth; quando o noivo vem até a noiva na Terra, en-

tão aparece a Humanidade.

Deve-se passar por todos os sete Sephiroth inferiores, e o Tetragrammaton se torna cada vez mais material.

O Plano Astral encontra-se entre a Tetraktys e o Tetragrammaton.

P. 9) A Tetraktys parece ser usada aqui em dois sentidos completamente diferentes.

R. 9) A verdadeira Tetraktys dos pitagóricos era a Tetraktys da Mônada invisível, a qual produz o primeiro Ponto, o segundo e o terceiro, e logo se retira para as tre- vas e o silêncio eterno; em outras palavras, a Tetraktys é o primeiro Logos.

Tomada a partir do plano da matéria, é, entre outras coisas, o Quaternário inferior, o homem de carne ou de matéria.

Reunião realizada na Rua Lansdowne 17, Londres, W., no dia 14 de fevereiro de 1889, sob a presidência do Sr. W. Kingsland.

ESTÂNCIA III

Sloka (1) A ÚLTIMA VIBRAÇÃO DA SÉTIMA ETERNIDADE PALPITA ATRAVÉS DA INFINITUDE.

A MÃE INTUMESCE E SE EXPANDE DE DENTRO PARA FORA COMO O BOTÃO DO LÓTUS.

“O uso aparentemente paradoxal da expressão ‘Sétima       Eternidade’, dividindo assim o que é indivisível, está       consagrado na Filosofia Esotérica.

Esta divide a duração       sem limites em Tempo incondicionado, eterno e uni-       versal (Kāla), e em tempo condicionado (Khandakāla).       Um é a abstração ou númeno do Tempo infinito; o ou-       tro, o seu fenômeno, que aparece periodicamente como       efeito de Mahat, a Inteligência Universal, limitada pela       duração Manvantárica.”

P. 1) O começo do Tempo, como distinto da Du- ração, corresponde ao aparecimento do Logos manifes- tado?        R. 1) Certamente que isso não pode acontecer an- tes.

Mas “a sétima vibração” aplica-se tanto ao Primeiro Logos como ao Logos manifestado; o primeiro, fora do Tempo e do Espaço, e o segundo, quando tiver começado

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 121, 122. (Nota do trad.) o Tempo.

Apenas quando “a mãe intumesce” começa a diferenciação, porque quando o primeiro Logos irradia através da matéria primordial e não diferenciada não há ainda ação alguma no Caos.

“A última vibração da Séti- ma Eternidade” é a primeira que anuncia a Aurora, e é sinônima do Primeiro ou Logos imanifestado.

Nesta eta- pa não existe Tempo.

Não há nem Espaço nem Tempo no começo; mas tudo está no Tempo e no Espaço uma vez que se põe em marcha a diferenciação.

No momen- to da radiação primordial, ou quando emana o Segun- do Logos, esta radiação é potencialmente Pai-Mãe, mas quando aparece o Terceiro Logos ou Logos manifestado, converte-se na Virgem-Mãe.

O “Pai e o Filho” são en- contrados em todas as Teogonias; portanto, a expressão corresponde à aparição do Logos imanifestado e do ma- nifestado: um no começo, e o outro no final da “Sétima Eternidade”.

P. 2) A senhora pode então falar do Tempo como existindo a partir do aparecimento do Segundo Logos ou Imanifestado-Manifestado?         R. 2 ) Certamente que não, mas (posso falar) a partir do aparecimento do Terceiro Logos.

É aqui que re- side uma grande diferença entre os dois, como acabamos de demonstrar.

A “última vibração” começa fora do Tem- po e do Espaço, e termina com o Terceiro Logos, quando começam o Tempo e o Espaço, isto é, o tempo periódico.

O Segundo Logos participa da essência ou natureza do primeiro e do último.

Não há diferenciação com o Pri- meiro Logos; a diferenciação somente começa no latente Mundo do Pensamento, com o Segundo Logos, e recebe sua plena expressão, ou seja, converte-se na “Palavra” feita carne, com o Terceiro.

P. 3) Em que diferem os termos “Radiação” e “Emanação” em A Doutrina Secreta?          R. 3) Em minha opinião, eles expressam duas ideias totalmente diferentes, e são as melhores interpre- tações que se puderam encontrar para os termos origi- nais; mas se o significado corrente for vinculado a eles, a ideia se perderá.

A “radiação” é, por assim dizer, um brotar inconsciente e espontâneo, a ação de algo do qual procede este ato; porém, a “emanação” é algo no qual se produz outra coisa em um constante fluir, e emana cons- cientemente.

Um ocultista ortodoxo vai além e diz que o perfume de uma flor emana dela “conscientemente”, embora isso possa parecer absurdo para um profano.

A radiação pode provir do Absoluto; a Emanação não pode.

Uma das diferenças consiste na ideia de que a Radiação, seguramente, cedo ou tarde, será reabsorvida, enquanto que a Emanação leva a outras emanações e é completa- mente separada e diferenciada.

Naturalmente, ao final do ciclo do tempo, também a emanação será reabsorvida no Um Absoluto; entretanto, a emanação continua du- rante todo o ciclo de mudanças.

Uma coisa emana da ou- tra, e, de fato, de um ponto de vista, emanação equivale à evolução; enquanto “radiação”, em minha opinião repre- senta (no período pré-cósmico, naturalmente) uma ação instantânea, como a de uma folha de papel aceso debaixo de uma lupa, ato do qual o Sol nada sabe.

Naturalmente, os dois termos são usados na falta de melhores.

P. 4) O que se quer dizer por protótipos existindo na luz astral?        R. 4) Luz Astral é usada aqui como uma frase    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 122. (Nota do trad.) conveniente para um termo muito pouco compreendido, ou seja: “O reino de Akāsha, ou Luz Primordial manifes- tado através da Ideação Divina”. Este último termo deve ser aceito, neste caso particular, como um termo gené- rico para a mente universal e divina refletida nas Águas do Espaço e Caos, que é a verdadeira Luz Astral, e ao mesmo tempo um espelho que reflete e reverte um plano superior.

No ABSOLUTO ou Pensamento Divino, tudo existe e nunca houve um tempo em que nada existisse; mas a Ideação Divina está limitada pelos Manvantaras Universais.

O reino do Akāsha é o Espaço numenal (nu- mênico) indiferenciado e abstrato que será ocupado por Chidakasam, o campo da consciência primordial.

Tem, no entanto, vários graus na Filosofia Oculta; de fato, “os sete campos”. O primeiro é o campo da consciência la- tente que é coeva com a duração do Primeiro e Segundo Logos não manifestados.

É a “Luz que brilha nas trevas e as trevas não a compreenderam” do Evangelho de São João.

Quando soa a hora para que apareça o Terceiro Logos, então da latente potencialidade irradia um cam- po inferior de consciência diferenciada, o qual é Mahat ou toda a coletividade daqueles Dhyan-Chohans de vida senciente dos quais Fohat é o representante no plano ob- jetivo, como os Mānasaputras o são no plano subjetivo.

A Luz Astral é aquilo que reflete os três planos mais ele- vados de consciência e está acima do mais baixo, o plano terrestre; portanto, não se estende para além do quarto plano, onde, poderíamos dizer, começa o Akāsha.

Há uma grande diferença entre a Luz Astral e o Akāsha que deve ser recordada.

Este último é eterno, a primeira é periódica.

A Luz Astral muda não apenas com

os Mahāmanvantaras, mas também com cada subpe- ríodo e Ciclo Planetário ou Ronda.

P. 5) Então, os protótipos existem em um plano superior ao da Luz Astral?        R. 5) Os protótipos ou ideias existem primeiro no plano da Consciência Eterna e Divina, e dali são refle- tidos e revertidos na Luz Astral, a qual também reflete, em seu plano individual inferior, a vida de nossa Terra, registrando-a em suas “tabuletas”. Portanto, a Luz Astral é chamada Ilusão.

É dali de onde oportunamente obtere- mos nossos protótipos.

Consequentemente, a menos que o Clarividente ou VIDENTE possa transcender este pla- no de ilusão, nunca poderá ver a Verdade, mas se afogará num oceano de autoilusões e alucinações.

P. 6) E o que é o Akāsha propriamente dito?         R. 6) O Akāsha é a eterna consciência divina que não pode diferenciar-se, ter atributos, ou atuar; a ação pertence ao que é refletido dele.

O incondicionado e in- finito não pode ter relação com o finito e condicionado.

A Luz Astral é o Céu-Médio dos gnósticos, no qual está Sophia Achamoth, a mãe dos sete Construtores ou Espí- ritos da Terra, que não são necessariamente bons e entre os quais os gnósticos situaram Jehovah, a quem chama- ram Ildabaoth.

(Sophia Achamoth não deve ser confun- dida com a divina Sophia). Podemos comparar o Akāsha e a Luz Astral, com relação a estes protótipos, com o ger- me na bolota.

Esta última, além de conter em si mesma a forma astral do futuro carvalho, oculta o germe do qual crescerá a árvore contendo milhões de formas.

Estas for- mas estão potencialmente encerradas na bolota, entre-

tanto o desenvolvimento de cada bolota, em particular, depende de circunstâncias externas, forças físicas, etc.

P. 7) Mas como isso é responsável pelas varieda- des infinitas do Reino Vegetal?         R. 7) As diferentes variedades de plantas são os raios nos quais se decompõe o Raio Único.

À medida que o Raio passa pelos sete planos, se decompõe em cada pla- no em milhares e milhões de raios até chegar ao mundo da forma, cada raio penetrando em uma inteligência em seu próprio plano.

De modo que vemos que cada planta tem uma inteligência ou seu próprio propósito de vida, digamos assim, e até certo ponto, seu próprio livre-ar- bítrio.

Assim é, pelo menos como eu o entendo.

Uma planta pode ser receptiva ou não, embora cada planta, sem exceção, sinta e tenha uma consciência própria.

Mas além disso, todas as plantas, desde a árvore gigantesca até a mais diminuta samambaia ou folha de grama, têm, como nos ensina o Ocultismo, uma entidade Elemental da qual ela é a envoltura exterior neste plano.

Daí que os cabalistas e rosacruzes da Idade Média sempre esta- vam falando de Elementais.

Segundo eles, todas as coisas possuem um espírito Elemental.

P. 8) Qual é a diferença entre um Elemental e um Dhyan-Chohan ou um Dhyani-Buddha?         R. 8) A diferença é muito grande.

Os Elementais estão ligados somente aos quatro Elementos terrestres e apenas aos dois reinos inferiores da Natureza (o mineral e o vegetal), nos quais eles se “inmetalizam”29 e “inherba-

No original em inglês: inmetalize.

(Nota do trad.) lizam”30, digamos assim.

O termo hindu Deva pode ser aplicado a eles, mas não o de Dhyan-Chohan.

O primeiro tem uma espécie de Inteligência cósmica; mas os outros estão dotados de um intelecto supersensitivo, cada um de sua classe.

Quanto aos Dhyani-Buddhas, eles pertencem às Inteligências Divinas mais elevadas (ou oniscientes), correspondendo talvez aos Arcanjos católico-romanos.

P. 9) Existe uma evolução de tipos através dos vá- rios planos de Luz Astral?        R. 9) Você deve deduzir a partir da analogia da evolução da bolota.

Da bolota crescerá um carvalho e este carvalho, como árvore, pode ter mil formas, as quais variam todas umas das outras.

Todas estas formas estão contidas na bolota, e embora a forma que a árvore to- mará dependerá de circunstâncias externas, entretanto o que Aristóteles chamou de “privação da matéria” existe de antemão nas ondas astrais.

Porém, o germe numenal do carvalho existe além do plano da Luz Astral; é somen- te a imagem subjetiva dele que já existe na Luz Astral, e o desenvolvimento do carvalho é o resultado do desen- volvimento do protótipo na Luz Astral, desenvolvimen- to que procede dos planos superiores para os inferiores, até que no plano mais baixo tem sua última consolidação e desenvolvimento da forma.

E aqui reside a explicação do fato curioso, segundo a afirmação vedantina, de que cada planta tem seu Karma e que seu crescimento é o resultado deste Karma.

Este Karma provém dos Dhyan- -Chohans inferiores que traçam o plano de desenvolvi- mento da árvore.

No original em inglês: inhebalize.

(Nota do trad.)

P. 10) Qual é o verdadeiro significado de Man- vantara, ou melhor, do Manu-Antara?         R. 10) Em realidade significa “entre dois Manus”, dos quais existem catorze em cada “Dia de Brahmā”, tal “Dia” consistindo de 1.000 agregados de quatro idades ou de 1.000 “Grandes Idades” ou Maha-yugas.

Quan- do analisamos a palavra “Manu” encontramos que os orientalistas declaram que provém da raiz “Man”: pen- sar, e daí o “homem pensador”. Mas esotericamente cada Manu, como um patrono/protetor antropomorfizado de seu ciclo particular, ou ronda, é tão somente a ideia per- sonificada do “Pensamento Divino” (como o hermético Pimandro). Cada um dos Manus, portanto, é o deus par- ticular, o criador e formador de tudo o que aparece du- rante seu próprio respectivo ciclo de existência ou Man- vantara.

P. 11) O Manu é também uma unidade de consci- ência humana personificada, ou é a individualização do Pensamento Divino com propósitos manvantáricos?        R. 11) Ambas as coisas, posto que a “consciência humana” é apenas um Raio da Divina.

Nosso Manas ou Ego procede de, e é, figurativamente, o filho de Mahat.

Vaivasvata Manu (o Manu de nossa própria Quinta Raça e da Humanidade em geral) é o Chefe e represen- tante personificado da Humanidade pensante da Quinta Raça Raiz; e, portanto, ele é representado como o Filho mais velho do Sol e um Agnishwatta Antepassado.

Como “Manu” deriva de Man, pensar, a ideia está clara.

A ação do pensamento sobre os cérebros humanos é infinita.

As- sim, o Manu é, e contém em si a potencialidade de todas

as formas pensantes que se desenvolverão sobre a Terra a partir dessa fonte particular.

No ensinamento esotéri- co, ele é o começo desta Terra, dele e de sua filha Ila nas- ce a humanidade; ele é uma unidade que contém todas as pluralidades e suas modificações.

Deste modo, cada Manvantara tem seu próprio Manu e, deste Manu, os vários Manus, ou melhor, todos os Manasas dos Kalpas que se seguirão.

Como analogia, ele pode ser compara- do à luz branca que contém todos os outros raios, e lhes dá nascimento ao passar pelo prisma de diferenciação e evolução.

Mas isso pertence aos ensinamentos esotéricos e metafísicos.

P. 12) É possível dizer que o Manu está relacio- nado com cada Manvantara, assim como o Primeiro Logos o está com o Mahāmanvantara?       R. 12) É possível dizer isso, se você quiser.

P. 13) Pode-se dizer que o Manu é uma individu- alidade?        R. 13) Em sentido abstrato, certamente não, mas é possível aplicar uma analogia.

O Manu é talvez a síntese dos Mānasas, e é uma só consciência, no mesmo senti- do que, embora todas as diferentes células das quais está composto o corpo humano sejam consciências diferentes e variadas, há, no entanto, uma unidade de consciência que é o homem.

Mas esta unidade, digamos assim, não é uma só consciência; é o reflexo de milhares e milhões de consciências que o homem absorveu.

Mas o Manu, em realidade, não é uma individu- alidade, é o total da humanidade.

Podemos dizer que

Manu é um nome genérico para os Pitris, os progenito- res da humanidade.

Eles provêm, como demonstrei, da Cadeia Lunar.

Dão nascimento à humanidade, porque, havendo-se convertido nos primeiros homens, dão nas- cimento a outros pelo desenvolvimento de suas sombras, seus eus astrais.

Deles, não somente derivam a huma- nidade, como também os animais, e todas as criaturas.

Neste sentido, nos Purānas se diz, dos grandes Iogues, que eles deram origem, um, às serpentes; outro, a todas as aves, etc.

Porém, assim como a Lua recebe sua luz do Sol, do mesmo modo os descendentes dos Pitris Luna- res recebem sua luz mental superior do Sol ou “do Fi- lho do Sol”. Porque todos vocês sabem que Vaivasvata Manu poderia ser um Avatar ou uma personificação de MAHAT, encarregado pela Mente Universal de guiar e fazer progredir a Humanidade pensante.

P. 14) Aprendemos que a humanidade aperfei- çoada de uma Ronda converte-se em Dhyani-Buddhas e nos dirigentes do próximo Manvantara.

Então, que rela- ção tem o Manu com as hostes dos Dyani-Buddhas?        R. 14) Não tem, absolutamente, nenhuma re- lação, de acordo com os ensinamentos exotéricos.

Mas posso lhes dizer que os Dhyani-Buddhas nada têm a ver com o trabalho prático inferior do plano terrestre.

Usan- do uma ilustração: o Dhyani-Buddha pode ser compara- do a um grande regente em qualquer condição de vida.

Suponhamos apenas que se tratasse de uma casa; o gran- de dirigente não tem diretamente nada a ver com o tra- balho de uma faxineira.

Os Dhyanis mais elevados dão origem a hierarquias de Dhyanis cada vez mais inferio-

res, mais consolidados e mais materiais, até chegar a esta cadeia de Planetas, sendo alguns dos últimos os Manus, os Pitris e Antepassados Lunares.

Como eu mostrei no Vol.

II de A Doutrina Secreta, estes Pitris têm a tarefa de dar origem ao homem.

Eles o fazem projetando suas sombras, e a primeira humanidade (se de fato ela pode ser chamada humanidade) são os chayas astrais dos An- tepassados Lunares, sobre os quais a Natureza constrói o corpo físico, que inicialmente não tem forma.

A Segunda Raça tem cada vez mais forma e é assexuada.

Na Terceira Raça, transformam-se em bissexuais e hermafroditas e, então, finalmente separando-se os sexos, a propagação da humanidade se desenvolve de diversas maneiras.

P. 15) Então, o que a senhora quer dizer com o termo Manvantara, ou, como a senhora explicou, “Manu-antara” ou “entre dois Manus”?        R. 15) Significa simplesmente um período de ati- vidade e não se emprega em nenhum sentido limitado e definido.

Vocês têm de deduzir a partir do contexto da obra que estão estudando, qual é o significado de Man- vantara, recordando também que o que é aplicável a um período menor, aplica-se também a um maior, e assim reciprocamente.

P. 16) “Água” é usada aqui em sentido puramen- te simbólico, ou tem sua correspondência na evolução dos elementos?        R. 16) É preciso ter cuidado de não confundir os elementos universais com os elementos terrestres.

Nem, repito, os elementos terrestres significam aquilo que é

conhecido como elementos químicos.

Eu chamaria de elementos cósmicos, universais, os númenos dos ele- mentos terrestres, e acrescentaria que cósmico não está limitado ao nosso pequeno Sistema Solar.

A Água é o primeiro elemento cósmico, e os ter- mos “trevas” e “caos” foram empregados para indicar o mesmo “elemento”. Existem sete estados de matéria, dos quais três são geralmente conhecidos, ou seja, sólido, lí- quido e gasoso.

É necessário considerar todo o cósmico e o terrestre como existindo em variações destes sete es- tados.

Mas é impossível para mim falar em termos que são desconhecidos para vocês, e, portanto, impossíveis de compreender.

Deste modo, “água”, o “cálido e úmi- do princípio” dos filósofos, é usada para indicar aquilo que não é ainda matéria sólida, ou melhor, aquilo que não possui a solidez da matéria, como nós a entende- mos.

Isso se torna muito mais difícil com o uso do termo “água” como um subsequente elemento na série de éter, fogo e ar. Porém, o éter contém em si todos os demais e todas as suas propriedades, e é este éter o hipotético agente da ciência física: ademais, é a forma mais inferior de Akāsha, o único agente e elemento universal.

Portan- to, água é usada aqui para indicar a matéria em seu esta- do pré-cósmico.

P. 17) Que relação têm os elementos com os Ele- mentais?       R. 17) A mesma relação que a Terra tem com o homem.

Assim como o homem físico é a quintessência da Terra, do Ar, do Fogo e da Água, do mesmo modo, um Elemental (chamado Silfo, Salamandra, Ondina, etc.) é a

quintessência de seu elemento especial.

Toda diferencia- ção de substância e matéria desenvolve um tipo de Força inteligente e são estes os que os rosacruzes chamaram de Elementais, ou espíritos da Natureza.

Cada um de nós pode acreditar num Elemental criado por nós mesmos.

Mas este último tipo de criação de Elementais não tem existência fora de nossa própria imaginação.

Será uma inteligência, uma Força, boa ou má, mas a forma que lhe foi dada e seus atributos serão os de nossa própria cria- ção, ao passo que ao mesmo tempo essa forma terá uma inteligência derivada também de nós.

P. 18) O “Ovo-Virgem” e o “Ovo-Eterno” são a mesma coisa, ou são diferentes etapas de diferenciação?        R. 18) O “Ovo-Eterno” é uma pré-diferenciação em condição laya ou zero; portanto, antes da diferencia- ção ele não pode ter atributos nem qualidades.

O “Ovo- -Virgem” já tem qualidades e, portanto, é diferenciado, embora em sua essência seja o mesmo.

Nenhuma coisa pode estar separada de outra, em sua natureza essencial.

Mas no mundo das ilusões, no mundo das formas, da diferenciação, tudo parece estar separado, inclusive nós mesmos.

Reunião realizada na Rua Lansdowne, nº 17, W., no dia de fevereiro de 1889, sob a presidência do Sr. W. Kingsland.

ESTÂNCIA III [continuação]

Sloka (2) A VIBRAÇÃO SE PROPAGA REPEN- TINAMENTE, TOCANDO COM SUAS VELOZES ASAS (simultaneamente) O UNIVERSO INTEIRO E O GER- ME QUE MORA NAS TREVAS: AS TREVAS QUE RES- PIRAM (se movem) SOBRE AS ADORMECIDAS ÁGUAS DA VIDA.

P. 1) Como devemos entender a expressão “a vi- bração toca o Universo inteiro e também o germe”?         R. 1) Antes de tudo, os termos usados devem ser definidos até onde nos seja possível, porque a linguagem empregada aqui é puramente figurativa.

O Universo não significa o Cosmos ou mundo das formas, mas o espaço sem forma, o futuro veículo do Universo que se manifes- tará.

Este espaço é sinônimo de “águas do espaço”, com (para nós) as trevas eternas de fato com Parabrahman.

Em síntese, todo o Sloka refere-se ao “período” anterior a qualquer manifestação.

Da mesma maneira, o Germe (o Germe eterno, os átomos indiferenciados da futura matéria) é uno com o Espaço, que é tanto infinito quanto indestrutível, e tão eterno quanto o próprio espaço.

De um modo semelhante, “a vibração” corresponde ao Pon- to, o Logos Imanifestado.

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 123. (Nota do trad.)

É necessário acrescentar uma explicação impor- tante.

Empregando a linguagem figurada, como se fez em A Doutrina Secreta, as analogias e comparações são muito frequentes.

Como regra, a palavra Trevas, por exemplo, aplica-se somente à totalidade desconhecida ou Absoluto.

Em contraste com as Trevas eternas, o Pri- meiro Logos é certamente Luz; e em contraste com o se- gundo ou o terceiro, o Logos Manifestado, o primeiro é Trevas, e os outros são Luz.

Sloka (3) AS “TREVAS” IRRADIAM LUZ, E A LUZ EMITE UM RAIO SOLITÁRIO NAS ÁGUAS, DEN- TRO DAS PROFUNDEZAS DA MÃE.

O RAIO ATRA- VESSA O OVO VIRGEM; FAZ O OVO ETERNO ES- TREMECER, E DESPRENDE O GERME NÃO ETERNO (periódico) QUE SE CONDENSA NO OVO DO MUNDO.

P. 1) Por que se diz que a Luz emite um raio soli- tário dentro das águas, e como este raio é representado em relação com o Triângulo?        R. 1) Não obstante que muitos Raios possam pa- recer existir neste plano, quando são retraídos à sua fonte original, eles finalmente serão decompostos em uma uni- dade, como as sete cores prismáticas, as quais procedem todas do, e se decompõem no único raio branco.

Do mes- mo modo, este Raio uno solitário se desenvolve nos sete raios (e suas inumeráveis subdivisões) apenas no plano da ilusão.

Ele é representado relacionado com o Triân- gulo devido a que o Triângulo é a primeira figura geomé- trica perfeita.

Como disse Pitágoras, e é dito também na Estância, o Raio (a Mônada pitagórica) descendo do “não    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 117. (Nota do trad.) lugar” (Aloka), lança-se como uma estrela cadente atra- vés dos planos do “não ser” no primeiro mundo do ser, dando origem ao Número Um; então, ramificando-se, à direita produz o Número Dois; voltando-se novamente sobre si para formar a linha de base, gera o Número Três, e daí ascende novamente até o Número Um, e finalmente desaparece ali, para entrar nos reinos do “não ser”, como demonstrou Pitágoras.

P. 2) Por que deveriam os ensinamentos pitagó- ricos ser encontrados nas antigas filosofias da Índia?        R. 2) Pitágoras extraiu seus ensinamentos da Índia, e nos livros antigos encontramos que se fala dele como o Yavanacharya, ou Instrutor grego.

Vemos assim que o Triângulo é a primeira diferenciação; no entanto, todos os seus lados são delineados pelo Raio único.

P. 3) O que realmente se quer dizer com o termo “planos do ‘não ser’”?         R. 3) Quando se usa a frase “planos do ‘não ser’” devemos recordar que estes planos para nós são apenas esferas do “não ser”, mas para as inteligências superiores a nós são esferas do ser e da matéria.

Os mais elevados Dhyan-Chohans do Sistema Solar podem não ter nenhu- ma ideia do que existe nos sistemas mais elevados, isto é, no segundo plano “setenário” cósmico, o qual, para os Seres do sempre invisível Universo, é inteiramente sub- jetivo.

Sloka (4) (Então) OS TRÊS (triângulo) CAEM NO QUATRO (quaternário). A ESSÊNCIA RADIANTE

PASSA A SER SETE INTERIORMENTE E SETE EX- TERIORMENTE.

O OVO LUMINOSO (Hiranyagar- bha), QUE É TRÊS EM SI MESMO (as três hipóstases de Brahmā, ou Vishnu, os três “Avasthās”), COAGULA- SE E SE ESPALHA EM COÁGULOS BRANCOS COMO O LEITE POR TODA A EXTENSÃO DAS PROFUNDE- ZAS DA MÃE: A RAIZ QUE CRESCE NOS ABISMOS DO OCEANO DA VIDA.

P. 1) É a “Essência Radiante” o mesmo que “Ovo luminoso”? Qual é a Raiz que cresce no oceano da vida?         R. 1) A essência radiante, o luminoso ou Dourado Ovo de Brahmā, ou de novo, Hiranyagarbha, são idên- ticos.

A Raiz que cresce no Oceano da Vida é a potencia- lidade que transforma em matéria objetiva diferenciada o germe universal, subjetivo, ubíquo, e, no entanto, ho- mogêneo, ou a eterna essência que contém em si a potên- cia da natureza abstrata.

O Oceano da Vida é, de acordo com um termo da Filosofia Vedanta, se não me engano, a “Vida Una”, Paramātmā, quando se quer indicar a Alma Suprema; e Jīvātmā, quando falamos do “alento de vida” físico ou animal, ou, por assim dizer, a alma diferencia- da; em suma, aquela vida que dá origem ao átomo e ao Universo, à molécula e ao homem, ao animal, à planta e ao mineral.

“A Essência Radiante se coagula e se expande através dos abismos do Espaço”. De um ponto de vista astronômico, isto é fácil de explicar: é a Via Láctea, o ma- terial do mundo, ou a matéria primordial em sua forma primitiva.

A Doutrina Secreta, Vol I, p. 125. (Nota do trad.)         P. 2) A Essência Radiante, a Via Láctea, ou ma- téria do mundo se decompõe em átomos ou é não atô- mica?         R. 2) Em seu estado pré-cósmico, naturalmente, não é atômica, se por átomos você quer dizer moléculas; porque o átomo hipotético, um simples ponto matemá- tico, não é material ou aplicável à matéria, tampouco à substância.

O verdadeiro átomo não existe no plano ma- terial.

A definição de um ponto, como tendo uma deter- minada posição, não deve ser tomada, em Ocultismo, no sentido corrente de lugar; já que o verdadeiro átomo está além do tempo e do espaço.

A palavra molecular é em verdade aplicável a nosso globo e a seu plano somente; uma vez dentro dele, mesmo nos outros globos de nossa cadeia planetária, a matéria se encontra numa condição totalmente diferente e não molecular.

O átomo, em seu estado eterno, é invisível mesmo aos olhos de um Arcan- jo; e se torna visível para este último apenas periodica- mente, durante o ciclo de vida.

A partícula, ou molécula, não é, mas existe periodicamente e, portanto, é conside- rada uma ilusão.

A matéria do mundo anima a si mesma através dos vários planos e não se pode dizer que se converta em estrelas ou que se torne molecular, até alcançar o plano de existência do Universo visível ou objetivo.

P. 3) Em Ocultismo, pode-se dizer que o éter é molecular?       R. 3) Depende totalmente do que se quer dizer com o termo.

Em seus estratos inferiores, onde se fun- de com a luz astral, ele pode ser chamado de molecular

em seu próprio plano; mas não para nós.

Mas o éter do qual a ciência suspeita a existência é a manifestação mais densa do Akāsha, embora, em nosso plano, para nós mortais, seja o sétimo princípio da luz astral, e três graus mais elevados que a “matéria radiante”. Quando penetra algo ou anima algo, pode ser que seja molecular, porque assume a forma deste último, e seus átomos animam as partículas desse “algo”. Talvez possamos dizer que maté- ria é “éter cristalizado”.

P. 4) Mas, de fato, o que é um átomo?         R.4) Um átomo pode ser comparado (e isso é para o ocultista) com o sétimo princípio de um corpo, ou melhor, de uma molécula.

A molécula física ou quí- mica é composta de uma infinidade de moléculas mais finas, e estas, por sua vez, em inumeráveis e ainda mais finas moléculas.

Tomemos, por exemplo, uma molécula de ferro, e depois a reduzamos até se tornar não molecular; então, imediatamente, ela se transforma em um dos sete princípios, isto é, seu corpo astral; o sétimo destes é o átomo.

A analogia entre uma molécula de ferro antes e depois de ser dissolvida é a mesma que a analogia entre um corpo físico antes e depois da morte.

Os princípios permanecem, menos o corpo.

Naturalmente, isto é alqui- mia oculta, não química moderna.

P. 5) Qual é o significado das frases alegóricas “o bater do oceano (ou a “malaxação dos oceanos) e a “vaca da abundância” dos hindus, e que correspondên- cia existe entre elas e a “guerra no céu”?        R. 5) Um processo que começa no estado de “não

ser” e termina no encerramento do Mahā-Pralaya di- ficilmente pode ser explicado com poucas palavras ou mesmo em volumes.

É simplesmente uma representação alegórica das inteligências primárias invisíveis e desco- nhecidas, os átomos da ciência oculta, o próprio Brahmā sendo chamado Anu ou o Átomo, que modela ou diferen- cia o oceano sem praias da radiante essência primordial.

A relação entre “o bater do oceano” e a “guerra no céu” é um tema muito vasto e abstruso de se tratar.

Para dizê-lo em seu aspecto simbólico mais inferior, esta “guerra no céu” continua na eternidade.

Diferenciação é contraste, o equilíbrio dos contrários: e enquanto isso existir, haverá “guerra” ou luta.

Naturalmente que existem diferentes etapas ou aspectos desta guerra: como, por exemplo, a astronômica e a física.

Para todos e para tudo que nasce em um Manvantara, há “guerra no céu” e também na Terra: para os catorze Manus Raiz e Semente que pre- sidem nosso ciclo manvantárico e para as incontáveis Forças, humanas e outras, que deles procedem.

Há uma perpétua luta de ajuste, porque tudo tende a harmoni- zar-se e equilibrar-se; de fato, deve ser assim, antes que possa assumir uma forma qualquer.

Os elementos dos quais somos formados, as partículas de nossos corpos, estão em contínua guerra, um atropelando o outro e mu- dando a cada instante.

Quando do “bater do oceano” pe- los deuses, vieram os Nagas e alguns roubaram a Amrita – a água da Imortalidade – e então surgiu a guerra entre os deuses e os Asuras, os não deuses, e os deuses foram vencidos.

Isto se refere à formação do Universo e à dife- renciação da matéria primordial.

Porém, deve ser recor- dado que este é apenas o aspecto cosmológico, um dos sete significados.

A “guerra no céu” tem também uma

imediata referência com a evolução do princípio intelec- tual da humanidade.

Esta é uma chave metafísica.

P. 6) Por que nas Estâncias são usados tantos números e qual é realmente o segredo de eles serem tão livremente usados nas Escrituras mundiais – na Bíblia e nos Purānas, por Pitágoras e pelos Sábios ários?        R. 6) Balzac, o inconsciente ocultista da literatura francesa, diz em algum lugar que: “o Número é para a Mente, o mesmo que para a matéria, um agente incom- preensível”. Mas eu responderia: talvez seja assim para o profano, nunca para a mente de um Iniciado.

O Número é, como o grande escritor pensou, uma Entidade, e ao mesmo tempo, um Alento (Sopro) que emana daquilo que ele chamou de Deus e que nós chamamos o TODO; o Alento único que pôde organizar o Cosmos físico, “onde nada obtém sua forma, a não ser através da Deidade, que é um efeito do Número”.34 – “Deus geometriza”, diz Platão.

P. 7) Em que sentido os números podem ser cha- mados Entidades?        R. 7) Quando queremos dizer Entidades inteli- gentes; quando são considerados simplesmente como dígitos, naturalmente, não são Entidades, mas somente sinais simbólicos.

P. 8) Por que se diz que a essência radiante se transforma em sete internamente e sete externamente?        R. 8) Porque ela tem sete princípios no plano do manifestado e sete no do imanifestado.

Argumentem

A Doutrina Secreta, Vol I, p. 125. (Nota do trad.) sempre baseados na analogia e apliquem o axioma ocul- to: “Como é acima é embaixo”.

P. 9) Mas os planos do “não ser” são também se- tenários?        R. 9) Sem dúvida.

Aquilo que A Doutrina Secreta se refere como os planos não manifestados são planos imanifestados ou planos do “não ser” apenas do ponto de vista do intelecto finito; para as inteligências superiores seriam planos manifestados e assim até a infinitude, a analogia sempre se mantendo.

Reunião realizada na Rua Lansdowne, nº 17, Londres, W., no dia 28 de fevereiro de 1889, sob a presidência do Sr. W. Kingsland.

ESTÂNCIA III [continuação]

Sloka (5) A RAIZ PERMANECE, A LUZ PER- MANECE, OS COÁGULOS PERMANECEM E, NO EN- TANTO, OEAHOO UNO.

P. 1) O que se quer significar quando se diz que estes “permanecem”?        R. 1) Significa simplesmente que qualquer que seja a pluralidade da manifestação, ainda assim tudo é uno.

Em outras palavras, estes são diferentes aspectos do elemento uno; isso não significa que permaneçam sem diferenciação.

“Os coágulos são a primeira diferenciação; e também se           referem, provavelmente, àquela matéria cósmica que se           supõe ser a origem da Via Láctea (a matéria que conhe-           cemos). Esta matéria que, segundo a revelação recebi-           da dos primitivos Dhyāni-Buddhas, é, durante o sono           periódico do Universo, da máxima tenuidade que pode           perceber a vista do Bodhisattva perfeito; esta matéria,           radiante e fria36, dissemina-se pelo Espaço ao primeiro           despertar do movimento cósmico, aparecendo, quando           olhada da Terra, em forma de aglomerados e saliências,        A Doutrina Secreta, Vol I, p. 126. (Nota do trad.)        No original em inglês radical and cool . (Nota do trad.)

à maneira de coágulos de leite.

São as sementes dos           mundos futuros, o ‘material das Estrelas’.”

P. 2) Devemos supor que a Via Láctea é compos- ta de matéria em um estado de diferenciação que não é aquele com o qual estamos familiarizados?         R. 2) Acredito plenamente nisso.

É o depósito dos materiais com os quais se produzem as estrelas, os pla- netas e os outros corpos celestes.

A matéria nesse estado não existe sobre a Terra; mas a que já está diferenciada e que se encontra sobre a Terra está também nos outros planetas e vice-versa.

Mas entendo que antes de chegar aos planetas, a partir de sua condição na Via Láctea, a matéria deve primeiro passar por muitas etapas de dife- renciação.

Por exemplo, a matéria dentro do Sistema So- lar se encontra em um estado completamente diferente daquele que está fora ou além do Sistema.

P. 3) Existe uma diferença entre a Nebulosa e a Via Láctea?        R.3) A mesma, eu diria, que existe entre uma es- trada e as pedras e o barro que há nessa estrada.

Deve haver, naturalmente, uma diferença entre a matéria da Via Láctea e a das várias Nebulosas, e estas devem, por sua vez, diferenciar-se entre si. Mas em todos os seus cálculos e medidas é necessário considerar que a luz por meio da qual são vistos os objetos é uma luz refletida, e que a ilusão ótica causada pela atmosfera terrestre torna impossível que cálculos das distâncias, etc., sejam abso- lutamente corretos, além do fato de que ela altera total- mente as observações da matéria da qual estão compos-        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 127. (Nota do trad.)

tos os corpos celestes, já que é passível de impor sobre nós uma condição semelhante à da Terra.

De qualquer forma, isso é o que nos ensinam os MESTRES.

Sloka (6) A RAIZ DA VIDA ESTAVA EM CADA GOTA DO OCEANO DA IMORTALIDADE (AMRITA) E O OCEANO ERA LUZ RADIANTE, QUE ERA FOGO, CALOR E MOVIMENTO.

AS TREVAS SE DESVANECE- RAM, E NÃO EXISTIRAM MAIS: SUMIRAM EM SUA PRÓPRIA ESSÊNCIA, O CORPO DE FOGO E ÁGUA, DO PAI E DA MÃE.

P. 1) Quais são os vários significados do termo “fogo” nos diferentes planos do Cosmos?         R. 1) O Fogo é o mais místico dos cinco elemen- tos, e também o mais divino.

Portanto, dar uma explica- ção de seus vários significados apenas em nosso plano, deixando todos os outros planos fora de questão, seria demasiado árduo, além de ser totalmente incompreen- sível para a vasta maioria.

O fogo é o pai da luz, a luz é pai do calor e do ar (ar vital). Se podemos nos referir à deidade absoluta como sendo Trevas ou o Fogo Escuro, a Luz, sua primeira progênie, é verdadeiramente o pri- meiro deus autoconsciente.

O que é a luz em sua raiz pri- mordial, senão a divindade doadora de vida que ilumina o mundo? A luz é aquilo que a partir de uma abstração converteu-se numa realidade.

Ninguém jamais viu a Luz verdadeira ou primordial; o que vemos são apenas seus raios quebrados ou reflexos, que se tornam cada vez mais densos e menos luminosos à medida que descem na for- ma e na matéria.

Fogo, portanto, é um termo que abarca    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 127. (Nota do trad.) TUDO.

O Fogo é a deidade invisível, “o Pai”, e a Luz que se manifesta é Deus, o Filho”, e também o Sol.

O fogo, no sentido oculto, é éter, e o éter nasce do movimento, e o movimento é o Fogo escuro, eterno e invisível.

A luz põe em movimento e controla toda a Natureza, desde o mais elevado éter primordial até as mais diminutas moléculas do Espaço.

O MOVIMENTO é eterno per se, e no Cosmos manifestado é o Alfa e o Ômega daquilo que se chama eletricidade, galvanismo, magnetismo, sensação (moral e física), pensamento e até vida neste plano.

Portanto, o fogo, em nosso plano, é simplesmente a manifestação do movimento, ou Vida.

Os rosa-cruzes se referiam a todos os fenômenos cósmicos como a “geometria animada”. Toda função po- lar é apenas uma repetição da “polaridade primária”, diziam os filósofos do Fogo, porque o movimento gera calor, e o éter em movimento é calor.

Quando o movi- mento decai, então se gera o frio, porque “o frio é éter em uma condição latente”. Assim, os principais estados da Natureza são três positivos e três negativos, sintetiza- dos pela luz primitiva.

Os três estados negativos são: (1) Trevas; (2) Frio; (3) Vazio.

Os três positivos são: (1) Luz (em nosso plano); (2) Calor; (3) Toda a Natureza.

Por- tanto, pode-se dizer que o Fogo é a unidade do Universo.

O Fogo cósmico puro (sem combustível, digamos assim) é a Deidade em sua universalidade; porque o fogo cósmi- co ou calor criador é todo átomo de matéria na Natureza manifestada.

Não existe no Universo uma coisa ou partí- cula que não contenha em si fogo latente.

P. 2) Então, o fogo pode ser considerado como o primeiro Elemento?

R.2) Quando dizemos que o fogo é o primeiro dos Elementos, é o primeiro somente no Universo visível, o fogo que comumente conhecemos.

Mesmo nos planos mais elevados de nosso Universo, o plano do Globo A ou G, o fogo é, em um aspecto, apenas o quarto elemento.

Os ocultistas, os rosa-cruzes da Idade Média e mesmo os cabalistas medievais diziam que para nossa percepção humana e até para a dos mais elevados “anjos”, a Deida- de universal é Trevas, e destas Trevas emana o Logos nos seguintes aspectos: (1) Peso [o Caos, que se converte em éter em seu estado primordial]; (2) Luz; (3) Calor; (4) Fogo.

P. 3) Em que relação acha-se o Sol, a mais eleva- da forma de Fogo que reconhecemos, com o Fogo como a senhora o explicou?         R. 3) O Sol, como está em nosso plano, não é nem mesmo fogo “Solar”. O Sol que vemos não dá nada de si, porque é um reflexo; um feixe de forças eletromagné- ticas, uma das incontáveis miríades de “Nós de Fohat” Fohat é chamado “o fio da Luz primeva”, de fato, “a Bola do fio de Ariadne neste labirinto de matéria caótica.

Este fio corre através dos sete planos, atando-se em nós39. Sendo cada plano um setenário, há, portanto, quarenta e nove forças místicas e físicas, os nós mais amplos for- mando estrelas, sóis e sistemas, os menores, os planetas, e assim por diante.

P. 4) Em que sentido o Sol é uma ilusão?        R. 4) O nó eletromagnético de nosso Sol não é tangível nem dimensional, nem mesmo tão molecular

No original em inglês: “Knots”, plural de nó. (Nota do trad.) como a eletricidade que conhecemos.

O Sol absorve, “psiquisa”40 e “vampiriza” os que dependem dele dentro do Sistema.

Fora isso, não dá nada de si mesmo.

Portan- to, é um absurdo dizer que os fogos solares estão sendo consumidos e que vão se extinguindo gradualmente.

O Sol tem apenas uma função característica: dar o impulso vital a tudo o que respira e vive sob sua luz.

O Sol é o co- ração palpitante do Sistema; sendo cada batida um im- pulso.

Mas este coração é invisível; nenhum astrônomo jamais o verá.

Aquilo que está oculto neste coração e o que nós percebemos e vemos, sua chama e fogos aparen- tes, para usar um símile, são os nervos que governam os músculos do Sistema Solar, e nervos, além do mais, fora do corpo.

Este impulso não é mecânico, mas um impulso nervoso puramente espiritual.

P. 5) Que conexão tem o “peso”, no sentido que a senhora usa, com a gravidade?        R. 5) Por “peso” queremos dizer a gravidade no sentido oculto de atração e repulsão.

É um dos atribu- tos da diferenciação e é uma propriedade universal.

Por meio da atração e da repulsão entre matéria em vários estados, é possível, na maioria dos casos, explicar (en- quanto que a “lei da gravidade” é insuficiente para fazê-lo) a relação que assumem as caudas dos cometas quando se aproximam do Sol: vendo que atuam visivel- mente de forma contrária a esta hipótese.

P. 6) Nesta relação, qual é o significado de “Água”?       R. 6) Como a Água, segundo seu peso atômico, é composta de 1/9 parte [uma nona parte] de Hidrogênio    No original em inglês: psychizes.

(Nota do trad.) (um gás muito inflamável, como você sabe, e não se en- contra nenhum corpo orgânico que não o contenha), e de 8/9 [oito nonas] de Oxigênio (o qual produz combustão quando é combinado rapidamente demais com qualquer corpo), o que pode ela ser senão uma das formas da força primordial ou fogo em uma forma fria, latente ou fluídi- ca? O Fogo tem com a Água a mesma relação que o Espí- rito com a Matéria.

Sloka (7) VÊ, Ó LANU! O RADIANTE FILHO DOS DOIS, A GLÓRIA REFULGENTE E SEM PAR: O ESPAÇO LUMINOSO, FILHO DO ESPAÇO ESCURO, QUE SURGE DAS PROFUNDEZAS DAS GRANDES ÁGUAS SOMBRIAS.

É O OEAOHOO, O MAIS JOVEM, O *** (“Que tu conheces agora como Kwan-Shai-Yin.”) ELE BRILHA COMO O SOL.

É O RESPLANDECENTE DRAGÃO DIVINO DA SABEDORIA.

O EKA (um), É CHATUR (quatro), E CHATUR TOMA PARA SI TRÊS, E A UNIÃO PRODUZ O SAPTA (sete), NO QUAL ES- TÃO OS SETE QUE VÊM A SER OS TRIDASA (os três vezes dez), AS HOSTES E AS MULTIDÕES.

CONTEM- PLA-O LEVANTANDO O VÉU E DESDOBRANDO-O DE ORIENTE A OCIDENTE.

ELE OCULTA O ACIMA, E DEIXA VER O ABAIXO COMO A GRANDE ILUSÃO.

ASSINALA OS LUGARES PARA OS RESPLANDECEN- TES (estrelas) E CONVERTE O SUPERIOR (espaço) NUM OCEANO DE FOGO SEM PRAIAS, E O UNO MA- NIFESTADO (elemento) NAS GRANDES ÁGUAS.

Kwan-Shai-Yin e Kwan-Yin são sinônimos de Fogo e Água.

As duas deidades em sua manifestação pri-

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 128, 129. (Nota do trad.) mordial são a díade ou deus dual, de natureza bissexual, Purusha e Prakriti.

P. 1) Quais são os termos que correspondem aos três Logoi entre as palavras Oeaohoo, o mais jovem; Kwan-Shai-Yin; Kwan-Yin; Pai-Mãe; Fogo e Água; Es- paço Radiante e Espaço Escuro?        R. 1) Cada um deve resolver isso por si mesmo; “Kwan-Shai-Yin assinala os lugares para os resplande- centes, as estrelas, e converte o espaço superior em um mar de fogo sem praias, e o uno manifestado nas gran- des Águas”. Meditem bem nisto.

O Fogo representa o Espírito oculto, a Água é sua progênie, ou umidade, ou os elementos criadores aqui sobre a Terra, a crosta ex- terna, e, interiormente, os princípios evolucionantes ou criadores, ou os princípios mais internos.

Os ilusionistas provavelmente diriam “acima”.

P. 2) O que é o véu que Oeaohoo, o mais jovem, levanta de Oriente ao Ocidente?        R. 2) O véu da realidade.

É a cortina que desapa- rece para mostrar ao espectador as ilusões no cenário da Existência, a cena e os atores, em uma palavra, o univer- so de MĀYĀ.

P. 3) O que é o “espaço superior” e “o oceano sem praias de fogo”?       R.3) O “espaço superior” é o espaço “interno”, embora pareça paradoxal, porque na infinitude não exis- te nem acima nem abaixo; mas os planos se seguem um ao outro e se solidificam de dentro para fora.

De fato, é o Universo como aparece ao sair de seu estado laya ou

“zero”, uma expansão sem praias do espírito, ou “oceano de fogo”.

P. 4) As “Grandes Águas”são as mesmas que aquelas sobre as quais se moviam as Trevas?         R. 4) É incorreto neste caso falar de Trevas “que se movem”. As Trevas Absolutas, ou o Eterno Desconhe- cido, não podem ser ativos, e mover-se é ação.

Inclusive, no Gênesis, se diz que as Trevas estavam sobre a super- fície do abismo, mas que o que se movia sobre a super- fície das águas era o “Espírito de Deus”. Esotericamente isto significa que no início, quando a Infinitude não tinha forma, e o Caos, ou o Espaço exterior, era ainda vazio, havia apenas trevas (isto é, Kalahamsa Parabrahman). Então, na primeira irradiação do amanhecer, o “Espírito de Deus” (depois que foram irradiados o Primeiro e o Se- gundo Logos), o Terceiro Logos, ou Narayan, começou a mover-se sobre a superfície das Grandes Águas do “Abis- mo”. Portanto, a pergunta, para ser correta, se não clara, deveria ser: “As Grandes Águas são o mesmo que as Tre- vas das quais se fala?” A resposta então seria afirmativa.

Kalahamsa tem um duplo significado.

Exotericamente é Brahmā que é o Cisne, a “Grande Ave”, o veículo no qual as Trevas se manifestam à compreensão humana como luz, e este Universo.

Mas, esotericamente, são as mesmas Trevas, o Incognoscível Absoluto que é a Fonte, primeiro da irradiação chamada o Primeiro Logos; depois, de seu reflexo, a Aurora, ou o Segundo Logos, e, finalmente, de Brahmā, a Luz manifestada, ou Terceiro Logos.

Recor- demos que sob esta ilusão de manifestação, que vemos e sentimos, e que, como imaginamos, chega à percepção de nossos sentidos, é pura e simplesmente aquilo que

não ouvimos, nem vemos, nem sentimos, nem prova- mos, nem tocamos.

É apenas uma ilusão grosseira e nada mais.

P. 5) Voltando a uma pergunta anterior, em que sentido pode a eletricidade ser chamada de uma “enti- dade”?        R. 5) Somente quando nos referimos a ela como Fohat, sua Força Primordial.

Em realidade, existe so- mente uma força, que no plano de manifestação nos apa- rece em milhões e milhões de formas.

Como foi dito, tudo procede do único fogo universal primordial, e a eletrici- dade é, em nosso plano, um dos aspectos mais abran- gentes desse fogo.

Tudo contém, e é, eletricidade, desde a urtiga que arde até o raio que mata, desde a faísca no seixo até o sangue no corpo.

Mas a eletricidade que se vê, por exemplo, em uma lâmpada elétrica, é uma coi- sa totalmente distinta de Fohat.

A eletricidade é a causa do movimento molecular no Universo físico e, portanto, também aqui na Terra.

É um dos “princípios” da maté- ria; porque como é gerada em toda alteração de equilí- brio, converte-se, por assim dizer, no elemento kāmico do objeto no qual ocorre tal alteração.

Assim, Fohat, a causa primeva desta força em seus milhões de aspectos, e como a soma total da eletricidade cósmica universal, é uma entidade.

P. 6) Mas o que a senhora quer dizer com este termo: A eletricidade não é também uma entidade?        R. 6) Eu não a chamaria assim.

A palavra Enti- dade vem da raiz latina ens, que significa “ser”, do verbo ser”; portanto, tudo que não depende de outra coisa é

uma “entidade”, desde um grão de areia até Deus.

Mas em nosso caso, somente Fohat é uma entidade, tendo a eletricidade unicamente um significado relativo, se to- mada no sentido científico atual.

P. 7) Não é a eletricidade cósmica um filho de Fohat, e seus “Sete Filhos” não são entidades?        R. 7) Temo que não.

Falando do Sol, podemos chamá-lo uma Entidade, mas dificilmente diríamos que um raio de sol, que deslumbra nossos olhos, é também uma Entidade.

Os “Filhos de Fohat” são as várias Forças que têm a vida fohática ou vida elétrica cósmica em sua essência ou ser, e em seus vários efeitos.

Um exemplo: friccione o âmbar, uma Entidade Fohática – e ele dará origem a um “Filho” que atrairá a palha: desse modo, um objeto aparentemente inanimado e inorgânico manifesta vida! Mas friccionemos uma urtiga entre o polegar e o indicador e você também irá gerar um Filho de Fohat na forma de uma bolha.

Nestes casos, a bolha é uma Enti- dade, mas a atração que atrai a palha, dificilmente pode-se dizer que seja.

P. 8) Então, Fohat é eletricidade cósmica e o “Fi- lho” é também eletricidade?         R. 8) A eletricidade é o trabalho de Fohat, mas, como acabo de dizer, Fohat não é eletricidade.

Do ponto de vista oculto, os fenômenos elétricos muito frequente- mente são produzidos por um estado anormal das molé- culas de um objeto ou de corpos no espaço: a eletricidade é vida e é morte: a primeira sendo produzida pela har- monia; a segunda, pela desarmonia.

A eletricidade vital está sob as mesmas leis que a eletricidade cósmica.

A

combinação de moléculas em novas formas e a produção de novas correlações e alterações do equilíbrio molecular é, em geral, o trabalho de, e que gera, Fohat.

O princípio sintetizado, ou a emanação dos sete Logoi cósmicos, é benéfico apenas quando prevalece a harmonia.

Sloka (8) ONDE ESTAVA O GERME E ONDE ENTÃO SE ENCONTRAVAM AS TREVAS? ONDE ESTÁ O ES- PÍRITO DA CHAMA QUE ARDE EM TUA LÂMPADA, Ó, LANU! O GERME É AQUILO, E AQUILO É A LUZ; O BRANCO FILHO RESPLANDECENTE DO PAI OBSCURO E OCULTO.

P. 1) É o espírito da chama que arde na lâmpada de cada um de nós, nosso Pai Celestial ou Eu Superior?       R. 1) Nem um nem outro; a frase citada é apenas uma analogia e se refere à lâmpada verdadeira que se su- põe que o discípulo esteja usando.

P. 2) Os elementos são os corpos dos Dhyan- -Chohans, e o Hidrogênio, o Oxigênio, o Ozônio e o Ni- trogênio são os elementos primordiais neste plano de matéria?         R. 2) A resposta à primeira parte desta pergunta será encontrada ao se estudar o simbolismo de A Doutri- na Secreta.

Com relação aos quatro elementos citados, este é o caso; mas recordem que no plano superior o pró- prio éter volátil pareceria tão denso como o barro.

Todos os planos têm sua própria densidade de substância ou matéria, suas próprias cores, sons, dimensões de espaço, etc., que nos são inteiramente desconhecidos neste pla-

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 134. (Nota do trad.) no; e assim como na Terra temos seres intermediários, a formiga, por exemplo, uma espécie de entidade de tran- sição entre dois planos, assim também no plano supe- rior existem criaturas dotadas de sentidos e faculdades desconhecidos para os habitantes desse nosso plano.

Há uma notável ilustração de Elihu Vedder para os Quar- tetos [Rubaiyat] de Omar Khayyam, que sugere a ideia dos Nós de Fohat.

É a comum representação japonesa das nuvens, linhas simples que se encontram em forma de nós, tanto em pinturas como em gravuras.

É Fohat “o que faz os nós” e, de um ponto de vista, é a “matéria do mundo”.

P. 3) Se a Via Láctea é uma manifestação desta “matéria do mundo”, como é que ela não é vista em todo o céu?        R. 3) E por que não seria a parte mais contraí- da e, portanto, a mais condensada, a única que se vê? Esta se transforma em “nós” e passa pela etapa solar, as etapas cometária [relativo a “cometa”] e planetária, até converter-se finalmente em um corpo morto, ou uma lua.

Também há várias classes de sóis.

O Sol do Sistema Solar é um reflexo.

Ao final do Manvantara solar, ele co- meçará a ser cada vez menos radiante, dando cada vez menos calor, devido a uma mudança no Sol verdadeiro, do qual o Sol visível é um reflexo.

Após o Pralaya solar, em um Manvantara futuro, o Sol atual se converterá em um corpo cometário, mas certamente não durante a vida de nossa pequena cadeia planetária.

O argumento obtido de uma análise do espectro estelar não é sólido, porque não se leva em conta a passagem da luz através da poeira

cósmica.

Isto não quer dizer que não há diferença real no espectro das estrelas, mas que a reconhecida presença de ferro ou sódio em qualquer estrela particular pode ser devida à modificação dos raios de tal estrela pela poeira cósmica com a qual a Terra está rodeada.

P. 4) O poder perceptivo de uma formiga acerca das cores, por exemplo, não diferirá de nossos poderes de percepção, simplesmente devido a condições fisioló- gicas?        R. 4) Certamente a formiga pode apreciar os sons que nós captamos, mas ela também pode apreciar os sons que não ouvimos, e evidentemente a fisiologia não tem nada a ver com a matéria.

Nós e as formigas possuí- mos graus diferentes de percepção.

Nós estamos em uma escala superior de evolução, porém, comparativamente falando, somos como as formigas em relação ao plano superior.

P. 5) Quando a eletricidade é excitada ao se fric- cionar o âmbar, existe algo que corresponda a uma emanação do âmbar?        R. 5) Sim, existe: a eletricidade que está latente no âmbar existe em tudo o mais, e será encontrada ali se forem dadas as condições apropriadas para sua libe- ração.

Há um erro que se comete comumente e que na visão de um ocultista não pode haver erro maior.

É feita uma distinção entre o que vocês chamam objetos anima- dos e inanimados, como se sobre a Terra pudesse existir algo como um objeto perfeitamente inanimado!

Em realidade, mesmo aquilo que vocês chamam um homem morto está mais vivo do que nunca.

De um ponto de vista, a marca distintiva entre o que se chama orgânico e inorgânico é a função da nutrição, mas, se não houvesse nutrição, como poderiam sofrer mudanças os corpos chamados inorgânicos? Mesmo os cristais sofrem um processo de acréscimo, que para eles responde à fun- ção de nutrição.

Em realidade, como nos ensina a Filo- sofia Oculta, tudo o que muda é orgânico; tem em si o princípio vital e tem todas as potencialidades das vidas superiores.

Se, como dissemos, na Natureza tudo é um aspecto do elemento único, e a vida é universal, como podem existir coisas tais como os átomos inorgânicos?!

Reunião realizada na Rua Lansdowne, nº17, Londres, W., em 7 de março de 1889; sob a presidência do Sr. W. Kingsland.

ESTÂNCIA III [continuação]

Sloka (10) O PAI-MÃE TECE UMA TELA, CUJO EXTREMO SUPERIOR ESTÁ UNIDO AO ESPÍ- RITO (Purusha), A LUZ DA OBSCURIDADE ÚNICA, E O INFERIOR À MATÉRIA (Prakriti), SUA (do Espí- rito) EXTREMIDADE DE SOMBRAS; E ESTA TELA É O UNIVERSO, TECIDO COM AS DUAS SUBSTÂNCIAS COMBINADAS EM UMA, QUE É SVABHĀVAT.

P. 1) Espírito e Matéria são os extremos opos- tos da mesma Tela; Luz e Trevas, Frio e Calor, Vazio ou Espaço e plenitude de tudo o que existe são também opostos.

Em que sentido estes três pares de opostos es- tão associados ao Espírito e à Matéria?         R. 1) No sentido de que tudo o que existe no Uni- verso está associado ou com a Matéria ou com o Espírito, tomando-se como elemento permanente um dos dois ou ambos.

A Matéria pura é Espírito puro, e isso não pode ser compreendido, mesmo se admitido por nossos inte- lectos finitos.

Nem a Luz nem as Trevas, como efeitos óti- cos, são matéria; nem são espírito, mas são as qualidades daquela (matéria).

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 138. (Nota do trad.)        P. 2) Em que relação está o Ether com o Espírito e a Matéria?        R. 2) Façam uma diferença entre AEther e Ether, sendo o primeiro divino, e o último físico e infernal.

O Ether é o mais baixo na divisão setenária do Akāsha-Pra- dhāna, a primordial Substância-Fogo.

AEther-Akāsha é o quinto e sexto princípios do corpo do Cosmos – corres- pondendo assim a Buddhi-Manas no homem; o Ether é seu sedimento cósmico, que se mescla com a capa infe- rior da Luz Astral.

Começando com a quinta raça-raiz, se desenvolverá até a plenitude somente no começo da quinta ronda.

AEther é Akāsha em seu aspecto mais ele- vado.

E Ether-Akāsha, em seu aspecto mais inferior.

Por um lado, equivale ao Pai-Criador, Zeus, Pai AEther; e, por outro, é equivalente à Serpente-Tentadora infernal, a Luz Astral dos cabalistas.

Neste último caso, é matéria totalmente diferenciada; no primeiro, é somente matéria rudimentariamente diferenciada.

Em outras palavras, o Espírito converte-se em matéria objetiva; e a matéria objetiva converte-se novamente em Espírito subjetivo, quando escapa aos nossos sentidos metafísicos.

O AEther tem com o Cosmos e com a nossa Terra a mesma rela- ção que tem Manas com a Mônada e o corpo.

Portanto, o Ether não tem nada a ver com o Espírito, mas muitíssi- mo com a matéria subjetiva e com a nossa Terra.

P. 3) “Brahmā como ‘germe das Trevas desco- nhecidas’, é o material a partir do qual tudo evolucio- na e se desenvolve”. É um dos axiomas da lógica o fato de que é impossível para a mente acreditar em algo de que nada compreende.

Agora, se este “material” que é Brahmā não possui forma, então na mente não pode en-

trar nenhuma ideia com relação a isso, porque a men- te não pode conceber nada que não tenha forma.

É a “vestimenta” ou manifestação sob a forma de “Deus” a que podemos perceber, e é por meio desta e só por meio desta que podemos saber algo dele.

Portanto, qual é a primeira forma deste material que pode ser reconheci- da pela consciência humana?         R. 3) O seu axioma de lógica pode ser aplicado apenas ao Manas inferior, e é somente a partir da per- cepção de Kama-Manas que é possível argumentar.

Mas o Ocultismo ensina unicamente o que provém do conhe- cimento do Ego Superior ou Buddhi-Manas.

Porém, tra- tarei de responder segundo as linhas que lhe são fami- liares.

A primeira e única forma de matéria-prima que nossa consciência cerebral pode conhecer é um círculo.

Treine seu pensamento, antes de tudo, para um profun- do conhecimento de um círculo limitado, e expando-o gradualmente.

Logo chegará a um ponto em que, sem deixar de ser um círculo no pensamento, se converterá em infinito e ilimitado para suas percepções internas.

Este círculo é o que chamamos Brahmā, o germe, átomo ou anu: um átomo latente que compreende a infinitude e a Eternidade sem limites durante o Pralaya, um átomo ativo durante os ciclos de vida; mas um que não possui circunferência nem plano, somente uma expansão ilimi- tada.

Portanto, o Círculo é a primeira figura geométrica e o primeiro símbolo no mundo subjetivo, e converte-se em Triângulo no objetivo.

O Triângulo é a figura seguinte, depois do Círculo.

A primeira figura, o Círculo com o Ponto, em realidade não é uma figura; é simplesmente um germe primitivo, o primeiro que se pode imaginar no começo da diferen-

ciação; deve-se conceber o Triângulo logo que a matéria tenha ultrapassado o ponto zero ou Laya.

Brahmā é cha- mado um átomo, porque temos de imaginá-lo como um ponto matemático, o qual, no entanto, pode ser estendi- do até a absolutividade.

Nota bene, ele é o germe divino e não o átomo dos químicos.

Mas cuidado com a ilusão da forma.

Uma vez que vocês façam descer sua Deidade até a forma humana, vocês a limitam e condicionam, e eis que vocês criaram um deus antropomórfico.

Sloka (11) ELA (a Tela) EXPANDE-SE QUAN- DO O ALENTO DE FOGO (o Pai) ESTÁ SOBRE ELA; E SE CONTRAI QUANDO O ALENTO DA MÃE (a raiz da Matéria) A TOCA.

ENTÃO OS FILHOS (os Elementos com seus respectivos Poderes ou Inteligências) SE SE- PARAM E SE ESPALHAM, PARA VOLTAREM AO SEIO DE SUA MÃE NO FIM DO “GRANDE DIA”, TORNAN- DO-SE DE NOVO UNOS COM ELA.

QUANDO ELA (a Tela) ESFRIA, ELA SE TORNA RADIANTE, SEUS FI- LHOS SE DILATAM E SE RETRAEM DENTRO DE SI MESMOS E DE SEUS CORAÇÕES; ELES ABRANGEM O INFINITO.

P. 1) A palavra “expande-se” é usada aqui no sentido de diferenciar-se ou desenvolver-se, e “se con- trai” no de involucionar, ou estes termos referem-se ao Manvantara e ao Pralaya? Ou, de novo, a um cons- tante movimento vibratório da matéria do mundo ou átomos? Esta expansão e contração são simultâneas ou sucessivas?        R. 1) A Tela é a substância primordial sempre    A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 138, 139. (Nota do trad.) existente, (espírito puro no nosso conceito) o material do qual se desenvolve, ou se desenvolvem, o Universo ou os Universos objetivos.

Quando o alento de fogo ou Pai está sobre ela, expande-se; ou seja, que como material subjetivo ele é ilimitado, eterno e indestrutível.

Quan- do o sopro da Mãe a toca, ou seja, quando o momento de manifestação chega a ele tem que assumir uma for- ma objetiva, contrai-se, porque não existe uma coisa tal como uma forma material objetiva que seja ilimitada.

Ainda que a proposição de Newton de que toda partícula de matéria tem a propriedade de atrair outras partícu- las, seja em geral correta; e que a tese de Leibniz, de que todo átomo é em si um universo e atua por meio de sua força inerente, também seja verdade; entretanto, am- bas as proposições são incompletas.

Porque o homem é também um átomo, que possui atração e repulsão, e é o Microcosmo do Macrocosmo.

Porém, seria também ver- dade dizer que devido à força e à inteligência que estão nele, ele se move independentemente de qualquer outra unidade humana, ou que poderia atuar e mover-se, a me- nos que houvesse uma força e uma inteligência maiores que as próprias para permitir-lhe viver e mover-se nesse elemento superior de Força e Inteligência?         Um dos objetivos de A Doutrina Secreta é provar que os movimentos planetários não podem ser explica- dos de maneira satisfatória somente pela lei da gravida- de. Além da força que atua na matéria, há também uma força que atua sobre a matéria.

Quando falamos da modificação das condições de Espírito-Matéria (que em realidade é Força), e as chama- mos por vários nomes, tais como calor, frio, luz e trevas, atração e repulsão, eletricidade e magnetismo, etc., para

o ocultista estes são simplesmente nomes que expres- sam a diferença na manifestação da mesma Força única (sempre dual em sua diferenciação), mas não qualquer diferença específica de forças.

Pois todas estas diferenças no mundo objetivo resultam apenas das peculiaridades de diferenciação da matéria, sobre a qual atua a única força livre, auxiliada nisso por essa porção de sua essên- cia à qual chamamos força aprisionada, ou moléculas materiais.

O trabalhador no interior, a força inerente, tende sempre a unificar-se com sua essência Pai-Mãe no exterior; e assim, a Mãe atuando interiormente, faz com que a Tela se contraia; e o Pai, atuando de fora, faz com que se expanda.

A ciência chama isto de gravitação; para os ocultistas é o trabalho da Força-Vida universal, que se irradia dessa FORÇA Absoluta e Incognoscível que está além de todo Espaço e Tempo.

Esta é a tarefa da Eterna evolução e involução, ou expansão e contração.

P. 2) Qual é o significado da frase “a Tela es- friando” e quando isso acontece?        R. 2) Evidentemente que é ela mesma que está esfriando, e não algo fora dela.

Quando? Foi-nos dito que isso começa quando a força aprisionada e a inteligência inerente em todo átomo de matéria, tanto a diferenciada quanto a homogênea, chega a um ponto em que ambas se tornam obedientes a uma Força inteligente superior, cuja missão é a de guiá-las e modelá-las.

É a Força que chamamos a divina Livre-Vontade (Livre-Arbítrio), re- presentada pelos Dhyāni-Buddhas.

Quando as forças centrípeta e centrífuga da Vida e da existência estão sub- metidas à Força Una, inominada, a qual produz ordem

na desordem, e estabelece a harmonia no Caos – então começa a esfriar-se. É impossível informar com exatidão o tempo em um processo cuja duração é desconhecida.

P. 3) A forma é o resultado da interação das for- ças centrífuga e centrípeta na matéria e na Natureza?        R. 3) Foi-nos dito que toda forma é construída de acordo com o modelo para ela desenhado na Eternida- de e refletido na MENTE DIVINA.

Existem hierarquias de “Construtores da forma” e séries de formas e graus, desde a mais elevada até a mais ínfima.

Enquanto que as primeiras são moldadas sob a orientação dos “Constru- tores”, os deuses “Cosmocratores”, as últimas são mode- ladas pelos Elementais ou Espíritos da Natureza.

Como um exemplo disso, observem os estranhos insetos, alguns répteis e outras criaturas invertebradas, os quais imitam quase exatamente as folhas, as flores, os ramos cobertos de limo e outras coisas chamadas “ina- nimadas” não somente na cor, mas também na forma.

Devemos considerar a “seleção natural” e as explicações de Darwin como uma solução? Creio que não.

A teoria da seleção natural não é só totalmente inadequada para explicar esta misteriosa faculdade de imitação no reino da existência, como também proporciona um conceito inteiramente falso da importância da faculdade imitati- va, como “uma arma potente na luta pela vida”. E se esta faculdade imitativa for uma vez provada (coisa que pode acontecer facilmente), como algo que não se encaixa de forma alguma no esquema de Darwin; isto é, se for de- monstrado que seu uso, em conexão com a assim chama- da “sobrevivência do mais apto” é uma especulação que

não pode suportar uma análise severa, então, a que se pode atribuir a existência desta faculdade? Todos vocês já viram insetos que copiam/imitam, quase que com a fidelidade de um espelho, a cor e mesmo a forma exte- rior das plantas, folhas, flores, partes de pequenos ramos mortos, etc.

Isto não é uma lei, mas antes uma frequente exceção.

O que então, senão uma invisível inteligência fora do inseto, pode copiar com tal exatidão a partir dos originais maiores?

P. 4) Mas o Sr. Wallace não demonstra que tal imitação tem seu objetivo na Natureza? Que é justa- mente isso o que comprova a teoria da “seleção natural” e o instinto inato nas criaturas mais fracas de buscar segurança atrás da aparência emprestada de certos ob- jetos? Os insetívoros que não se alimentam de folhas e plantas deixarão desse modo a salvo de ataque um in- seto parecido com uma folha ou com um musgo.

Isso parece muito plausível.

R. 4) Muito plausível, realmente, se, além de fa- tos negativos, não houvesse uma evidência muito posi- tiva para demonstrar o inadequado da teoria da seleção natural para explicar o fenômeno da imitação.

Para que um fato se sustente, deve mostrar-se aplicável, se não universalmente, pelo menos sob as mesmas condições; exemplo: a correspondência e identidade de cores entre os animais de uma mesma localidade e o solo dessa re- gião seriam uma manifestação geral.

Mas o que podemos dizer do camelo do deserto, com sua vestimenta da mes- ma cor “protetora” das planícies em que vive, e da zebra, cujas intensas listras escuras não a podem proteger nas

abertas planícies da África do Sul, como admitia o mes- mo Sr. Darwin.

A ciência nos assegura que esta imitação da cor do solo encontra-se invariavelmente nos animais mais fracos, e, no entanto, encontramos o leão – que não pre- cisa temer nenhum inimigo mais forte do que ele no de- serto – com uma roupagem que dificilmente pode dis- tingui-lo das rochas e das planícies arenosas de onde vive! Pedem-nos para acreditar que esta “imitação de cores protetoras é originada pelo uso e o benefício que oferece ao imitador”, como “uma arma potente na luta pela vida”; e, contudo, a experiência diária nos mostra exatamente o contrário.

Assim, aponta para uma quanti- dade de animais nos quais as formas mais pronunciadas de faculdade imitativa (mimetização) são inteiramente inúteis, ou, pior ainda, prejudiciais e muitas vezes auto- destrutivas.

Que benefício, pergunto, é a imitação da fala humana para a pega45 e o papagaio, exceto o de levá-los a ser encerrados numa gaiola? Que utilidade tem para o macaco sua capacidade mímica, que traz tanta dor a muitos deles e, às vezes, grandes lesões corporais e au- todestruição; ou a um rebanho de mansas ovelhas, que seguem cegamente a seu guia, inclusive quando este cai em um precipício? Este desejo não reprimido (também de imitar seus líderes) levou mais de um desafortunado darwinista a fazer as mais incongruentes e absurdas de- clarações, ao buscar as provas para seu hobby favorito.

No original em inglês: magpie; “pegas” são aves da família corvi- dae (diferente da do corvo, que é “corvus”), incluindo o pega-rabu- da o branco e preto, que é uma das poucas espécies animais capazes de reconhecerem a si mesmas em um teste do espelho, também cha- mado pica-pica.

(Nota do trad.)

Assim, nosso amigo haeckeliano, Sr. Grant Allen, em sua obra a respeito do tema que se debate, fala de um certo lagarto indiano, abençoado com três grandes parasitas de diferentes espécies.

Cada um destes três imita perfei- tamente a cor da parte do corpo em que vive; o parasita do estômago dessa criatura é amarelo como o estômago; o segundo parasita, tendo escolhido seu habitat nas cos- tas, tem cores tão variadas como as lâminas (escamas) dorsais; enquanto que o terceiro parasita, tendo esco- lhido sua morada na cabeça marrom do lagarto, quase não se distingue dele pela cor.

Esta cuidadosa cópia das respectivas cores, diz o Sr. G. Allen, tem o propósito de proteger os parasitas do próprio lagarto.

Mas, segura- mente, este esforçado campeão da seleção natural não tem a intenção de dizer a seu público que o lagarto pode ver o parasita que está sobre sua própria cabeça! E, por último, que utilidade tem a cor vermelha brilhante para o peixe que vive entre os bancos de corais, ou para a dimi- nuta Ave do Paraíso, o colibri, cuja plumagem de matizes irisados imita todas as cores brilhantes da fauna e flora tropicais – exceto para torná-los mais perceptíveis?

P. 5) A que causas o Ocultismo atribuiria esta faculdade imitativa?        R. 5) A várias coisas.

No caso dessas raras aves tropicais e dos insetos tipo folha, a causa é atribuída aos primeiros elos intermediários, no primeiro caso entre o lagarto e o colibri, e no último, entre certas vegetações e o tipo de inseto.

Houve um tempo, há milhões de anos, em que tais “elos perdidos” eram numerosos em cada ponto do globo onde havia vida.

Porém, agora, estão se

tornando mais raros a cada ciclo e geração; na atualida- de, encontram-se somente em um limitado número de lugares e tais elos são relíquias do passado.

P. 6) A senhora poderia nos dar alguma explica- ção, do ponto de vista oculto, sobre a chamada “ Lei da Gravidade”?         R. 6) A ciência insiste em que entre os corpos a atração é diretamente proporcional à massa e inversa- mente proporcional ao quadrado da distância.

Entretan- to, os ocultistas têm dúvidas sobre se essa lei se sustenta com relação à totalidade da rotação planetária.

Conside- remos a primeira e a segunda lei de Kepler incluídas na lei de Newton, segundo diz Herschel46:

“... sob a influência de tal força de atração que faz com       que dois corpos esféricos se atraiam mutuamente, cada       um deles, ao mover-se na proximidade do outro, será       desviado em uma órbita côncava até o outro, e descreve-       rá – um ao redor do outro, considerando o outro como       fixo, ou os dois ao redor de seu centro comum de gra-       vidade – curvas cujas formas estão limitadas às figuras       que em geometria se conhecem com o nome geral de       seções cônicas.

Dependerá [...] das circunstâncias par-       ticulares de velocidade, distância e direção, qual destas       curvas será descrita, seja uma elipse, um círculo, uma       parábola, ou uma hipérbole; mas deve ser uma ou ou-       tra...”

A ciência diz que os fenômenos de movimento planetário resultam da ação de duas forças, uma cen- trípeta e a outra centrífuga, e que um corpo caindo ao    (Sir John F. W. Herschel, Treatise on Astronomy, New ed., Lon- dres, 1851; Cap.

VII, p. 237, 238. (Nota do comp.)

chão numa linha perpendicular à água parada, compor- ta-se assim devido à lei da gravidade ou força centrípeta.

Entre outras, é possível expressar as seguintes objeções apresentadas por um douto ocultista:

– Que a trajetória de um círculo é impossível no movi-      mento planetário.

– Que o argumento manifestado na terceira lei de Ke-      pler, ou seja, que “Os quadrados dos tempos periódicos      de dois planetas são proporcionais um ao outro, como      o cubo de suas distâncias médias do Sol”, – dá origem      ao curioso resultado de um permitido equilíbrio na ex-      centricidade dos planetas.

Agora, permanecendo inalte-      radas as ditas forças em sua natureza, isto pode surgir      apenas, como ele diz, “a partir da interferência de uma      causa estranha”.      – Que o fenômeno de gravitação ou “queda” não existe,      exceto como resultado de um conflito de forças.

Só pode      ser considerada como uma força isolada por meio de      uma análise mental ou separação.

Afirma ele, além dis-      so, que os planetas, os átomos e as partículas de matéria      não são atraídos mutuamente na direção de linhas retas      que unem seus centros, mas que são forçados mutua-      mente nas curvas de espirais que se fecham sobre o cen-      tro um do outro.

E também que a maré não é o resultado      da atração.

Tudo isso, como ele demonstra, resulta do      conflito entre as forças livres e as forças aprisionadas;      antagonismo, aparentemente; mas, em realidade, afini-      dade e harmonia.

“... Fohat, reunindo alguns aglomerados de      partículas da Matéria Cósmica (nebulosa), vai Impulsio-      ná-los e colocá-los de novo em movimento, desenvol-

vendo o calor necessário e deixando-o então seguir seu           próprio novo crescimento.”

P. 7) Deve Fohat ser entendido como sinônimo de força, ou daquilo que causa a cambiante manifestação da matéria? Se assim for, como se pode dizer que Fohat “o deixa seguir seu próprio novo crescimento”, quando todo desenvolvimento depende da força interior?        R. 7) Todo crescimento depende da força inte- rior, porque neste nosso plano é somente esta força que atua conscientemente.

A Força universal não pode ser considerada como consciente, no sentido em que com- preendemos a palavra consciência, porque se converte- ria imediatamente em um deus pessoal.

Apenas aquilo que está encerrado na forma, uma limitação da matéria, é que está consciente de si mesmo neste plano.

Não se pode dizer que esta Força Livre ou Vontade, que é ili- mitada e absoluta, atue compreensivamente, porém é a única e exclusiva Lei imutável da Vida e do Ser.

Portanto, fala-se de Fohat como do poder motor que sintetiza todas as forças vitais aprisionadas e como o meio entre a Força absoluta e a condicionada.

É um elo, assim como Manas é o elo de conexão entre a matéria densa do corpo físico e a divina Mônada que o anima, mas que não tem poder para atuar diretamente sobre a forma.

P. 8) Se a Força é uma unidade ou o Uno, que se manifesta em uma ilimitada variedade de maneiras, é difícil compreender o que se diz no Comentário que: “Existe calor interno e calor externo em cada átomo”;        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 139. (Nota do trad.)

isto é, o calor latente e o ativo ou o calor dinâmico e cinético.

Calor é o fenômeno de uma percepção da ma- téria, impulsionada pela força de uma maneira pe- culiar.

Portanto, o calor no plano físico é simplesmente matéria em movimento.

Se existe calor em um sentido mais interno e oculto que o calor físico, deve ser perce- bido por meio de sentidos mais elevados e mais inter- nos, em virtude de suas atividades em qualquer plano em que se manifeste.

Para esta percepção, são neces- sárias três condições: uma força que atua, uma forma sobre a qual tal força atua e aquilo que percebe a for- ma em movimento.

Os termos “latente”, “potencial” ou “dinâmico” são inaplicáveis ao calor, porque o calor, seja no primeiro ou no sétimo plano de consciência, é a percepção da matéria ou substância em movimento.

A discrepância entre a declaração acima mencionada e o ensinamento de A Doutrina Secreta é aparente ou real?         R. 8) Por que seria o calor, em qualquer outro plano que não seja o nosso, a percepção da matéria ou substância em movimento? Por que um ocultista deve- ria aceitar a condição (1) de uma força atuante; (2) uma forma sobre a qual atua a força; (3) aquilo que percebe a forma em movimento, como condições de calor? Assim como, à medida que os planos ascendem, a heterogenei- dade tende cada vez mais para a homogeneidade, assim também, no sétimo plano, a forma desaparecerá, não ha- verá nada sobre o que atuar, e a Força permanecerá em solitária grandeza, para perceber somente a si mesma; ou, segundo a fraseologia de Spencer, converter-se-á em “sujeito e objeto, o percebedor e o percebido”, os dois juntos.

Os termos que se usam não são contraditórios, mas símbolos tomados da ciência física para esclarecer

a ação e os processos ocultos à mente dos que estão trei- nados nessa ciência.

De fato, cada uma destas definições de calor e de força correspondem a um dos princípios do homem.

Os “centros de calor”, do ponto de vista físico, se- riam o ponto zero, porque são espirituais.

A palavra “percebido” é um tanto errônea, seria melhor dizer “sentido”. Fohat é o agente da lei, o repre- sentante dos Mānasa-putras, cuja coletividade é a men- te eterna.

P. 9) Na passagem de um globo ao Pralaya, ele permanece in situ [in loco], isto é, ainda formando parte de uma cadeia planetária e segue mantendo sua própria posição em relação aos outros globos? A disso- ciação por meio do calor desempenha algum papel na passagem de um globo ao Pralaya?        R. 9) Isto está explicado no Esoteric Buddhism.

Quando o globo de uma cadeia planetária entra em “obs- curecimento”, todas as qualidades, incluindo o calor, re- tiram-se de tal globo e permanecem in status quo, como a “Bela adormecida”, até que Fohat, o “Príncipe Encan- tado”, a desperta com um beijo.

P. 10) Fala-se dos filhos que se desagregam e se dispersam.

Isso parece estar em oposição à grande ação de “voltar ao seio de sua mãe” ao final do “Grande Dia”. A dissociação e a dispersão referem-se à formação do globo a partir da matéria do mundo universalmente es- pargida, que, em outras palavras, emerge do Pralaya?

R. 10) A dissociação e a dispersão referem-se ao Nitya Pralaya.

Este é um eterno e perpétuo Pralaya que ocorre sempre, desde quando houve globos e matéria di- ferenciada.

É simplesmente uma mudança atômica.

P. 11) O que se quer dizer com a expressão “se dilatam e se contraem dentro de si mesmos e em seus corações”, e como isso está relacionado com a última linha do Sloka “eles abarcam o infinito”?        R. 11) Isso já foi explicado.

Através de suas forças aprisionadas e inerentes, eles lutam coletivamente para unirem-se à força una universal ou força livre, ou seja, para abarcarem o Infinito, sendo infinita esta força livre.

P. 12) Qual é a relação entre eletricidade, mag- netismo físico ou animal e o hipnotismo?        R. 12) Se por eletricidade você se refere à ciência que revela neste plano os fenômenos e as Leis do fluido elétrico, sob dezenas de qualificativos ou substantivos, então responderei que não tem relação alguma.

Mas se você se refere à eletricidade que chamamos Fohática, ou intracósmica, então direi que todas estas formas de fenô- menos se baseiam nela.

Reunião realizada na Rua Lansdowne, nº 17, Londres, W., no dia 14 de março de 1889, sob a presidência do Sr. W. Kingsland.

ESTÂNCIA IV

Sloka (1) ESCUTAI, Ó FILHOS DA TERRA, OS VOSSOS INSTRUTORES, OS FILHOS DO FOGO.

SA- BEI QUE NÃO HÁ PRIMEIRO NEM ÚLTIMO; POR- QUE TUDO É UM NÚMERO QUE PROCEDE DO NÃO NÚMERO.

P. 1) Os Filhos do Fogo são os Raios do Terceiro Logos?        R. 1) Os “Raios” são os “Filho da Névoa de Fogo”, produzidos pela Terceira Criação, ou Logos.

Os reais “Filhos do Fogo” da Quinta Raça e Sub-raças são assim chamados simplesmente porque por sua sabedoria per- tencem ou estão mais próximos da hierarquia dos di- vinos “Filhos da Névoa de Fogo”, os mais elevados dos Chohans ou Anjos Planetários.

Mas os Filhos do Fogo, dos quais aqui se fala como se dirigindo aos Filhos da Terra, são, neste caso, os Instrutores-Reis que encarna- ram nesta Terra para instruírem a nascente Humanida- de. Como “Reis” eles pertencem às dinastias divinas das quais cada nação, Índia, Caldeia, Egito, Grécia homérica, etc.

conservou uma tradição ou um registro em uma for- ma ou outra.

O nome de “Filhos da Névoa de Fogo” era dado também aos antigos Hierofantes.

São certamente        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 140. (Nota do trad.)

subdivisões do Terceiro Logos.

São os Chohans do Fogo ou Anjos, os Anjos do Ether , do Ar e da Água e os Anjos da Terra.

Os sete Sephiroth inferiores são anjos terrenos e correspondem às sete hierarquias dos sete elementos, cinco dos quais são conhecidos e dois ainda desconheci- dos.

P. 2) Então, eles correspondem às Raças?        R. 2) Sim.

De outro modo, onde estariam as Ra- ças intelectuais com cérebros e pensamento, se não fosse por estas hierarquias que encarnaram nelas?

P. 3) Qual é a diferença entre estas várias Hie- rarquias?        R. 3) Em realidade, para aquele que vê além do véu da matéria ou ilusão, estes fogos não estão separa- dos, como não estão as almas ou mônadas.

Aquele que quer ser um ocultista não deve sepa- rar nem a si mesmo nem qualquer outra coisa do resto da criação ou não criação.

Pois, do momento em que ele se sente distinto mesmo de um veículo impuro, ele não estará em condições de unir-se a um veículo puro.

Deve pensar de si mesmo como de algo infinitesimal, nem se- quer como de um átomo individual, mas como parte dos átomos do mundo, como um todo, ou converter-se em uma ilusão, um ninguém, e desaparecer como um so- pro, não deixando nenhum rastro atrás.

Como ilusões, somos corpos separados e distintos, que vivemos dentro de máscaras proporcionadas por Māyā. Podemos ale- gar que um só átomo de nosso corpo é distinto de nós próprios? Tudo, do espírito à partícula mais diminuta é parte do todo, no melhor dos casos é um elo.

Rompam um único elo e tudo termina em aniquilação; mas isso

é impossível.

Há uma série de veículos que se tornam cada vez mais grosseiros, desde a matéria espiritual até a mais densa, de maneira que com cada passo para bai- xo ou para o exterior, o senso de separatividade em nós se desenvolve cada vez mais.

Entretanto, isto é ilusório, porque se houvesse uma separação real e completa entre dois seres humanos quaisquer, eles não poderiam se co- municar entre si e de nenhum modo poderiam compre- ender um ao outro.

O mesmo ocorre com estas hierarquias.

Por que deveríamos separar suas classes em nossas mentes, a não ser com o propósito de distingui-las no Ocultismo prático, o qual não é senão a forma inferior de Metafísi- ca aplicada.

Mas se você procura separá-las neste plano de ilusão, então tudo o que posso dizer é que entre estas Hierarquias existe o mesmo abismo de distinção como entre os “princípios” do Universo ou os do homem, se você preferir, e os mesmos “princípios” em um bacilo.

“Há uma passagem na Bhagavad-Gitā (Cap.

VIII) onde Krishna, falando simbólica e esotericamente, diz:

“‘Eu indicarei os tempos (condições) . . . em que os de-       votos, ao partirem [desta vida], o fazem para não vol-       tar jamais [a renascer], ou para voltar [a encarnar-se de       novo]. O fogo, a chama, o dia, a lua crescente, [a quin-       zena feliz], os seis meses do solstício do Norte, partindo       [morrendo] . . . neles, os que conhecem a Brahman [os       Iogues], vão a Brahman.

A fumaça, a noite, a lua min-       guante [a quinzena nefasta], os seis meses do solstício       do Sul [morrendo] . . . nestes, o devoto vai à esfera lunar       [também a Luz Astral], e volta [renasce]’.”

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p 141. (Nota do trad.)         P. 4) Qual é a explicação desta passagem?         R. 4) Significa que os devotos se dividem em duas classes: os que alcançam o Nirvāna na Terra, e o aceitam (para não nascerem de novo neste Mahakalpa, ou idade de Brahmā); e os que recusam este estado de bem- aven- turança, como o fizeram Buddha e outros.

“O Fogo, a Chama, a quinzena brilhante da Lua” são todos símbolos da mais elevada deidade absoluta.

Aqueles que morrem em tal estado de pureza vão até Brahman, isto é, têm direito a Moksha ou Nirvāna. Por outro lado, “A Fumaça, a Noite, a quinzena sombria, etc.”, todos simbolizam a matéria, a obscuridade da ig- norância.

Os que morrem em tal estado de purificação incompleta devem, naturalmente, renascer de novo.

So- mente o espírito imaculado homogêneo, absolutamen- te purificado, pode unir-se de novo à Deidade ou ir até Brahman.

Sloka (2) APRENDEI O QUE NÓS QUE DES- CENDEMOS DOS SETE PRIMORDIAIS, NÓS, QUE NASCEMOS DA CHAMA PRIMORDIAL, TEMOS APRENDIDO DE NOSSOS PAIS.

“Os primeiros ‘Primordiais’ são os Seres mais elevados           na Escola da Existência... “Os Primordiais procedem do           ‘Pai-Mãe’.”

P. 1) O Pai-Mãe é aqui sinônimo do Terceiro      Logos?        R. 1) Os primeiros sete primordiais nascem do Terceiro Logos.

Isto acontece antes que ele seja diferen-        A Doutrina Secreta, Vol.

I, p 142. (Nota do trad.)

ciado na Mãe, quando se converte em matéria primor- dial pura em sua primeira essência primária, potencial- mente Pai-Mãe.

A Mãe converte-se na mãe imaculada apenas quando a diferenciação entre espírito e matéria está completa.

De outro modo não existiria tal distinção.

Ninguém falaria do espírito puro como imaculado, por- que não pode ser de outro modo.

A mãe é, então, a maté- ria imaculada antes de sua diferenciação sob o sopro do Fohat pré-cósmico, quando se converte na “mãe imacula- da” do “Filho” ou o Universo manifestado, na forma.

É com este último que começa a hierarquia que terminará na Humanidade ou homem.

Sloka (3) DO RESPLENDOR DA LUZ – O RAIO DAS TREVAS ETERNAS – SURGIRAM NO ESPAÇO AS ENERGIAS DESPERTADAS DE NOVO (Dhyan- -Chohans): O UM DO OVO, O SEIS E O CINCO.

DEPOIS O TRÊS, O UM, O QUATRO, O UM, O CINCO, O DUPLO SETE, A SOMA TOTAL.

E ESTAS SÃO: AS ESSÊNCIAS, AS CHAMAS, OS ELEMENTOS, OS CONSTRUTORES, OS NÚMEROS, OS ARŪPA (sem forma), OS RŪPA (com corpos), E A FORÇA DO HOMEM DIVINO – A SOMA TOTAL.

E DO HOMEM DIVINO EMANARAM AS FOR- MAS, AS CENTELHAS, OS ANIMAIS SAGRADOS, E OS MENSAGEIROS DOS SAGRADOS PAIS (os Pitris) DENTRO DO SANTO QUATRO.

P. 1) A senhora poderia explicar estes números e dar o significado deles?        R. 1) Conforme dito no Comentário, na atualida- de não estamos envolvidos no processo, ou seja, que ele

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 143. (Nota do trad.) não pode, no momento, se tornar público.

Entretanto, al- gumas sugestões podem ser dadas.

Os rabinos chamam o Círculo (ou, como dizem alguns, o primeiro ponto dentro dele) Echod, o UM, ou Ain-Soph.

Em um plano inferior, o quarto torna-se Adam Kadmon, o sete manifestado e o dez imanifestado, ou a completa Árvore Sephirotal.

Por- tanto, os Sephiroth são o mesmo que os Elohim.

Ago- ra, o nome deste último, escrito em hebraico, Alhim, é composto de cinco letras; e estas letras em seus valores em numerais, sendo colocadas ao redor de um círculo, podem ser transmutadas à vontade, o que não acontece- ria caso fossem aplicadas a qualquer outra figura geomé- trica.

O círculo é interminável, isto é, não tem princípio nem fim.

Agora, a Cabala literal divide-se em três partes ou três métodos de leitura, dos quais a terceira é chama- da Temura ou permutação.

De acordo com certas regras, uma letra ou numeral é substituída por outra.

O alfabeto cabalístico é dividido em duas partes iguais, e cada letra ou numeral de uma parte corresponde a um número ou letra similar na outra.

Mudando alternativamente as le- tras, são obtidas vinte e duas (22) permutações ou com- binações, e este processo é chamado Tziruph.

Sloka (4) ESTE ERA O EXÉRCITO DA VOZ – O SETENÁRIO DIVINO, AS CENTELHAS DOS SETE ES- TÃO SUJEITAS AO/ E SÃO AS SERVAS DO/ PRIMEI- RO, SEGUNDO, TERCEIRO, QUARTO, QUINTO, SEX- TO E DO SÉTIMO DOS SETE.

ESTAS (as “centelhas”) SÃO CHAMADAS ESFERAS, TRIÂNGULOS, CUBOS, LINHAS E MODELADORES; POIS ASSIM SE MANTÉM O ETERNO NIDĀNA – O OI-HA-HOU (a permutação de Oeaohoo).52 				    A Doutrina Secreta Vol I, p. 146. (Nota do trad.)        P. 1) O que são os “Ventos-Vitais” citados no co- mentário da página 149 de A Doutrina Secreta, Vol I?        R. 1) Os Ventos-Vitais são os vários modos de ins- piração e expiração, mudando assim a polaridade do cor- po e os Estados de Consciência.

É uma prática de Yoga, mas cuidado para não tomar as obras exotéricas sobre Yoga literalmente.

Todos requerem uma chave.

P. 2) Qual o significado da frase do sloka 3, que começa: “As centelhas, ...”? (ver Sloka 4, acima)         R. 2) As centelhas significam os Raios tanto para a inteligência inferior como para as centelhas humanas ou Mônadas.

Refere-se ao círculo e aos dígitos, e equivale dizer que os números 3 1 4 1 5, como aparecem na página 144, Vol.

I), estão todos sujeitos à circunferência e ao di- âmetro do círculo.

P. 3) Por que se diz que Sarasvati (a deusa da fala) é também a deusa da sabedoria esotérica? Se a ex- plicação se encontra no significado da palavra Logos, por que então há uma diferença entre a mente imóvel e a fala móvel? A Mente equivale a Mahat, ou ao Manas Superior e Inferior?         R. 3) A questão é bem complexa.

Sarasvati, a deusa hindu, é o mesmo que Vāch, cujo nome significa a Fala e que é, esotericamente, o feminino de Logos.

A segunda pergunta parece bastante complicada.

Acredito que é porque o Logos ou a Palavra é chamado a sabedoria encarnada, “a Luz que brilha na escuridão”. A diferença reside entre o imóvel e eternamente imutável TODO, e a Fala ou Logos móvel, ou seja, o periódico e o manifesta- do. Pode referir-se à Mente Universal ou à mente indivi-

dual, a Mahat, ou a Manas superior, ou mesmo inferior, o Kama-Manas ou Mente-Cérebro.

Porque aquilo que é desejo, impulso instintivo no inferior, converte-se em pensamento no Superior.

O primeiro encontra expres- são nos atos; o segundo, nas palavras.

Esotericamente, o pensamento é mais responsável e punível que a ação.

Mas exotericamente acontece o contrário.

Portanto, segundo a lei humana corrente, castiga-se mais severamente um assalto que o pensamento ou intenção, isto é, a ameaça, enquanto que karmicamente é o contrário.

P. 4) “Deus Geometriza”, diz Platão, mas vendo que não existe um Deus pessoal, como é que o proces- so de formação se faz por Pontos, Linhas, Triângulos, Cubos, Círculos, e finalmente Esferas? E como, quando a esfera deixa a condição estática, a força inerente do Alento a faz dar voltas rapidamente?        R. 4) O termo “Deus” – a menos que se refira à Deidade Desconhecida ou Absolutividade, da qual difi- cilmente pode supor-se que esteja atuando de alguma maneira – nas filosofias antigas sempre significou o con- junto das Forças da Natureza ativas e inteligentes.

A pa- lavra “Floresta” é singular, entretanto é um vocábulo que expressa a ideia de milhares e mesmo milhões de árvores de diferentes classes.

Os materialistas podem optar por dizer “a Natureza”, ou, melhor ainda, “a Lei geometri- za” se assim preferirem.

Mas nos dias de Platão, o lei- tor comum dificilmente teria compreendido a distinção metafísica e o significado real.

No entanto, a verdade da Natureza sempre “geometrizando” pode ser descoberta facilmente.

Aqui está um exemplo: O Calor é a modifica- ção dos movimentos ou partículas de matéria.

Mas é lei

física e mecânica que as partículas ou corpos, em movi- mento sobre si mesmos, assumam uma forma esferoidal – isto, desde um globo planetário até uma gota de chu- va. Observem os flocos de neve, que, juntamente com os cristais, nos mostram todas as formas geométricas exis- tentes na Natureza.

Tão logo cessa o movimento, altera- se a forma esferoidal; ou, como nos diz Tyndall, torna-se uma gota plana, e a gota forma um triângulo equilátero, um hexágono e assim sucessivamente.

Observando-se a fragmentação das partículas de gelo de uma grande mas- sa através da qual ele [Tyndall] fez passar raios calóricos, notou que a primeira forma assumida pelas partículas foi triangular ou piramidal, depois cúbica e finalmente hexagonal, etc.

Assim, mesmo a moderna ciência física corrobora Platão e justifica sua proposição.

P. 5) Quando Tyndall pegou um grande bloco de gelo e lançou um poderoso raio sobre ele e daí para uma tela, foram vistas formas de samambaias e de outras plantas.

Qual é a razão disso?         R. 5) Em realidade, esta pergunta deveria ser di- rigida primeiro ao prof.

Tyndall, que daria uma explica- ção científica para ela, e talvez já a tenha dado.

Mas o Ocultismo o explicaria dizendo que o raio ajudou a mos- trar as formas astrais que estavam se preparando para constituir as futuras samambaias e plantas, ou que o gelo havia conservado o reflexo das samambaias e plan- tas reais e que já havia sido refletido nele.

O gelo é um grande mago, cujas propriedades ocultas são tão pouco conhecidas como as do Ether.

Está relacionado ocul-

tamente com a luz astral, e, sob certas condições, pode refletir certas imagens da região astral invisível, assim como a luz e uma placa sensibilizada podem refletir as estrelas que não podem ser percebidas, mesmo por um telescópio.

Isto é bem conhecido pelos doutos Iogues que habitam no gelo eterno de Badrinath e nos Himalaias.

De qualquer modo, o gelo tem certamente a propriedade de conservar as imagens de coisas estampadas em sua superfície, sob certas condições de luz, imagens que são conservadas invisivelmente até que ele se derreta.

O aço fino tem a mesma propriedade, embora seja de uma na- tureza menos oculta.

Se você observasse o gelo a partir da superfície, estas formas não seriam vistas.

Mas uma vez que ao decompor o gelo com calor você lida com as forças e as coisas que estavam impressas nele, você então descobre que ele emite estas imagens e as formas apare- cem.

Não é senão um elo que conduz a outro elo.

Tudo isso, naturalmente, não é ciência moderna; entretanto, é um fato e uma verdade.

P. 6) Os números e as figuras geométricas repre- sentam para a consciência humana as leis de ação da Mente Divina?        R. 6) Certamente que sim.

Não há possibilidade de evolução ou de formação casual, nem de que qualquer dos assim chamados aspectos anormais ou fenômenos cósmicos se deva a circunstâncias fortuitas.

Sloka (5) ...O OI-HA-HOU (OEAOHOO) “AS TREVAS”, O ILIMITADO OU O NÃO NÚMERO, ĀDI- NIDĀNA, SVABHĀVAT: o O (o círculo) (o X, a quantida- de desconhecida) .

I.     O ĀDI-SANAT, O NÚMERO; PORQUE           ELE É UM.           II.    A VOZ DA PALAVRA, SVABHĀVAT, OS           NÚMEROS, POIS ELE É UM E NOVE.

III.

O “QUADRADO SEM FORMA” (Arūpa)

E ESTES TRÊS, ENCERRADOS DENTRO DO O (o cír- culo sem limites) SÃO O SAGRADO QUATRO, E OS DEZ SÃO O UNIVERSO ARŪPA (subjetivo, sem forma). DE- POIS VÊM OS FILHOS, OS SETE COMBATENTES, O UM, O OITAVO EXCLUÍDO, E SEU SOPRO, QUE É O ARTÍFICE DA LUZ (Bhūskara).

P. 1) O “Excluído” é o Sol de nosso Sistema.

Há alguma explicação astronômica para a rejeição de Marttanda [o Sol]?         R. 1) O Sol é mais antigo do que qualquer de seus planetas, embora mais jovem que a Lua.

Sua “exclusão” significa que quando começaram a se formar os corpos ou planetas, ajudado por seus raios, sua radiação magné- tica ou calor, e especialmente por sua atração magnética, tiveram que detê-lo; caso contrário, teria tragado todos os corpos mais jovens, como a lenda diz que Saturno fez com sua progênie.

Isto não quer dizer que todos os pla- netas se desprenderam do Sol, como ensina a Ciência moderna, mas simplesmente que sob os Raios do Sol eles obtêm seu crescimento.

Aditi é a sempre equilibrante Mãe Natureza no plano puramente espiritual e subjetivo.

Ela é a Shakti, o poder feminino ou potência do espírito fecundante; e é ela a que deve regularizar o comporta- mento dos filhos nascidos de seu seio.

A alegoria védica é muito sugestiva.

A Doutrina Secreta, Vol.

I, p. 150, 151. (Nota do trad.)

P. 2) Os planetas de nosso Sistema Solar foram todos primeiramente cometas e depois sóis?        R. 2) Não foram sóis em nosso Sistema, ou em seus atuais Sistemas Solares, mas cometas no espaço.

Todos começaram suas vidas como errantes na super- fície do infinito Cosmos.

Separaram-se do depósito co- mum do material já preparado, a Via Láctea (que é nem mais nem menos do que a matéria do mundo totalmente desenvolvida, sendo todo o resto do espaço um material tosco, até agora invisível para nós); então, começando sua longa jornada, assentaram a vida ali onde Fohat lhes havia preparado as condições, e gradualmente se con- verteram em sóis.

Depois, cada sol, quando chegou seu Pralaya, se desfez em milhões e milhões de fragmentos.

Cada um destes fragmentos se movia de um lado a ou- tro no Espaço, juntando material novo, à medida que ia rolando como uma avalanche, até que se deteve sob as leis de atração e repulsão, e se converteu em um plane- ta em nosso Sistema, como também em outros, além do alcance de nossos telescópios.

Os fragmentos solares se converterão em planetas após o Pralaya Solar.

Foi uma vez um cometa, no começo da Idade de Brahmā. Depois chegou à sua condição atual, de onde explodirá em pe- daços, e seus átomos irão girando vertiginosamente no espaço durante éons e éons como todos os outros come- tas e meteoros, até que cada um, guiado pelo Karma, é apanhado no vórtice das duas forças e fixado em algum Sistema mais elevado e melhor.

Assim, o Sol viverá em seus filhos, como uma par- te dos pais vive em sua prole.

Quando chegar esse dia, a aparência ou o reflexo do Sol que vemos se desprenderá como um véu da face do verdadeiro Sol.

Nenhum mor-

tal o verá, porque nenhum olho mortal poderia suportar seu resplendor.

Se seu véu fosse removido uma vez por um só segundo, todos os planetas de seu Sistema seriam reduzidos imediatamente a cinzas, como os sessenta mil Filhos do Rei Sagara foram destruídos por uma mirada (do olho) de Kapila.

Sloka (6) ... EM SEGUIDA, OS SEGUNDOS SETE, QUE SÃO OS LIPIKAS, PRODUZIDOS PELOS TRÊS (Palavra, Voz e Espírito). O FILHO REJEITADO É UM, OS “FILHOS-SÓIS” SÃO INUMERÁVEIS.

P. 1) Qual é a relação dos Lipikas, os “Segundos Sete” com os “Sete Primordiais” e o primeiro “Quatro Sagrado”?        R. 1) Se você acredita que qualquer um, com ex- ceção dos mais elevados Iniciados, pode explicar isso para sua satisfação, então você está muito enganado.

Esta relação pode ser mais bem compreendida, ou me- lhor, demonstrar-se estar além de toda compreensão, estudando primeiro os sistemas gnósticos dos primeiros séculos do Cristianismo, desde o de Simão o Mago até o mais elevado e mais nobre deles, a assim chamada PIS- TIS-SOPHIA.

Todos estes sistemas derivam do Oriente.

Aquilo que chamamos os “Sete Primordiais” e os “Segun- dos Sete”, Simão o Mago os chama AEons, a primitiva, a segunda e a terceira séries dos Syzygies.

São as graduais emanações, que descem cada vez mais baixo na matéria, desse princípio primordial que ele chama Fogo, e nós, Svabhāvat.

Por trás desse Fogo, a manifestada, mas si- lenciosa Deidade, permanece com ele, como permanece        A Doutrina Secreta, Vol I. p. 155 (Nota do trad.)

conosco, aquilo “que é, foi e sempre será”. Comparemos seu sistema com o nosso.

Em uma passagem citada de suas obras pelo autor de Philosophumena, lemos:

“Desta permanente Estabilidade e Imortalidade des-       te primeiro princípio manifestado ‘Fogo’ (o Tercei-       ro Logos), cuja imutabilidade não impede a atividade,       posto que o segundo dele está dotado de inteligência e       razão (Mahat), isso (o Fogo) passou da potencialidade       da ação, à ação mesma.

A partir desta série de evoluções       se formaram seis seres, ou emanação desde a potência       infinita; formaram-se em Syzygies, isto é, irradiaram-se       da chama de dois em dois, sendo um o princípio ativo e       o outro o princípio passivo”. A estes Simão os chamou       Nous e Epinoia, ou Espírito e Pensamento, Phoné e       Onoma, Voz e Nome, Logismós e Enthumêsis, Racio-       cínio e Reflexão.

E de novo: “Cada um destes seis Seres       primordiais continha inteiramente a Infinita Potência;       mas ela estava ali potencialmente e não em ato.

Ela ti-       nha de ser estabelecida ali por meio de uma imagem (a       do paradigma), a fim de se mostrar em toda sua essên-       cia, virtude, grandeza e efeitos; pois somente então ela       poderia ser igual à Potência Progenitora, eterna e in-       finita.

Se, ao contrário, ela não se amoldasse por meio       da imagem, essa Potencialidade não teria podido nunca       converter-se em Potência ou passar à ação, mas se per-       deria por falta de uso, como ocorre ao homem que tendo       aptidão para a gramática ou a geometria não a exercita;       a perde como se nunca a tivesse possuído.”     Estas passagens são do Livro VI, 12, p. 250, de Philosophumena ou Refutation of All Heresies, atribuído agora a Santo Hipólito, mas anteriormente incluído nas obras de Orígenes.

H.P.B. aparentemente traduziu o texto grego ou o latino para o inglês, conforme publicado, um sob o outro, numa edição preparada do Paris Codex por Patricius Cruice (Paris: Imprimerie Royale, 1860). ...]. (Nota do comp.)

Ele mostra que se estes AEons pertencem ao mun- do superior, médio ou inferior, eles são todos um, exceto pela densidade material, a qual determina suas manifes- tações exteriores e o resultado produzido, não sua real essência que é una, ou suas mútuas relações que, como ele diz, são estabelecidas desde a eternidade por leis imu- táveis.

Assim sendo, o primeiro, o segundo, terceiro ou sete primordiais, ou Lipika, são todos um. Quando eles emanam de um plano a outro, é uma repetição de “como é em cima, é embaixo”. Estão todos diferenciados em matéria ou densidade, não em qualidade; as mesmas qualidades descem ao último plano, o nosso, onde o ho- mem está dotado da mesma potencialidade, se ele ape- nas soubesse como desenvolvê-la, como os mais eleva- dos Dhyan-Chohans.

Nas Hierarquias dos AEons, Simão indica três pa- res de cada dois, o sétimo sendo o quarto que desce de um plano a outro.

Os Lipikas procedem de Mahat e, na Cabala, são chamados os Quatro Anjos Registradores; na Índia, os quatro Maharajas, os que registram todo pensamento e ação do homem; São João em sua Revelação os chama o Livro da Vida.

Estão diretamente relacionados com o Karma e com o que os cristãos denominam o Dia do Juízo; no Oriente era chamado o Dia depois do Maha- manvantara, ou o “Dia-do-Sê-Conosco”. Então, tudo se torna um, todas as individualidades se fundem em uma; entretanto, cada uma conhece a si mesma: um ensina- mento verdadeiramente misterioso.

Mas então, aquilo que para nós agora é não consciência ou o inconsciente, será então consciência absoluta.

P. 2) Que relação têm os Lipikas com Mahat?        R. 2) São uma divisão, quatro tomados de um dos Setenários que emanam de Mahat.

Mahat corresponde ao Fogo de Simão o Mago, a Ideação Divina, a secreta e a manifestada criadas para testemunhar a si mesmas neste Universo objetivo, por meio das formas inteligentes que vemos ao nosso redor, no que chamamos criação.

Como todas as demais emanações, são “Rodas dentro de Ro- das”. Os Lipikas encontram-se no plano correspondente ao plano mais elevado de nossa cadeia de globos.

P. 3) Qual é a diferença entre Espírito, Voz e Pa- lavra?        R. 3) A mesma que entre Ātmā, Buddhi e Manas, em um sentido.

O Espírito emana das Trevas desconhe- cidas, o mistério no qual nenhum de nós pode penetrar.

Esse Espírito, chame-o “Espírito de Deus” ou Substância Primordial, reflete-se nas Águas do Espaço ou na ainda indiferenciada matéria do futuro Universo, e, dessa for- ma, produz o primeiro torvelinho de diferenciação den- tro da matéria primordial homogênea.

Esta é a Voz, pio- neira da “Palavra” ou primeira manifestação, e dessa Voz emana a Palavra ou Logos, isto é, a expressão definida e objetiva daquilo que até então permanecia nas profun- didades do Pensamento Oculto.

Aquilo que se reflete no Espaço é o Terceiro Logos.

Podemos expressar esta Trin- dade por meio dos termos Cor, Som e Números.